JOTA Principal: Novos atritos mantêm crise com Michelle pairando sobre Flávio Bolsonaro

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Flávio Bolsonaro aposta que a polarização vai diminuir os efeitos eleitorais da crise na sua relação com Michelle Bolsonaro — que não dá sinais de trégua (nota 1).

Enquanto isso, o governo lida com suas próprias dores: Alcolumbre trava a tramitação da PEC da escala 6×1 no Senado (nota 3), a previsão de inflação para este ano deve subir por causa do El Niño (nota 4) e a maioria dos brasileiros diz acreditar que o envolvimento de Jaques Wagner no caso Master vai atingir a campanha de Lula (nota 5).

Boa leitura.

O PONTO CENTRAL

1. Sem respiro

Michelle Bolsonaro mostrou ontem (1/7) que não deve dar trégua a Flávio Bolsonaro e compartilhou um vídeo que levou o enteado a dizer que ela está “desinformada”.

No vídeo compartilhado por Michelle, o ex-governador Anthony Garotinho diz que políticos “que defendem a família” estavam em uma festa de Daniel Vorcaro com mulheres vestidas de astronautas.
Flávio acusou Michelle de insinuar que ele participou da festa e disse que ela “está desinformada”.

Por que importa Michelle é uma das principais lideranças do campo bolsonarista e seu apoio é considerado importante entre o eleitorado evangélico e feminino, com o qual Flávio tem mais dificuldade, Marianna Holanda e Daniel Marcelino escrevem no JOTA PRO Poder.

A lavação de roupa suja e seus desdobramentos — como ataques da base, a saída de Michelle da liderança do PL Mulher, a declaração de Paulo Figueiredo sobre mulheres não saberem votar — são péssimos para a pré-campanha do senador.
Em 2022, a prevalência demográfica e o maior comparecimento fizeram com que o eleitorado feminino tivesse um peso cerca de seis pontos percentuais superior ao masculino na votação.
Já os evangélicos têm resistência a Flávio Bolsonaro desde o princípio. O bispo Robson Rodovalho disse, em junho, que o evangélico “perdeu a confiança no senador” por não falar a verdade sobre Vorcaro.

Sim, mas… O entorno do senador vem minimizando a crise. As pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg apontam que o senador parou de cair nas intenções de voto.

Flávio aposta na polarização para se salvar dos estragos.
A expectativa é de que, quando passarem as convenções — ou seja, quando o eleitorado perceber que os candidatos são Lula e Flávio — naturalmente haverá uma migração para o parlamentar.

UMA MENSAGEM DA TAKEDA BRASIL

Como impulsionar a transformação digital na saúde

Legenda: Oncologista Fernando Senra; executivo da saúde Cássio Ide Alves; cirurgião Hélio Calabria; cardiologia Luiz Henrique Pícolo Furlan / Crédito: Leo Orestes

Impulsionar a transformação digital na saúde envolve a promoção de tecnologia, interoperabilidade e o uso responsável de dados para qualificar decisões e melhorar a coordenação do cuidado. Essa conversa foi aprofundada nos dois dias de debates da 6ª edição do Blueprint for Success Brazil Summit, em São Paulo. Durante o encontro, especialistas destacaram que:

o uso de tecnologia e análise de dados, incluindo inteligência artificial (IA), contribui para um atendimento mais coordenado, eficiente e centrado no paciente; e
a integração de dados se torna essencial para superar a fragmentação do sistema e garantir uma jornada mais contínua e resolutiva.

2. Armado, mas não perigoso

Jair Bolsonaro / Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil – 14.set.2025

A Procuradoria-Geral da República se manifestou a favor da continuidade da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.

Desde março, o ex-presidente cumpre em prisão domiciliar sua pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O prazo para ele voltar para a cela na Papudinha se encerrou em junho.
Em parecer enviado ao STF ontem, o procurador-geral, Paulo Gonet, afirmou que a arma que Bolsonaro mantinha em casa não configura falta disciplinar — que poderia acabar com o benefício.
Gonet se manifestou após a Polícia Civil do DF concluir que não houve conduta irregular do ex-presidente e indiciar apenas o sargento do GSI com quem a arma foi apreendida.
O PGR defendeu que a arma, que Bolsonaro disse estar desativada, deve continuar sob custódia da PF.

Aliás… O ministro Alexandre de Moraes mandou a PF investigar o conteúdo dos celulares do advogado de Bolsonaro, Frederick Wassef, apreendidos na investigação sobre suspeita de desvio de joias recebidas da Arábia Saudita. O objetivo é apurar indícios de outro crime — mas o objeto dessa nova investigação está em sigilo.

