TDAH: reconhecer para incluir, incluir para transformar

A aprovação do PL 4225/2023 pela Câmara dos Deputados representa uma vitória histórica para milhões de brasileiros com TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento. Mais do que aprovar uma lei, demos um passo importante para reconhecer pessoas que, durante décadas, foram invisíveis às políticas públicas.

Por trás de cada diagnóstico existe uma história. São crianças que ouviram que eram desatentas ou indisciplinadas. Jovens que enfrentaram dificuldades na escola sem receber apoio adequado. Adultos que passaram anos acumulando frustrações, sem compreender por que tarefas simples pareciam exigir um esforço muito maior do que para os demais.

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O TDAH não é falta de interesse, de dedicação ou de vontade. É uma condição real, que afeta milhões de brasileiros e pode gerar impactos significativos na aprendizagem, no trabalho, nas relações pessoais e na qualidade de vida.

Foi ouvindo famílias, profissionais da saúde, educadores e pessoas que convivem diariamente com esses desafios que nasceu o PL 4225. O objetivo sempre foi simples: garantir que ninguém seja deixado para trás por falta de compreensão, acolhimento ou oportunidade.

O projeto fortalece o acesso à educação inclusiva, amplia mecanismos de apoio e adaptação no ambiente escolar, incentiva o diagnóstico e o acompanhamento adequados e cria diretrizes para uma política nacional voltada às pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento. Também estabelece instrumentos para que casos de maior comprometimento funcional possam ser avaliados de forma individualizada, assegurando proteção e inclusão quando necessárias.

Um dos maiores desafios que enfrentamos hoje é o diagnóstico tardio. Milhares de brasileiros chegam à vida adulta sem nunca terem recebido orientação adequada. Muitos carregam marcas emocionais profundas por anos de cobranças, preconceitos e incompreensão. Democratizar o acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento é fundamental para mudar essa realidade.

Outro avanço importante é o fortalecimento da conscientização. Informação salva. Informação acolhe. Informação reduz preconceitos. Quanto mais a sociedade compreender o TDAH, menores serão as barreiras enfrentadas por quem convive com a condição.

Defender essa causa nunca foi sobre privilégios. É sobre garantir condições justas para que cada pessoa possa desenvolver seu potencial. Inclusão não significa tratamento diferenciado; significa oferecer oportunidades compatíveis com as necessidades de cada indivíduo.

O Brasil avançou muito quando passou a enxergar outras condições antes invisibilizadas. Agora chegou a vez de avançarmos também no reconhecimento e na proteção das pessoas com TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento.

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A aprovação na Câmara é uma conquista importante, mas ainda temos uma etapa pela frente. Esperamos que o Senado dê a mesma prioridade ao tema para que essa transformação chegue o quanto antes à vida das famílias brasileiras.

Reconhecer é o primeiro passo. Incluir é o caminho. Transformar vidas é o objetivo.

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