A crise na família Bolsonaro, aberta pelo vídeo em que Michelle critica Flávio, mostrou que o pré-candidato não pode dispensar o apoio da madrasta — muito menos relegar a atenção do eleitorado feminino. Agora é certo que o senador deve escolher uma mulher como vice.
A briga beneficia o PT ao tirar a atenção do envolvimento de Jaques Wagner no caso Master.
O presidente Lula anunciou ontem a senadora Teresa Leitão para assumir o posto de Wagner na liderança do governo no Senado.
Boa leitura e bom fim de semana!
O PONTO CENTRAL
1. Efeito Michelle
A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro expõe fragmentação no bolsonarismo e amplia a pressão pela escolha de uma mulher para concorrer como vice, Marianna Holanda e Daniel Marcelino escrevem no JOTA PRO Poder.
Por que importa As acusações de maus-tratos e desrespeito feitas por Michelle Bolsonaro contra Flávio Bolsonaro em um vídeo na quarta (24) fragilizam o pré-candidato com um grupo do eleitorado no qual sua rejeição já é alta: as mulheres.
O eleitorado feminino é hoje um dos principais ativos de Lula e ajuda a explicar sua vantagem nas pesquisas.
As mulheres representam cerca de 53% do eleitorado, o que, por si só, amplia o peso político desse segmento.
Além disso, as mulheres registram taxas de comparecimento às urnas superiores às dos homens, o que aumenta ainda mais sua influência sobre o resultado da eleição.
👀Bastidores O episódio gira em torno de uma briga pela vaga no Senado no Ceará e do apoio a Ciro Gomes (PSDB) para o governo. Mas o pano de fundo é uma disputa por espaço e protagonismo no espólio deixado por Jair Bolsonaro.
Aliados de Michelle dizem que o movimento da ex-primeira-dama foi uma forma de se posicionar, mais do que uma briga de família.
Com isso, ela mostrou que tem densidade para provocar dano à campanha do pré-candidato que, meses antes, disse que ela não entendia de política.
🔮 O que observar Já havia uma predileção pela escolha de uma mulher como vice de Flávio, mas essa possibilidade hoje é certeira.
O cenário ficou favorável para que Tereza Cristina (PPMS) abrace a missão.
UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL)
Gastos com segurança impactam nos custos da indústria
Crédito: Gilberto Sousa/CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta para os elevados custos que os investimentos em segurança têm causado para o setor. A percepção de que a violência e a proteção de ativos encarecem a operação no país é comprovada por uma pesquisa realizada recentemente pela CNI:
62% das indústrias relatam aumento nos custos finais por causa do gasto com segurança no transporte;
45% admitem que os investimentos gerais em segurança encarecem o custo final dos seus produtos.
“Ao invés de fazer investimentos em tecnologia e inovação, o empresário brasileiro precisa destinar parte de seus recursos para a prevenção de ilícitos, como contratação de seguros, segurança armada privada, escoltas”, destaca o assessor especial da CNI Cassio Borges.
2. Fixação
O ministro da Fazenda Dario Durigan / Crédito: Ministério da Fazenda
A tributação de títulos hoje isentos do pagamento de impostos — como LCIs e LCAs — deve voltar a ser proposta pela equipe de Lula em caso de reeleição do presidente, Fábio Pupo revela no JOTA PRO Poder.
A visão do governo é que o benefício a esses papéis provoca distorções que precisariam ser mitigadas.
Entre os economistas que defendem a medida está Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.
Ele afirma que a isenção é regressiva, distorce a alocação eficiente de recursos e entra em contradição com a política monetária, entre outros argumentos.
💲Panorama A última tentativa ocorreu sob o comando de Fernando Haddad na Fazenda, com uma medida provisória em junho de 2025.
Ela previa o fim da isenção de IR para LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures incentivadas, além dos dividendos de fundos imobiliários (FIIs) e fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais (Fiagros).
Haddad argumentava que os ativos continuariam incentivados, já que a nova alíquota de 5% seria menor que os 17,5% propostos para as demais aplicações.
Mas houve reações no mercado e no Congresso e o governo recuou.
3. Sem critérios
O ministro André Mendonça / Crédito: Luiz Silveira/STF
O ministro do STF André Mendonça suspendeu ontem (25) dispositivos que permitiam punir empresas que descumprissem as novas regras da NR-1, a norma regulamentadora sobre saúde mental e segurança no trabalho, Lucas Mendes escreve no JOTA.
Ficam suspensas autuações, multas, notificações punitivas ou outras medidas coercitivas relacionadas ao tema.
O ministro convocou uma tentativa de conciliação entre o governo federal, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), que entrou com a ADPF contra as mudanças, e “demais interessados”.
Por que importa As empresas vinham apontando há mais de um ano a insegurança jurídica gerada pela falta de critérios objetivos para a avaliação dos riscos psicossociais.
Mendonça entendeu que existem dúvidas legítimas sobre as condutas que as empresas podem tomar e quais práticas podem levar a punições.
⏩Pela Frente A determinação de Mendonça será analisada pelos demais ministros em sessão virtual do plenário entre 7 e 18 de agosto.
