Além do estereótipo: a chave para o sucesso dos advogados in-company

Este artigo tem o objetivo de compartilhar algumas dicas de como atuar em cenários muitas vezes classificados como incompreensíveis ou inadmissíveis pelas advogadas e advogados. Algo que venho refletindo não só ao longo das duas décadas atuando em empresas multi e nacionais, mas aproveitando as capacitações que pude realizar em outras áreas de atuação, como aqueles voltados para estímulo à capacidade analítica, certificações Six Sigma e outros de desenvolvimento de mentalidade digital. 

O conteúdo que aqui apresento também, de alguma forma, remonta aos projetos que participei e liderei em conjunto com outras áreas do negócio, bem como reforça a importância da interdisciplinariedade na construção de carreira. Assim, seja em iniciativas voltadas à reestruturações de áreas ou até mesmo na criação de um chatbot de consultoria jurídica, acredite: toda experiência conta para a caminhada de desenvolvimento profissional rumo à cadeira executiva.  

Também com o apoio de outras situações vivenciadas e compartilhadas por colegas no mundo dos negócios, faço os primeiros questionamentos e reflexões. Como lidar com um cenário onde um bom profissional precisa se reinventar o tempo todo? O que poderíamos considerar mais importante para um advogado in-company e ser bem sucedido nesse contexto desafiador? Como ser flexível, estar atento às tendências, ser ágil e orientado por dados?   

Se sua aspiração é se tornar um advogado in-company de sucesso, é necessário ter em mente que o departamento jurídico precisa de profissionais dispostos a viver o futuro hoje.  

Consideremos o seguinte:  

Não existe jurídico sem tecnologia. O futuro do jurídico está de mãos dadas com as soluções de tecnologia. 
Explore amplamente todas as possíveis fontes de dados antes de definir sua estratégia. Transformar dados em conhecimento é o verdadeiro desafio para todo profissional, inclusive você! Se as gerações anteriores precisavam acompanhar tendências de jurisprudências, através de pesquisas manuais e isoladas, chegamos na era do data-driven. Surpreenda! Toda estratégia bem sucedida é embasada em dados.  
Adaptar-se é preciso. Flexibilidade é palavrachave para todo advogado. Aprender, desaprender e reaprender, adaptando-se rapidamente aos novos cenários é vital para o seu sucesso.

O primeiro passo, então, é compreender o quanto as áreas jurídicas perdem oportunidade de dar o suporte que as empresas precisam por não dominarem habilidades de #growth, #branding, #inovação, #tecnologia e #criatividade.  

Pode parecer contraditório, mas os advogados foram treinados a operar suas opiniões baseado nas leis, em jurisprudências e teses, assim como profissionais de marketing foram treinados a trabalhar baseados em relatórios e performance, e dados de campanhas digitais. Mas quando desafiados a apresentar um perfil criativo e data-driven, equipes jurídicas perdem a agilidade em cenários de mudanças tão frequentes quanto rápidas. 

Para isso é preciso construir uma rotina de atualização.   

Estamos numa era em que as empresas enfrentam um dos seus maiores desafios: a atualização constante.   

O notório saber jurídico, temos todos! Invista seu tempo na capacitação para desenvolver uma cultura dinâmica, comunicativa, colaborativa, cooperativa e criativa, sustentada na tomada de decisão oportuna e relevante, que impulsiona a capacidade da organização de superar a concorrência. De modo prático, sugiro que você pratique diariamente a leitura de conteúdo relevante para a área de atuação de sua empresa, leia newsletters e artigos de marketing, ouça podcasts e faça cursos de curta duração, especialmente, os relacionados ao digital mindset. Converse sobre o futuro da tecnologia, eficiência de custos, cultura organizacional, ESG e tudo mais que você e sua rede de networking considerarem relevantes.   

Antecipe seus conhecimentos em relação às tendências onde a sua empresa busca investir. A leitura de documentos e relatórios oficiais divulgados interna e externamente por sua organização e suas concorrentes precisa fazer parte de sua rotina. De novo, a palavra de ordem é “surpreenda”!  

O desafio para o advogado in-company é saber como injetar essas características na função jurídica, de forma a garantir que o departamento seja um condutor ativo do tipo de resiliência organizacional necessária, hoje e nos próximos anos.  

No livro Listening Brands – How Data is Rewriting the Rules of Branding(2015), JR Little, profissional de marketing de muitas empresas listadas na Fortune, afirma de modo brilhante que o megafone está nas mãos dos consumidores, e as marcas precisam ouvi-los constantemente para criar relevância e fazer parte de suas vidas”.  

Nós, advogados in-company, devemos ter esse mesmo mindset! Manteremos o rótulo de business partners ou iremos evoluir para atuar como part of the business, protagonistas na elaboração de um guia de risco de disrupção da organização?

Levante-se e sente-se em todas as mesas, de todas as áreas, de todos os times e grupos. Aproveite todas as ferramentas que estão em suas mãos. Se ainda não faz parte da sua rotina, adapte aquelas que já são sua prioridade e passe a integrar o network às suas atividades diárias.  

Pra finalizar, deixo algumas outras reflexões que acho que vale a pena compartilhar. São elas:  

Mudança de olhares. No passado, concentração, execução de autoria individual e volume de trabalho entregue eram critérios de desempenho e destaque. Recentemente, grupos multifuncionais, eficiência, metodologia ágil e recursos tecnológicos ocupam esse espaço.
Robotização. Há pouco tempo, afirmava-se, categoricamente, que os advogados jamais se renderiam aos robôs. O que explicaria, então, os chatbots de consultoria, ferramenta de jurimetria, automação de processos, fluxos e peças, inteligência artificial para análise de documentos e otimização de rotinas, dentre outros? É tempo de encararmos estes fatos e tirarmos proveito como aliados às nossas rotinas.
Não se pode generalizar a interpretação de uma profissão. Assim como o Marketing não é apenas o centro de lucro de uma empresa, o Jurídico não deve ser visto como o seu centro de custo. Ao contrário, dependendo da forma como seu departamento atua, você terá meios de vislumbrar hipóteses transformacionais.

Defina-se como um executivo corporativo e eleve sua contribuição para a sua empresa. Afinal, o advogado in-company existe para aconselhar equipes executivas, fornecer direção e informações que atendam às necessidades corporativas por longo prazo, e isso tem tudo a ver com você. Acredite!

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