JOTA Principal: Alcolumbre reacende mote ‘Congresso inimigo do povo’ ao manter PEC da 6×1 na gaveta

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, bateu o pé sobre não pautar a PEC do fim da escala 6×1 antes da eleição e deu espaço para a esquerda reavivar o mote de que o Congresso é “inimigo do povo” — agora reescrito para “Alcolumbre inimigo do povo”, já que a Câmara dos Deputados passou a medida com folga.

Como sua base no Amapá não parece ter reagido negativamente à sua postura, Alcolumbre mantém a PEC na gaveta desde 28 de maio e diz que não vai tolerar “intimidações”.

A demora inevitavelmente vai levar o tema à campanha eleitoral e obrigar Flávio Bolsonaro a se posicionar. O senador, aliás, tem encontro marcado com a Polícia Federal quando voltar dos EUA: ele deverá ser ouvido em um inquérito que investiga suposto crime de calúnia contra Lula.

Boa leitura.

O PONTO CENTRAL

1. Batendo de frente

A demora do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em pautar a PEC do fim da escala 6×1 reacendeu o mote ‘Congresso inimigo do povo’, Marianna Holanda e Maria Eduarda Portela escrevem no JOTA PRO Poder.

A proposta está na gaveta desde 28 de maio.
Com a demora, Alcolumbre desafia a sociedade e a Câmara dos Deputados: a mudança tem apoio de 71% dos brasileiros e recebeu 472 votos.
O senador tem dito ser contrário a discutir o tema em um momento eleitoral.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse que Alcolumbre ficará conhecido como “inimigo dos trabalhadores” se não pautar a proposta.

Depois da declaração, Alcolumbre afirmou que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”.
Impedir a tramitação da proposta tem custo político: a consequência direta é que o fim da jornada de 44 horas se torne tema eleitoral.
Nos estados, a PEC já virou tema de campanha, e há deputado que usa seu voto “sim” para se promover nas bases, assim como há adversário político dizendo que determinado senador é contra a redução da escala.

👀Bastidores O cálculo de Alcolumbre leva em conta que aprovar a PEC antes da eleição garantiria uma vitória a Lula, acima de tudo.

Segurar a votação o transforma em para-raios de ataques, mas rende pontos com o bolsonarismo.
Aliados dizem que Lula ainda amarga a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.
Assim, talvez o aceno à direita seja a melhor opção para a sobrevivência do senador do Amapá no comando da Casa.

Aliás… Levar o tema para a campanha obrigará Flávio Bolsonaro a se posicionar. A redução da escala é assunto delicado e sem consenso no PL, e gerou ruído e crise interna quando foi a voto na Câmara dos Deputados.

O próprio pré-candidato nunca disse se seria contrário à PEC do fim da escala 6×1. O risco eleitoral é grande.

UMA MENSAGEM DE OpenAI

A barreira do desconhecimento tecnológico no uso de IA


Crédito: andreswd/ Getty Images

Dados da PNAD Contínua de 2025 revelam que 20,5 milhões de brasileiros não acessam a internet. O motivo central para quase metade desse grupo é o desconhecimento sobre como utilizar a rede. Esse cenário atinge severamente os idosos, onde 66,1% declaram não saber operar ferramentas digitais.

Para que a regulamentação da inteligência artificial no país, por meio do PL 2338/2023, seja efetiva, a conectividade significativa deve ser um ponto central. Sem isso, surgem lacunas críticas:

falta de dispositivos adequados em comunidades carentes;
carência de infraestrutura de rede estável e veloz;
impossibilidade de contestar decisões automatizadas. Regular a IA sem garantir o básico é como avançar legislações para países distintos

2. Passaporte para a crise

Eduardo e Flávio em audiência em Washington / Crédito: Reprodução/Twitter

Os EUA voltaram ao centro do embate eleitoral com o provável novo tarifaço de 25% e a ida de Flávio Bolsonaro a Washington, Vivian Oswald e Daniel Marcelino escrevem no JOTA PRO Poder.

Na audiência pública da qual participou, Flávio afirmou que este seria o “pior momento” para sobretaxar o país, já que a medida poderia beneficiar a campanha de Lula em detrimento da sua.
O governo Lula insistiu em atuar pelos caminhos institucionais e publicou uma nota criticando Flávio.
O Planalto afirmou que, dos 34 brasileiros inscritos para se manifestarem, “só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”.

Flávio sugeriu a aplicação de sanções a indivíduos no lugar de taxas.

Esse discurso em especial ecoa a pauta defendida pelo irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e por Paulo Figueiredo. Os dois pedem que os EUA voltem a usar a Lei Magnitsky contra brasileiros.
Eduardo tem sido considerado culpado pelo imposto há um ano, quando antecipou sua aplicação e agradeceu a Trump pela medida.

