A quinta-feira (10) trouxe novas reviravoltas da crise no Supremo Tribunal Federal, culminando na retirada do sigilo de parte das investigações do Master.
O ministro André Mendonça atendeu ao pedido do presidente do Supremo, Edson Fachin, e tornou públicos os elementos de investigações sob sua alçada, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.
Ficaram de fora apurações como a do financiamento do filme Dark Horse; as investigações em que é citado o senador Ciro Nogueira; a apuração que levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; e a fase da Operação Compliance Zero que atingiu a Rioprevidência e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.
Na decisão, Mendonça afirma que “estão sendo adotadas as providências administrativas necessárias à remessa de cópia integral dos referidos autos, em HD próprio, à presidência e aos gabinetes dos eminentes ministros”. Leia mais.
Se ontem (10) o dia no Supremo começou com o anúncio de um pronunciamento de Alexandre de Moraes, as horas seguintes caminharam em sentido contrário — o ministro foi convencido por aliados de que não seria uma boa estratégia e poderia até prejudicá-lo.
Pesou também a operação da PF, autorizada por Flávio Dino, que realizou buscas e apreensões contra o deputado Mario Frias em apuração sobre o uso de recursos públicos no filme Dark Horse.
A sessão plenária foi cancelada — e deu lugar a uma agenda cheia de reuniões a portas fechadas. Leia os bastidores na nota de abertura.
Paula Bonelli colaborou nesta edição.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. No escurinho dos gabinetes
Edson Fachin reuniu-se em privado com os pivôs da crise — Mendonça e Moraes —, com outros ministros e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.
O centro das conversas foi o julgamento da próxima terça (15), quando os ministros vão analisar se abrem ou não inquérito contra Moraes após relatório da Polícia Federal trazer à tona mensagens trocadas e supostos encontros entre o ministro e Daniel Vorcaro.
Fachin também disponibilizou aos gabinetes a cópia integral da investigação.
Por que importa: Por ser uma situação inédita, ainda existem dúvidas sobre os detalhes do rito.
Uma das questões é se a sessão será aberta ou fechada.
Fachin tem expressado o desejo pela sessão pública, segundo um ministro relatou reservadamente ao JOTA.
Entre outras questões em análise estão, por exemplo, se o PGR fará sustentação oral e se Moraes terá que ser representado por um advogado.
Fachin estava ciente dos desafios ao marcar a data.
Por isso, resolveu abrir uma nova roda de conversa com os pares.
Também se reuniram presencialmente com o presidente os ministros Nunes Marques, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Dias Toffoli, após o cancelamento da sessão de ontem (10).
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OPINIÃO
2. Crise no Supremo
José Eduardo Faria escreve sobre a crise de legitimidade e a deterioração da imagem do STF. Ele alerta para o fato de que o risco à democracia está em Poderes cujos ocupantes atuam sem limites. “Embora as causas sejam muitas, a que mais chama atenção no momento atual é a mediocridade de alguns de seus ministros, que foram escolhidos não com base em seu ‘notável saber jurídico’.” Leia a íntegra.
Miguel Gualano de Godoy urge por reforma no modelo de funcionamento STF que não passe por criação de mandato para ministro. No artigo, apresenta propostas baseadas em décadas de pesquisa e análise sobre a Corte. “O poder decisório dispersou-se em poderes individuais e sem controle colegiado”, escreve. Leia a íntegra.
Thúlio Guilherme Nogueira relaciona o impeachment de Dilma Rousseff a um eventual impeachment de Alexandre de Moraes. Ele defende garantias aos ministros por exercerem uma “função contramajoritária”, mas pondera que, se a proteção ao cargo muda conforme o ocupante, a própria instituição deixa de ser protegida. Leia a íntegra.
3. Porteira
Lula na posse do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, no Planalto / Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República – 15.jan.2026
O governo Lula fortaleceu o Ministério da Defesa para 2027, que passou a ser um dos destaques da proposta orçamentária para o ano que vem, Fábio Pupo registra no JOTA PRO Poder.
A Defesa teve um crescimento de R$ 5,3 bilhões em despesas discricionárias no PLOA, frente à proposta de 2026, chegando a R$ 18 bilhões.
Foi a maior expansão desse tipo de gasto, atrás apenas dos ministérios da Saúde e das Comunicações.
🪖 Panorama: O movimento ocorre diante de alertas sobre o aumento da tensão geopolítica e o avanço dos investimentos de outros países.
Defensores de mais recursos dizem que o reforço é necessário em um mundo mais conflituoso e imprevisível, com líderes como Donald Trump.
Lula cita ameaças internacionais e a necessidade de proteção das riquezas brasileiras.
O ministro da Defesa, José Múcio, já afirmou que, no cenário atual das Forças Armadas, teria que abrir o “portão” em caso de uma invasão estrangeira.
O principal investimento para a pasta em 2027 é a aquisição de aeronaves de caça Gripen, com valor previsto de R$ 2,8 bilhões.
Também se destacam R$ 1,4 bilhão para sistemas de tecnologia nuclear da Marinha e R$ 1 bilhão para a modernização de veículos blindados.
Outros R$ 671 milhões serão destinados ao sistema estratégico de defesa, R$ 571 milhões à compra do KC-390 e R$ 520 milhões ao sistema de drones do Exército.
Os programas podem sofrer congelamento de recursos pelo limite do arcabouço ou pela meta fiscal. Governo discute blindagem, mas equipe econômica resiste.
