Pesquisa Meio/Ideia: Michelle sai fortalecida, mas disputa familiar não muda voto

A pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8/7), também buscou medir o chamado “efeito Michelleapós a divulgação, em 24 de junho, do vídeo em que a ex-primeira-dama faz críticas ao enteado, Flávio Bolsonaro (PL). Os resultados indicam que Michelle consolidou uma marca política própria, independentemente da candidatura do senador à Presidência. 

Em uma pergunta espontânea sobre quem é hoje a mulher mais poderosa do Brasil, a ex-primeira-dama foi citada por 15,4% dos entrevistados, tornando-se a figura feminina mais lembrada pelo eleitorado. A atual primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, aparece em segundo lugar, com 9%, seguida pela ministra do STF, Cármen Lúcia, com 4,5% das menções.

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O resultado indica que Michelle preserva um elevado nível de reconhecimento e influência política, mesmo após o vídeo em que criticou o herdeiro político de Jair Bolsonaro (PL). Ser a mulher mais lembrada espontaneamente do país indica que Michelle deixou de ser apenas “a esposa de Jair Bolsonaro”. Ela possui reconhecimento nacional e uma identidade política independente. Em pesquisas espontâneas, o recall costuma ser um bom indicador de capital político.

Para Flávio Bolsonaro, o resultado também traz uma mensagem relevante: mesmo após divulgar um vídeo com críticas ao senador, ela preserva seu prestígio junto ao eleitorado e segue como a principal liderança feminina da direita. Isso sugere que sua influência não depende de unidade familiar nem de um alinhamento circunstancial com Flávio Bolsonaro. Tal fato deve mantê-la como peça estratégica na definição dos rumos do campo pós-bolsonarista após a eleição de outubro. 

Vídeo teve pouco efeito sobre os números 

Na prática, porém, a divulgação do vídeo produziu mais repercussão política do efeito eleitoral. Embora tenha alcançado a maioria do eleitorado, os dados mostram que o episódio pouco alterou a disposição de voto. A maior parte dos entrevistados afirma que o conteúdo não mudou sua intenção de votar nem em Flávio Bolsonaro nem em Lula, indicando que a repercussão permaneceu concentrada no debate político e nas redes sociais, sem provocar mudanças relevantes nas intenções de voto.

Os dados aferidos na sondagem também indicam que, até o momento, as divergências públicas entre Michelle e Flávio Bolsonaro não foram suficientes para produzir fissuras no eleitorado bolsonarista. O vídeo preservou o protagonismo político da ex-primeira-dama, mas não enfraqueceu a competitividade eleitoral do senador. 

Em outras palavras, os eleitores parecem dissociar o conflito familiar da escolha eleitoral, mantendo praticamente inalteradas suas preferências para a disputa presidencial de 2026. O episódio ampliou a visibilidade do conflito, mas não produziu um custo eleitoral mensurável para Flávio Bolsonaro, o que tende a aliviar uma das principais preocupações de sua campanha nos últimos dias.

Na prática, Michelle continua sendo um ativo, não um passivo. Para Flávio, isso significa que uma eventual reaproximação poderia trazer mais benefícios do que prejuízos, já que Michelle continua influente junto ao eleitorado evangélico e feminino. Ao mesmo tempo, o fato de ela manter prestígio próprio limita sua capacidade de ignorá-la politicamente.

Declaração de Paulo Figueiredo sobre voto feminino

A pesquisa também avaliou a repercussão da declaração do influenciador Paulo Figueiredo de que “mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente as mulheres solteiras”. Os resultados mostram que a afirmação encontra ampla resistência entre o eleitorado geral. 60,6% dos entrevistados discordam do influenciador, enquanto 11,6% concordam e 7,7% dizem não concordar nem discordar. Outros 20,1% não souberam ou preferiram não responder.

A rejeição é particularmente elevada entre as mulheres, das quais 75,4% discordam da declaração. Entre os homens, a discordância é bem menos intensa, mas também é majoritária, alcançando 44,6%. Os dados sugerem que uma parcela considerável do eleitorado masculino concorda com a afirmação, não toma posição ou prefere não responder, indicando que esse tipo de discurso pode encontrar receptividade em segmentos específicos desse público e, por isso, ser explorado como estratégia de mobilização política.

O debate em torno dessa declaração também pode cumprir uma função política para além da campanha. Caso Flávio Bolsonaro obtenha um desempenho inferior ao alcançado por Jair Bolsonaro em 2022, esse argumento poderá ser mobilizado para atribuir parte da responsabilidade ao comportamento eleitoral das mulheres, deslocando o foco de fatores tradicionalmente associados ao resultado das eleições, como a estratégia de campanha, a qualidade das propostas e a capacidade dos candidatos de responder às principais demandas do eleitorado.

Sobre a pesquisa

O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 6 de julho de 2026 com 1.500 eleitores em todo o país. A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo Canal Meio S.A. e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05628/2026.

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