Sim, mas… Se a ida de Flávio aos EUA tinha o objetivo de desfazer a associação do bolsonarismo com o tarifaço, o senador não conseguiu cumpri-lo. Sua intervenção na audiência pública não desfez o mal-estar com os meios político e econômico.

3. O print é eterno

O ministro Alexandre de Moraes / Crédito: Rosinei Coutinho/STF

O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou ontem (7) a oitiva de Flávio Bolsonaro no inquérito que investiga suposto crime de calúnia contra o presidente Lula, Lucas Mendes escreve no JOTA.

A Polícia Federal deverá ouvi-lo em 10 dias, em local, dia e hora alinhados previamente com o senador.
A decisão do ministro foi dada depois de manifestação da PGR defendendo a oitiva. Segundo o órgão, a medida tem relevância, “sobretudo em razão da possibilidade de retratação”, o que poderia isentar Flávio de pena.
No final de junho, a PF concluiu que o senador caluniou Lula em uma postagem nas redes sociais em 3 de janeiro deste ano, ao acusá-lo de cometer vários crimes.
A publicação trazia imagens que associavam o petista ao então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”, escreveu Flávio.

4. Fora de perigo

Roupas da Shein / Crédito: Getty Images

Técnicos do Ministério da Fazenda consideram baixa a possibilidade do Supremo reverter o fim da taxa das blusinhas, encerrada pelo governo em maio, Fábio Pupo conta no JOTA PRO Poder.

A avaliação é que a redução da taxa a zero foi uma iniciativa muito popular e os magistrados não estariam dispostos a comprar essa briga.
O governo reverteu a taxação de compras abaixo de US$ 50 e reduziu a alíquota de compras de até US$ 3 mil após perceber que a cobrança do tributo era uma das medidas mais impopulares da gestão.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) acionaram o STF afirmando que o fim do imposto traz prejuízos às empresas nacionais.

⚖️Panorama Há duas ações em andamento sobre o tema, ambas sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

A Fazenda argumenta nos autos que eventuais desequilíbrios competitivos com países como a China devem ser enfrentados por medidas comerciais e não por mudanças na tributação.
Afirma também que a Constituição não obriga o país a adotar uma política protecionista.

5. Foste um difícil começo

Cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, em SP / Crédito: Getty Images

Ao menos quatro dos cinco principais pré-candidatos à presidência vão homologar suas candidaturas a presidente em São Paulo até o início de agosto, consolidando a cidade como palco político e eleitoral, Beto Bombig analisa no JOTA PRO Poder.

Todos planejam ter na capital paulista um importante comitê de campanha e uma central de difusão de suas ideias e projetos.
Os motivos mais óbvios são o tamanho do colégio eleitoral (o maior do país), a diversidade social e cultural, a concentração de riqueza e a indústria da comunicação.

Pela frente A convenção do PL está marcada para lançar Flávio Bolsonaro em 25/7. A do PSD oficializa Ronaldo Caiado em 27/7. Em agosto, o Missão lança Renan Santos no dia 1º. A oficialização da candidatura de Lula à reeleição pelo PT será em 2/8.

6. No ataque

O ex-governador Romeu Zema / Crédito: Gabriel Pinheiro / CNI

Encalhado nas pesquisas, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema trocou o discurso de gestor pelo confronto com o Supremo Tribunal Federal, Daniel Haidar conta no perfil do candidato no JOTA PRO Poder.

O mineiro elegeu como alvos os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes depois das revelações de um suposto envolvimento de Moraes e Toffoli com o banco Master.
O candidato chegou a lançar uma série, “Os Intocáveis”, criada com IA pelo marqueteiro Renato Pereira, ex-delator da operação Lava Jato e antigo estrategista de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes.
Em entrevista ao JOTA, Zema atribui a postura contra o Supremo ao fato do “mineiro ser mais indignado do que a média nacional”.

🔭Panorama A ofensiva contra o STF não foi única. Desde que o Novo começou a despejar dinheiro na pré-campanha de Zema, no ano passado, ele partiu para o ataque em múltiplas frentes.

Reforçou o antagonismo com Lula até em agendas institucionais e foi o primeiro pré-candidato de direita — e antigo apoiador ferranho de Jair — a romper com o bolsonarismo e criticar Flávio.

Sim, mas… A postura abriu espaço para contra-ataques, com adversários lembrando da doação de R$ 1 milhão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao Novo em 2022.

Adversários também trouxeram à tona que Eletrozema, rede varejista que tem como principal acionista o próprio ex-governador, foi uma das agraciadas com R$ 2,2 milhões de desconto no ICMS.
O benefício foi concedido em 25 de junho de 2024, quando Zema ainda comandava o governo.

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