4. Enviado especial
Candidato a vice, Alfredo Gaspar levanta o braço de Flávio Bolsonaro em evento de campanha em Alagoas, seu reduto eleitoral / Crédito: Charles Vieira/Divulgação
O deputado Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro, vai intensificar sua agenda no Nordeste nas próximas semanas, Mariah Aquino escreve no JOTA PRO Poder.
A campanha aposta na presença de nomes locais fortes no bolsonarismo, como o senador Rogério Marinho, para tentar reduzir a diferença entre os candidatos.
A “caravana” Gaspar pretende passar por capitais como Teresina, Recife e São Luís, além de colégios eleitorais importantes, como Caruaru (PE) e Juazeiro (CE) — em 2022, Lula venceu Bolsonaro em todos eles.
A estratégia inclui explorar o desgaste de lideranças tradicionais da região e as dificuldades econômicas enfrentadas pela população de menor renda.
Flávio acompanhará Gaspar em algumas agendas, mas também quer ampliar as atenções no Sudeste.
Sim, mas… Há dificuldades para montar eventos políticos com aliados do PL na região.
Candidatos locais de partidos de centro se mostram receosos em nacionalizar a disputa no primeiro turno para não perder votos entre eleitores de Lula.
Na última semana de agosto, houve uma primeira passagem da campanha por Alagoas, estado natal de Gaspar.
Lá, Flávio e Gaspar concentraram a agenda em Maceió e Arapiraca, com encontros com empresários, carreata, motociata e participação em culto.
JHC, candidato do PSDB ao governo de Alagoas com apoio do PL, não participou das agendas.
Os candidatos ao Senado Marina Cândia e Arthur Lira também ficaram de fora da maior parte das atividades; Lira participou apenas do culto.
♟️ A estratégia: É passar primeiro pela capital e, em seguida, interiorizar a campanha.
Os candidatos vão martelar contra o preço dos alimentos, a perda de poder de compra, o endividamento das famílias e a insegurança.
“O Nordeste é a solução” aparece como mantra da campanha, prometendo obras de infraestrutura.
Entre elas, um trem ligando as capitais da região, além da ampliação da distribuição de água, a conclusão da ferrovia Transnordestina com ampliação de seu alcance para Paraíba e Rio Grande do Norte.
5. Xaropinho eleitoral
O mascote da Justiça Eleitoral, Pilili, em visita de estudantes da Faap ao TSE / Crédito: Leobark Rodrigues/Secom/TSE
A disputa pela Presidência permanece até agora girando em torno da tese do “remédio amargo”, Beto Bombig escreve em sua coluna no JOTA.
Essa proposição significa fazer uma escolha que deixará um sabor ruim na boca do eleitor, mas que ele julga ser necessária ao país neste momento.
Ou seja, o eleitor engole o comprimido e aceita possíveis efeitos colaterais em nome de reduzir ou até mesmo acabar com uma doença — no caso, o bolsonarismo ou o lulismo-petismo, a depender do lado em que o “paciente” se encontra no espectro.
🔭 Panorama: O preocupante cenário para Lula nesta altura da campanha é que Flávio Bolsonaro dá sinais de estar convencendo parcela expressiva do eleitorado, inclusive a dos “independentes”, de que ele é um mal menor para o país do que o atual presidente.
Não por outro motivo, o candidato de oposição já afirmou estar disposto a, uma vez eleito, fazer um “governo de transição” — o que pode servir para tranquilizar quem não enxerga nele capacidade para liderar um projeto de nação.
Para Lula, contra a tese do remédio amargo, só há uma terapêutica 100% eficaz: convencer o eleitor de que a vida está boa e pode melhorar.
O presidente precisa contagiar positivamente parcela expressiva dos brasileiros com a continuidade de sua gestão, o famoso “feel good factor”, que decide eleições na prateleira continuidade versus mudança.
Se essa sensação de bem-estar inexiste, o eleitor busca quem possa trazer esse sentimento ou que, pelo menos, possa interromper o ciclo de transtornos.
Como diz um experiente analista do cenário, na cabeça do eleitor, às vezes, é melhor mudar, mesmo que seja para pior.,
6. Ideia fixa
O ministro Dario Durigan / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
A área técnica da equipe econômica do governo defende que a tributação sobre títulos hoje isentos, como LCIs e LCAs, seja proposta o quanto antes — e, se possível, ainda neste ano, Fábio Pupo e Gabriel Shinohara escrevem no JOTA PRO Poder.
Apesar disso, a visão é que pode haver dificuldades para uma iniciativa concreta sobre o tema logo após as eleições.
🔭 Panorama: A medida ainda está em discussão e não há um desenho fechado nem decisão final tomada, segundo o JOTA apurou.
No nível técnico da equipe econômica, são defendidas algumas ideias sobre o formato.
Ela seria aplicada como forma de amenizar as dificuldades da colocação de certos papéis do Tesouro: a isenção faz esses instrumentos competirem com a colocação da dívida pública e exige que o governo pague uma remuneração maior em suas emissões.
A ideia defendida no nível técnico é que o fim das isenções valha para todos os papeis — o que incluiria LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, debêntures incentivadas e Fiagros.
Uma fonte afirma que defende a implantação da medida para “ontem”, embora reconheça que o momento político é delicado.
A visão tem amplo respaldo na equipe econômica.
Diferentes integrantes defendem que a volta dessa discussão é apenas questão de tempo.
Ainda não está decidido qual imposto seria aplicado, se IRPF (Imposto de Renda) ou IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Dependendo do modelo adotado, a medida só poderia valer no exercício seguinte — o que gera mais interesse por uma proposta ainda em 2026.