Governo eleva projeção do IPCA para 5,1% em 2026 e mantém a do PIB em 2,3%

O Ministério da Fazenda elevou de 4,5% para 5,1% a projeção para a inflação em 2026. A revisão está na edição de julho do Boletim Macrofiscal, divulgado nesta quarta-feira (15) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.

O movimento de elevação foi antecipado pela secretária de Política Econômica, Débora Freire, em entrevista ao JOTA neste mês. Segundo o documento, a mudança reflete a aceleração acima do esperado da inflação de serviços e de bens industriais. 

A pasta também cita riscos para os próximos meses, como os efeitos indiretos da alta recente do petróleo e a expectativa de encarecimento dos alimentos no segundo semestre, diante da possibilidade de um fenômeno El Niño mais intenso.

A secretaria afirma que o novo encarecimento do petróleo “não está incorporado ao cenário e constitui risco altista relevante para os preços de energia e para a inflação”. Por outro lado, já estão consideradas “as novas tarifas americanas e a materialização de um super El Niño, que pode levar a eventos climáticos extremos que pressionam a inflação de alimentos e de energia, especialmente nas regiões da América Latina e da Ásia”.

A Fazenda também levou em consideração a deterioração das expectativas do mercado. No boletim Focus, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 passou de 4,9% para 5,3% (em 6 de julho de 2026, data de corte das projeções para a elaboração do boletim). Para 2027, a estimativa oficial subiu de 3,5% para 3,6%.

As projeções para outros índices de preços também foram revisadas para cima. A estimativa para o INPC passou de 4,6% para 5,3%, refletindo principalmente o maior peso dos alimentos na composição do indicador. Já a previsão para o IGP-DI foi elevada de 4,9% para 5,6%, após altas acima do esperado nos preços ao produtor em abril e maio.

Como fatores de contenção da inflação, a Fazenda cita a manutenção da taxa básica de juros em nível restritivo ao longo do ano, a desaceleração da atividade econômica e medidas para reduzir o repasse da alta dos combustíveis aos consumidores.

O boletim também incorpora uma expectativa de juros mais elevados. A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 passou de 13% para 14% ao ano.

PIB

A equipe econômica manteve em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

Segundo a Fazenda, houve uma recomposição entre os setores da economia. A estimativa para a agropecuária foi elevada de 1,2% para 1,8%, enquanto a previsão para a indústria caiu de 2,2% para 2,1%. A projeção para o setor de serviços permaneceu em 2,4%.

O governo afirma que a atividade econômica deve perder força ao longo do ano, com crescimento de 0,8% no segundo trimestre, ante 1,1% no primeiro, em razão do arrefecimento da safra agrícola e dos efeitos defasados da política monetária.

Crédito 

A secretaria afirma que o crédito perdeu tração na margem e passou a atuar de forma menos intensa sobre a atividade. “As concessões reais de crédito, dessazonalizadas, praticamente estagnaram em maio de 2026 na variação trimestral interanual, revertendo o movimento de recuperação que vigorara até fevereiro. A perda de fôlego concentrou-se nas pessoas jurídicas, cujas concessões recuaram na ponta, restando o crédito a pessoas físicas como sustentação residual do agregado”.

Contas públicas

Na área fiscal, o relatório projeta um superávit primário de R$ 4,05 bilhões no conceito utilizado para o cumprimento da meta, considerando as deduções e exclusões permitidas pelo arcabouço fiscal, como despesas com precatórios e gastos financiados pelo Fundo Social.

Sem essas exclusões, estimadas em R$ 64,4 bilhões, a projeção é de déficit primário de R$ 60,3 bilhões, o equivalente a 0,44% do PIB.

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