PF mira executivos e relação de bancos com fraude na Americanas em nova operação

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou nesta quinta-feira (25/6) nove mandados de busca e apreensão contra acionistas e conselheiros da Americanas e executivos dos bancos Itaú, Santander e Bradesco. Foi determinado o sequestro de R$ 54 bilhões do patrimônio dos investigados. Entre os alvos da operação estão Carlos Alberto da Veiga Sicupira, acionista de referência da Americanas, e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, acionista de referência da Americanas.

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Os mandados fazem parte da segunda fase da Operação Disclosure, da Polícia Federal (PF), que investiga as fraudes contábeis envolvendo a varejista, descobertas em janeiro de 2023.

As principais suspeitas vieram das operações de risco sacado utilizadas pela companhia. Por meio deste tipo de operação, bancos adiantavam pagamentos a fornecedores em nome da varejista, que ocultava essas dívidas em seus balanços, escondendo um rombo bilionário.

Conforme uma fonte a par do assunto, a segunda fase da operação teria relação principalmente com a colaboração premiada feita por Fábio Abrate, ex-diretor financeiro da empresa, que colocou os bancos na reta da PF.

Investigações feitas pelo comitê independente contratado pela Americanas (que concluiu os trabalhos em 2024) jogaram luz às cartas de circularização, que eram documentos solicitados pelas auditorias para que os bancos confirmassem se havia ou não risco sacado envolvendo a varejista.

Abrate foi apontado como um dos principais responsáveis por combinar, com as instituições financeiras, como essas operações seriam ocultadas nas cartas de circularização enviadas.

Em comunicado, a PF divulgou que as apurações apontam indícios dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa.

Em nota, a Americanas informou que não foi alvo dos mandados de busca e que não teve conhecimento da segunda fase da Operação Disclosure. Disse ainda que “seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”.

Confira a lista dos alvos da operação desta quinta-feira (25/6)

Carlos Alberto da Veiga Sicupira, acionista de referência da Americanas
Eduardo Saggioro Garcia, conselheiro da Americanas
Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, acionista de referência da Americanas
José de Castro Araújo Rudge, executivo do Itaú
Gustavo Balassiano, ex-executivo do Itaú
Carlos Henrique Villela Pedras, executivo do Bradesco
André Juaçaba de Almeida, executivo do Santander
Alexandre Lian Abdo, executivo do Santander

O que dizem os acionistas

A consultoria que representa o LTS, family office de Lemann, Telles e Sicupira, afirmou em nota que “os acionistas de referência da Americanas foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 25 (Disclousure). As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Companhia. Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis. Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar”.

A nota representa os acionistas e conselheiros investigados.

O que dizem os bancos

Ao comentar a investigação contra membros e ex-membros de sua diretoria, o Itaú Unibanco disse que, “embora não seja investigado, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. As investigações oficiais já demonstraram que a varejista foi palco de uma das maiores fraudes corporativas do País. O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços. A instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista.”

O Santander afirmou que “está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações. A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações.”

Já o Bradesco informou que “acompanha e está à disposição das autoridades”.

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