4. Rombo na Americanas
Fachada da Americanas / Crédito: Getty Images
A segunda fase da operação da Polícia Federal sobre as fraudes contábeis na varejista Americanas, deflagrada ontem, mirou executivos e a relação da empresa com bancos, Carolina Maingué Pires escreve no JOTA.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão contra executivos dos bancos Itaú, Santander e Bradesco e contra os acionistas de referência das Americanas Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann.
👀Bastidores A nova fase da operação teria relação principalmente com a colaboração premiada de Fábio Abrate, ex-diretor financeiro da empresa, que colocou os bancos no alvo da PF.
As principais suspeitas vieram das operações de risco sacado com as quais os bancos adiantavam pagamentos a fornecedores em nome da varejista, que ocultava essas dívidas em seus balanços, escondendo um rombo bilionário.
Investigações do comitê independente contratado pela Americanas e encerradas em 2024 jogaram luz sobre o problema.
Abrate foi apontado como um dos principais responsáveis por combinar com as instituições financeiras como as operações seriam ocultadas.
Sim, mas… A consultoria que representa o LTS, family office de Lemann, Telles e Sicupira, afirmou que as investigações conduzidas pela PF e pelo MPF indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da empresa.
O Itaú Unibanco, o Santander e o Bradesco afirmam que estão trabalhando com as autoridades desde o início das apurações.
5. Garantias
CCJ da Câmara ouve Zambelli em 2025 / Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil
A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou ontem (25) à Justiça da Itália novas informações para um segundo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, Lucas Mendes e Flávia Maia escrevem no JOTA.
O documento tem informações do STF sobre as garantias exigidas pela Itália para a extradição e a validade da condenação da ex-congressista.
O pedido é relativo à condenação de Zambelli, em agosto de 2025, por perseguir um jornalista na rua com uma arma, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
Ela foi condenada a mais de cinco anos de prisão em regime semiaberto.
🔭Panorama O primeiro pedido de extradição de Zambelli feito pelo Brasil era relacionado à condenação por invasão do sistema do CNJ e falsificação de um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
O pedido chegou a ser aprovado pela Justiça italiana, mas foi anulado neste ano pela Corte Suprema de Cassação do país.
Zambelli estava presa na Itália desde julho de 2025, após ter fugido do Brasil, mas foi solta depois da anulação.
Entre os argumentos da Corte italiana estavam dúvidas sobre a imparcialidade de Moraes.
6. ‘Surpresa positiva’
‘Close’ em uma cédula de real / Crédito: Pexels
O Banco Central revisou sua projeção de crescimento do PIB para este ano de 1,6% para 2%, Gabriel Shinohara escreve no JOTA PRO Poder.
Segundo o Relatório de Política Monetária divulgado ontem, a revisão é resultado de uma “surpresa positiva” na atividade do primeiro trimestre e de melhora nas perspectivas da indústria extrativa e agropecuária.
A revisão também considerou a expectativa de “maior dinamismo” da demanda interna e de setores mais sensíveis ao ciclo da economia “em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia”.
Aliás… O Conselho Monetário Nacional aprovou ontem o bloqueio, em até 24 horas, de contas de bets não autorizadas após notificação da Secretaria de Prêmios e Apostas.
A norma entra em vigor em 28 de agosto e regulamenta medida anunciada pelo governo na semana passada.
O conselho também decidiu sobre preços de garantia para a agricultura familiar, bancos ligados a bolsas e sublimites de crédito para estados e municípios.
OPINIÃO
7. IA nas eleições e mais
A advogada e professora de Direito Civil e Comercial na UnB Ana Frazão analisa o uso de influenciadores políticos sintéticos, criações de IA que não existem no mundo real, mas são apresentados nas redes sociais como cidadãos, ocupando o espaço público, apresentando demandas e conduzindo o debate. “A atual regulamentação eleitoral não endereça adequadamente o problema, o que vem gerando dúvidas e controvérsias sobre se e em que medida esses influenciadores sintéticos podem se manifestar politicamente e tentar interferir no debate eleitoral”, escreve a professora. Leia mais.
“A reforma tributária promete neutralidade, mas, no setor financeiro, a combinação entre novas alíquotas de IBS e CBS e limitações relevantes ao aproveitamento de créditos indica um provável aumento de carga tributária, além de introduzir significativa complexidade operacional durante a transição”, escrevem os advogados Flavio Mifano, Maria Fernanda Fidalgo e Tomás Machado de Oliveira, sócios do escritório Mattos Filho. Leia mais.
O diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Wadih Damous, afirma que a fragmentação na regulação da saúde gera excessiva judicialização e perda do poder de barganha do Estado e do setor suplementar frente a uma indústria farmacêutica globalmente articulada. “Dispomos de quatro instituições tecnicamente sólidas – Anvisa, CMED, Conitec e ANS –, cada uma dotada de mandato legal próprio, tradição decisória consolidada e quadros altamente qualificados. O gargalo não reside na competência individual dessas autarquias, mas na falta de articulação entre elas”, diz ele. Leia mais.