O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o Itamaraty não foi informado do pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) feito por Darren Beattie, assessor para relações com o Brasil do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Vieira também disse, de forma genérica, que o encontro entre os dois pode representar uma “ingerência” em assuntos brasileiros.
“Cumpre observar, por oportuno, que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou em resposta ao ministro Alexandre de Moraes.
Moraes havia pedido informações ao Itamaraty sobre a agenda diplomática de Beattie no Brasil. A defesa de Bolsonaro quer mudar o dia da visita do norte-americano ao ex-presidente, autorizada por Moraes em data diferente da requerida pelos advogados.
No ofício a Moraes, Mauro Vieira afirmou que a vinda de Beattie ao Brasil foi informada pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O funcionário do Departamento de Estado chegará a Brasília em 16/3 e partirá para São Paulo na noite seguinte. Em seguida, partirá da capital paulista na noite de 18/3, para Washington, D.C.
Conforme Vieira, o governo norte-americano informou que Beattie viajaria ao Brasil para uma conferência sobre minerais críticos e para “reuniões oficiais com representantes do Governo brasileiro”.
“Esclareço que a referida conferência, intitulada ‘Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos’ (“US-Brazil Forum on Critical Minerals”), será realizada, em São Paulo, no próximo dia 18/3, na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AMCHAM)”, disse o ministro do Itamaraty.
Segundo Vieira, foi só na quarta-feira (11/3) que a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília solicitou encontro de Beattie no Ministério das Relações Exteriores, “inexistindo, até então, qualquer agendamento diplomático previamente notificado a esta Pasta”.
Nenhuma das reuniões pedidas ao Itamaraty está confirmada, de acordo com Mauro Vieira. Uma delas, inclusive, chegou a ser solicitada “em mensagem de diplomata da Embaixada dos EUA por aplicativo de mensagens”.
Beattie foi nomeado pelo presidente Donald Trump e o seu cargo envolve propor e supervisionar as políticas e ações de Washington voltadas a Brasília. O enviado de Trump já fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à atuação de Moraes na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.