Eleições 2026: quem ganha com a transferência de votos no 2º turno, segundo a BTG/Nexus

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o principal beneficiário da migração de votos das candidaturas menores em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições 2026. É o que mostra a terceira rodada da pesquisa BTG/Nexus, que mapeou para onde vão os 17% distribuídos entre os candidatos que hoje estariam fora do segundo turno.

O dado mais expressivo vem do eleitorado de Romeu Zema (Novo, 4%): 74% declaram voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno, contra apenas 7% para Lula. Entre todos os candidatos medidos, é a transferência mais eficiente e sugere alinhamento ideológico sólido com o bolsonarismo.

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O perfil muda com os eleitores de Renan Santos (Missão, 4%). A migração para Flávio cai para 47%, com 22% indo a Lula e cerca de 25% optando por branco ou nulo — parcela relevante que pode ser decisiva em disputa apertada. O eleitorado do Missão apresenta maior dispersão e menor identidade com o campo bolsonarista do que o de Zema.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD, 5%), o cenário é o mais competitivo: 36% para Flávio e 31% para Lula. A diferença de apenas cinco pontos indica um eleitorado mais volátil e disputável, o que torna Caiado o candidato com maior poder de barganha em um eventual apoio de segundo turno.

Lula lidera transferências do campo não conservador

Entre os eleitores das candidaturas menos vinculadas ao campo conservador, Lula reverte o padrão e passa a ser o principal destino no segundo turno, mas o impacto prático é restrito pelo baixo peso desses candidatos no primeiro turno.

Com os eleitores de Augusto Cury (Avante), Lula obtém 48% contra 23% de Flávio Bolsonaro — vantagem expressiva, mas sobre uma base de apenas 1% das intenções de voto. O efeito real sobre o resultado é marginal.

O caso mais relevante nesse campo é do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (DC, 2%): 46% de seus eleitores migram para Lula no segundo turno, contra 33% para Flávio Bolsonaro — diferença de 13 pontos. É o único candidato em que Lula lidera a transferência com algum peso eleitoral, ainda que modesto.

O eleitorado de Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) é o único entre os analisados em que a rejeição aos dois candidatos supera qualquer intenção de voto: 45% declaram branco ou nulo — índice superior ao de qualquer transferência para Lula ou Flávio. Entre os que optam por um dos dois, Lula leva vantagem: 32% contra 23% de Flávio.

O dado mais relevante aqui não é quem recebe os votos, mas o perfil de rejeição: Daciolo concentra um eleitorado de protesto que resiste ao segundo turno independentemente da polarização, um padrão distinto de todos os outros candidatos analisados.

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O saldo final favorece Flávio

Em síntese, o conjunto dos dados aponta para um segundo turno em que Flávio Bolsonaro parte com vantagem estrutural na absorção dos votos das candidaturas menores. Dos aproximadamente 17% distribuídos entre os seis candidatos analisados, o campo conservador, Zema, Caiado e Renan Santos, com 13 pontos percentuais combinados, transfere sua maioria para o candidato do PL, com taxas que variam de 36% a 74%.

Lula lidera apenas entre Cury, Barbosa e parte do eleitorado de Daciolo, candidatos que somam cerca de 4% e cujo peso agregado não compensa o diferencial do campo oposto. O eleitorado de Caiado, mais dividido, é o único com potencial real de disputa — e o que mais justifica uma eventual negociação de apoio entre os dois turnos.

O índice de branco/nulo, concentrado sobretudo em Daciolo e Renan Santos, representa uma fração do eleitorado que nenhum dos dois candidatos consegue mobilizar e que pode, em cenário de segundo turno muito apertado, definir o resultado pela ausência.

A pesquisa ouviu 2.045 pessoas entre os dias 22 e 24 de maio em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04193/2026.

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