Marco Rubio usa candidatura de Flávio Bolsonaro para se tornar vice-rei do Brasil

Marco Antonio Rubio é de fato o governador da América Latina nesta segunda presidência de Donald Trump, eleito em 2024 para comandar os EUA no período 2025-2029. Melhor dizendo, o atual secretário de Estado é o vice-rei para a região, pois o chefe de Estado americano tem claras pretensões autoritárias, que flertam, inclusive, com uma lógica monárquico-imperial, repudiada pelos pais fundadores do grande irmão do norte em nível doméstico, mas chancelada desde 1823 pela Doutrina Monroe para manter sob cabresto os povos ao sul do rio Grande.

Atualizada por Trump como “Doutrina Donroe”, na atualidade essa lógica só funciona com o apoio de lacaios latino-americanos. Em Terra Brasilis, o lacaio atende pelo nome de Flávio Nantes Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, mais conhecido como TariFlávio. Para os desavisados, cabe ressaltar que a sigla ainda significa Partido Liberal, embora após o novo tarifaço imposto por Washington a Brasília caia como uma luva à agremiação a alcunha de Partido dos Lacaios.

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Isso porque as tarifas-sanção de 25% decretadas por Trump contra o Brasil, que entram em vigor nesta quarta-feira (22/7) e foram anunciadas com fanfarra por Rubio nas redes sociais, têm o claro objetivo de colocar no Palácio do Planalto o senador como preposto da Casa Branca. Sua candidatura deve ser confirmada no próximo sábado (25/7), em convenção agendada para o estádio do Pacaembu, em São Paulo.

Cria-se a narrativa de que, nas palavras de Rubio, o atual presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou seu ego acima dos interesses nacionais e não negociou de boa-fé, como se fosse possível a qualquer chefe de Estado e governo minimamente ciente de seu papel aceitar as demandas americanas de abertura unilateral de mercados de alto valor agregado, como o setor químico, num cenário em que já acumulamos déficits sucessivos na balança comercial com os Estados Unidos.

Defender nossa soberania contra a desmedida pressão americana não equivale a endossar todo e qualquer ato do governo Lula 3, mas é condição sine qua non para que sobrevivamos como nação independente ao longo deste século, em que as disputas geopolíticas entre grandes potências têm o potencial de comprometer a autonomia e, portanto, a capacidade de desenvolvimento de atores médios como o Brasil.

Portanto, qualquer alternativa à direita para tirar Flávio Bolsonaro de um muito provável segundo turno contra Lula deve obrigatoriamente repudiar Trump e suas ambições neocoloniais. Caso contrário, se tratará de candidatura auxiliar do senador-lacaio e, portanto, do vice-rei Rubio, cujas garras já estão postas sobre a Venezuela desde o começo de 2026, quando forças militares americanas sequestraram o então ditador Nicolás Maduro sem derrubar o odioso regime que encabeçava.

Aliás, o caso venezuelano devia servir de lição à direita em geral, pois demonstra que, em vez de buscar parceiros ideológicos na América Latina, Trump quer governantes que sigam as ordens transmitidas por meio de Rubio, o qual dá as cartas de fato em Caracas. A ideologia torna-se um mero detalhe, um instrumento para mobilizar massas que, num mundo em transformação, estão inseguras sobre suas identidades e, portanto, lealdades.

Por exemplo, um brasileiro cristão (em particular das denominações evangélicas) deve demonstrar lealdade à pátria ou a uma suposta comunidade transnacional da qual Trump é o principal representante no contexto do reacionarismo defendido pela internacional de extrema direita que compreende nacionalistas brancos e religiosos?

Houvesse responsabilidade por parte de novas e velhas elites que se consideram conservadoras, a lealdade a forças estrangeiras seria carta fora do baralho da política nacional. No DNA dessas elites, está a repulsa a toda e qualquer narrativa que destaque o sincretismo da formação nacional. Elas se veem como europeus/ocidentais deslocados nestas terras.

Tal e qual o topo da pirâmide colonial, enxergam-se subordinados aos centros de poder do Norte. Sai Lisboa, entra Washington. Se nossas elites ainda quisessem passar por Harvard e afins, até haveria algo de positivo neste processo, mas em vez de formar bacharéis em Coimbra como era o caso das lideranças coloniais, hoje nossas lideranças mandam filhos alienados para a Disney e são emulados por uma classe média deslumbrada.

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O primeiro governador-geral nomeado por Portugal para comandar suas possessões nas Américas foi Tomé de Sousa, que ficou em Salvador entre 1549 e 1553, o equivalente à duração de um mandato presidencial contemporâneo. Os vice-reis surgiram apenas após o fim da União Ibérica, em 1640, com a restauração do trono português. Marcos de Noronha e Brito, o 8º conde dos Arcos, foi até agora o último ocupante do cargo, entre 1806 e 1808.

Caso Flávio Bolsonaro ou qualquer outro nome da direita entreguista vença as eleições, não será descabido colocar na galeria de vice-reis do Brasil uma foto de Marco Rubio, pretenso governante destas terras em nome “d’el Rey” Trump. E quanto a Flávio? Se vivo estivesse, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — nome que denota nobreza à primeira vista, mas que corresponde ao capanga-mor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — poderia formar com ele uma dupla: Lacaio e Sicário. É a foto que cabe ao senador neste latifúndio recolonizável.

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