Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posicionaram nesta quinta-feira (16/4) de forma contraditória em relação à chamada taxa das blusinhas. No começo do dia, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou a jornalistas ser favorável à revogação da medida, que impacta na popularidade do presidente. Mais tarde, porém, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), disse que não há, neste momento, decisão do governo sobre o tema.
A taxa das blusinhas é uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas. A equipe econômica é favorável à medida, apesar de, nos últimos dias, integrantes do Executivo terem defendido a derrubada da cobrança.
Guimarães é um deles. Nesta quinta-feira, em café da manhã com a imprensa, o ministro afirmou em público algo que integrantes do governo vinham admitindo nos bastidores: a taxa é um dos principais fatores a contribuir para a impopularidade do presidente Lula.
O ministro soma-se, desta forma, ao ministro da Secom, Sidônio Palmeira, um dos principais defensores da queda da taxa dentro do governo. Guimarães afirmou nunca ter sido favorável à mudança. “Quando essa matéria foi votada [no Congresso] eu achava que ela não deveria ser aprovada. Foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa”, afirmou, durante café com jornalistas no Palácio do Planalto.
A fala, porém, foi contraposta por Alckmin, que afirmou, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, que “não há nenhuma decisão nesse momento sobre esse tema”. Segundo ele, mesmo com a cobrança, a tributação sobre importados ainda é inferior à enfrentada pela produção nacional.
Ao justificar a posição, o vice-presidente afirmou que a soma do Imposto de Importação e do ICMS ainda resulta em carga inferior à paga pela indústria brasileira. “Se você for somar 20% do Imposto de Importação, mais o ICMS dos estados, vai dar menos de 40 [%]. O produtor nacional paga quase 50 [%]”, declarou.
Ele acrescentou que a preservação do emprego deve ser considerada no debate: “É importante destacar o emprego. Preservar o emprego é o mais [importante]”.
Gasolina
Ainda durante café com jornalistas, Guimarães confirmou que o governo está discutindo uma maneira de subsidiar a gasolina, entre outras medidas que devem ser anunciadas em breve e que ele não detalhou.
Essa informação havia sido repassada a investidores pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e confirmada ao JOTA por fontes a par da conversa. Segundo Guimarães, a população não pode pagar o preço da guerra do Irã.