Pesquisa indica busca por 3ª via em seu melhor momento e ameaça polarização PT-PL

O que é mais fácil? O catadão de Ancelotti trazer o hexa para o Brasil ou um segundo turno em que o eleitor não tenha como opção à direita digitar 22? Um exame detalhado da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (15/6), indica que a terceira via entre a centro-esquerda democrática e o autoritarismo bolsonarista de extrema direita está em seu melhor momento nesta pré-campanha presidencial.

Isso porque 24% dizem preferir que se eleja um candidato que não fosse apoiado nem pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL, 2019-2023), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

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Na série histórica, é o maior índice já registrado pela pesquisa de eleitores em resposta à pergunta: “De acordo com a sua preferência política, considerando apenas as alternativas a seguir, quem deveria ser eleito Presidente do Brasil nas eleições de 2026?”. Na pesquisa de março, o índice era de 11%, seguido por 18% nos levantamentos divulgados em abril e maio. A íntegra da pesquisa pode ser lida aqui.

A mesma pesquisa indica que Lula ganhou fôlego contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Jair e indicado pelo pai como candidato da extrema direita. No principal cenário de primeiro turno, o atual presidente subiu de 40% para 42% das intenções de voto, enquanto o “01” recuou de 35% para 33%.

Flávio foi abatido por eleitores que deixaram de apoiá-lo em resposta ao escândalo BolsoMaster, com o financiamento por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair, e ao anúncio por parte do presidente Donald Trump de novas tarifas dos EUA contra o Brasil. Outras pesquisas já demonstravam a tendência de queda da pré-candidatura de extrema direita, mas apenas a BTG/Nexus mostra com clareza a busca por uma alternativa que, tudo indica, deve ser de centro-direita.

O entrave para eliminar o domínio bolsonarista sobre o campo conservador no país reside na organicidade da preferência por parte dos eleitores de extrema direita por um candidato indicado pelo patriarca golpista. A mesma pesquisa indica que 25% dizem que Flávio é o único em que votariam. Muitos analistas argumentam que é um mistério ainda precisar a proporção do eleitorado que é de extrema direita, o qual variaria entre 20% e 30% do total. À luz dessas projeções, pode-se argumentar que a BTG/Nexus captou com precisão o tamanho atual da base bolsonarista.

Se qualquer um dos candidatos que se apresenta como terceira via chegar às vésperas do primeiro turno, em 4 de outubro, com cerca de 20% das intenções de voto, e Flávio estiver ainda mais cambaleante com outras contradições e controvérsias além daquelas expostas até aqui, há chances de que Lula enfrente no segundo turno um outro nome que não seja Bolsonaro.

Não me parece que todos os eleitores bolsonaristas — sejam os radicais, sejam apenas os simpatizantes — queiram esperar até 2030 para tirar a esquerda do poder. A manutenção de algum indivíduo com o sobrenome Bolsonaro como cabeça de chapa é muito mais um projeto familiar do que algo orgânico da extrema direita em seu conjunto. Tampouco os antilulistas são todos autoritários a ponto de perder a chance de ressuscitar uma centro-direita democrática.

Nesse cenário, a opção mais segura para esse campo político avançar sobre a tentativa da família Bolsonaro monopolizar o voto do amplo campo conservador no Brasil seria Ronaldo Caiado, pré-candidato pelo PSD e ex-governador de Goiás, bastante ligado ao agronegócio e hoje com 4% das intenções de voto, segundo a BTG/Nexus.

Ele é um político que, não obstante suas origens oligárquicas e flertes com teses de extrema direita — inclusive a anistia a Bolsonaro e outros golpistas do 8 de janeiro —, tem posições históricas que, uma vez no Planalto, poderiam levá-lo de volta a tendências de centro, em particular em aspectos de política externa, que ainda serão os principais desafios do próximo governo independentemente de quem seja o presidente.

Aécio Neves, que ensaia uma nova candidatura presidencial pelo combalido PSDB após 12 anos de sua quase vitória contra a campanha de reeleição de Dilma Rousseff (PT), não consegue sair de 1% das intenções de voto.

As piores opções para uma terceira via são Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), respectivamente com 4% e 2% das intenções. Ambos são, no fundo, linha auxiliar do bolsonarismo, com uma roupagem palatável a centristas incautos ou desonestos. Santos vem atraindo a atenção por angariar boa parte do eleitorado jovem, mas que se revela inconsequente ao se colocar como candidato antissistema, sem histórico de ter ocupado cargos públicos.

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Para a democracia, uma disputa Lula-Caiado seria um cenário mais razoável do que ter um Bolsonaro pela terceira vez consecutiva para representar o eleitorado à direita. Para os interesses eleitorais do PT, porém, o cenário que se avizinha é o melhor de todos: uma disputa Lula-Flávio que encobre os erros da atual gestão, sem falar que a família Bolsonaro e seus seguidores, junto com outras forças de extrema direita, são o núcleo da contestação da democracia no Brasil.

Cabe às forças democráticas pensarem o quanto antes em estratégias para administrar essa fatia do eleitorado de modo que ela não tenha força para impor mais uma ameaça contra a democracia, como foi a presidência exercida de 2019 a 2023. Já no futebol, o hexa pode esperar.

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