3. Pé no freio

Alcolumbre em reunião sobre a PEC / Crédito: Pedro Gontijo/Senado Federal

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trava a PEC da escala 6×1 em meio a impasse na relatoria, apesar da pressão das ruas e das redes, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.

A 17 dias do recesso parlamentar, o cenário da PEC é bem diferente do que o governo esperava para o fim do semestre.
A proposta está parada há um mês no Senado, desde que foi aprovada por quase unanimidade da Câmara. Ela segue sem relator e tem chance próxima de zero de ser votada antes de agosto.

👀 Bastidores O presidente do Senado quer alguém “independente” ou distante do governo para relatar a proposta, diferente dos nomes sugeridos pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Alcolumbre é crítico à PEC e sua base no Amapá não tem reagido ao seu posicionamento, o que o deixa mais livre para o enfrentamento.

Sim, mas… Como presidente do Senado, Alcolumbre pode muito, mas não pode tudo: consegue imprimir ritmo lentíssimo à proposta, mas enfrenta pressão de colegas para mantê-la na agenda.

O governo dá sinais de que não quer vê-la aprovada a qualquer custo: para o Planalto, o teor final do texto importa mais que a pressa.
Há também cálculo eleitoral: o governo já colheu dividendos ao se associar à defesa da medida, enquanto o Centrão assume o desgaste de segurá-la no Congresso.

4. Sentindo o clima

Nuvens negras sobre cidade / Crédito: Getty Images

O governo deve elevar projeção de inflação para 2026, tendo o El Niño como principal fator de pressão, disse a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, em entrevista exclusiva ao JOTA. Assista à íntegra (no YouTube).

A projeção apontava para um IPCA de 4,5% em maio, mas deve ser revisada para cima na próxima atualização dos parâmetros do ministério.
O fenômeno impacta a inflação não apenas pela sazonalidade nos preços dos alimentos, mas também pela variação dos custos de energia, devido ao risco de seca e ao acionamento de bandeiras tarifárias mais restritivas.

5. Respingos

O senador Jaques Wagner / Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A maioria dos brasileiros diz que a investigação da PF que apontou relação do senador Jaques Wagner com o caso do Banco Master pode atingir Lula, Daniel Marcelino analisa no JOTA.

O dado é de um recorte da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgado hoje.
Quase seis em cada dez brasileiros que conhecem a investigação avaliam que seus efeitos atingem o presidente ou sua gestão.
E mais de 60% veem algum potencial de impacto sobre a candidatura de Lula.
Cerca de 71% afirmam ter acompanhado o caso de perto, enquanto outros 22,5% dizem ter ouvido falar.

🔭 Panorama As opiniões se dividem quanto aos principais responsáveis políticos pelo esquema.

Para 37,6%, os mais envolvidos são aliados de Lula; para 36%, aliados de Bolsonaro.
Outros 17,1% avaliam que os dois grupos estão igualmente implicados.

6. Consequências

O presidente dos EUA, Donald Trump / Crédito: Molly Riley/Casa Branca

O governo dos Estados Unidos anunciou ontem (1/7) sanções a dois brasileiros, três companhias brasileiras e uma empresa portuguesa devido à acusação de ligação com o PCC, Carolina Maingué Pires escreve no JOTA.

Essa é a primeira medida concreta do país desde que o Departamento de Estado americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais.

Por que importa A ação é um primeiro indício de quanta diferença a classificação fará de fato no combate ao crime organizado e na relação bilateral entre os países.

Há preocupação com a denominação diante do histórico dos EUA de usar o combate ao terrorismo como justificativa para interferência em outros países.
Ao mesmo tempo, há dúvidas sobre efeitos práticos no combate ao crime, já que o país costuma focar seus esforços no narcotráfico do México — os cartéis são os principais responsáveis por levar drogas aos EUA.

7. Mais tempo

O ministro Alexandre de Moraes / Crédito: Victor Piemonte/STF

Os ministros do STF derrubaram a parte da Lei de Improbidade Administrativa que previa a diminuição da prescrição de oito para quatro anos caso houvesse alguma interrupção no curso do processo, Flávia Maia escreve no JOTA.

Contudo, para evitar que as ações de improbidade se arrastem, foi estabelecido o prazo máximo de prescrição de 20 anos.
Esse foi o último item votado pelo tribunal entre os 16 questionados na Lei de Improbidade Administrativa.

Por que importa O prazo menor poderia gerar uma prescrição em série de ações de improbidade, segundo o voto de Alexandre de Moraes, que foi relator das ações ao lado de André Mendonça.

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