O ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) será o vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. A decisão foi tomada após reunião comandada pelo presidente Lula no Palácio da Alvorada na quarta-feira (24/6), antes do jogo da seleção brasileira pela Copa do Mundo.
Nas redes socais, Haddad confirmou o entendimento entre PT e PSB e disse que o anúncio final de seu palanque em São Paulo ocorrerá ainda esta semana. As ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), apoiada pelo PSOL, deverão ser a candidatas ao Senado na chapa.
Com esse arranjo, o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, consolida seu palanque no maior colégio eleitoral do país, mas sem romper o isolamento da esquerda no estado. Deverão estar na coligação a ser oficializada em torno de Haddad, além da federação PT-PV-PCdoB, a federação PSOL-Rede e o PSB. O PDT ainda avalia qual rumo tomar.
A reunião comandada por Lula foi determinante para que França, ex-governador e um dos principais líderes do PSB em São Paulo, desistisse de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes sob pretexto de forçar a realização de um segundo turno no estado. A conversa foi acompanhada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
França também insistia em disputar o Senado, ainda que Lula tivesse escolhido Tebet para a vaga do PSB. A conversa do ex-ministro do Empreendedorismo com presidente, no entanto, serviu, segundo apurou o JOTA, para aparar as arestas que ainda permaneciam na relação entre as forças envolvidas na negociação e amenizar o clima de desconfiança nos bastidores da política paulista.
Em determinado momento do encontro, o próprio Haddad chegou a dizer que abriria mão de encabeçar a chapa em nome de uma composição que pudesse agregar todos os envolvidos em uma chapa. Marina Silva esteve próxima de ser indicada para vice, mas acabou prevalecendo o nome de França.
Além de fornecer um palanque para Lula, a principal missão da chapa será levar a eleição para o segundo turno em São Paulo diante do favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição e líder em todas as pesquisas de intenção de voto.
Desistências
No sábado passado (20/6), Kim Kataguiri (Missão) anunciou sua desistência. No dia seguinte, foi a vez de Paulo Serra (PSD). Ambos somavam entre 7% e 11% nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio dos Bandeirantes e disputavam uma fatia do eleitorado de centro-direita, assim como Tarcísio.
Sem esses dois pré-candidatos na disputa, aumenta muito, com base nos dados atuais mostrados pelas pesquisas, a chance de o governador ser reeleito no primeiro turno. Dessa forma, aumentará a pressão sobre Fernando Haddad para que ele começa demonstrar um crescimento mais vigoroso nas intenções de voto.
Conforme a legislação eleitoral, um candidato é eleito em primeiro turno quando obtém a maioria absoluta dos votos, excluindo os em branco e os nulos. As mais recentes pesquisas para o governo de São Paulo, com Serra e Kataguiri apresentados aos entrevistados como pré-candidatos, mostram Tarcísio obtendo taxas superiores a 40%, chegando a 45% em alguns cenários.
Enquanto se mantiverem como pré-candidatos, Serra e Kataguiri buscavam construir uma terceira via, historicamente determinante nas eleições paulistas. Em todas as disputas nas quais houve um segundo turno, ela foi forçada por três ou mais candidatos competitivos. Em 2022, além de Tarcísio e Haddad, havia o então governador, Rodrigo Garcia, que disputou votos no primeiro turno com o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes.
Portanto, sem Serra e Kataguiri, a provável tendência é de um aumento nas intenções de voto de Tarcísio, o que, praticamente, definirá a eleição na primeira fase em favor do governador.