Instituições financeiras encaram duplicata escritural como prioridade estratégica, diz pesquisa

As instituições financeiras estão encarando a implementação da duplicata escritural como uma prioridade estratégica. Segundo a Pesquisa Duplicatas 2026, realizada pela Núclea, a fração de instituições que veem a mudança dessa maneira chegou a 82,3%. Os números foram antecipados ao JOTA.

A pesquisa qualitativa foi realizada pela Núclea, pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPadd) e pela consultoria Môre em fevereiro deste ano. Foram realizadas entrevistas estruturadas com 32 atores do mercado financeiro, como bancos, empresas e outras instituições financeiras.

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A duplicata escritural é um registro eletrônico de um título que representa um crédito a ser recebido por uma empresa, como uma fornecedora de produtos, e é usada como garantia em certas operações de crédito.  Seu processo de desenvolvimento começou com a Lei 13.775/2018 e vem sendo conduzido pelo Banco Central (BC).

Rafael Pedrão Dal Mas, superintendente executivo de Negócios da Núclea, avalia que os bancos estão vendo o projeto como uma oportunidade de ampliar seus negócios. Ele explica que o cliente poderá compartilhar informações sobre todas as duplicatas que tem — inclusive as que são negociadas com outras instituições financeiras —, e que isso pode gerar competição.

“Os bancos estão realmente trabalhando muito forte para poder sair na frente e conquistar, de repente, uma fatia do mercado que eles não têm hoje”, disse Dal Mas.

O BC marcou o lançamento da produção assistida do desenvolvimento do ecossistema de duplicatas escriturais para o dia 30 de junho. Na produção assistida, as operações de escrituração ocorrem em ambiente real, mas com um número limitado de instituições financeiras e empresas. Essa etapa acontece depois do período de testes realizados por três empresas, a Núclea, a B3 e a Cerc, que foi finalizada em maio.

Depois da produção assistida, a obrigação de escriturar as duplicatas começa a vigorar de forma escalonada entre grandes, médias e pequenas empresas. A escrituração é relevante para a segurança do processo, porque garante que a duplicata é única e não foi negociada anteriormente, por exemplo. 

Os resultados da pesquisa também mostraram que 5,89% das instituições financeiras veem a mudança como uma obrigação regulatória. Outros 11,76% enxergam a novidade como um misto de obrigação e estratégia.

Preparação

A pesquisa também questionou sobre o estado de preparação do mercado em relação à implementação das duplicatas. Os resultados mostraram que 6,66% dos respondentes estão aptos a participar da operação assistida, enquanto 46,7% estão parcialmente preparados e 20% estão em estágio inicial. Dal Mas, da Núclea, avalia que a preparação das empresas deve ocorrer a partir da etapa de produção. 

O executivo conta que tem percebido um aumento do conhecimento sobre o projeto de duplicatas escriturais entre as empresas nos últimos meses. No entanto, destacou que o maior desafio segue sendo o de explicar as mudanças. “Eu vejo que esse objetivo tem sido alcançado. Agora é mais mobilização, e a mobilização acontece à medida que as coisas forem entrando em produção”, afirmou.

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A coordenação entre os players e a tecnologia será o principal fator para determinar o sucesso do projeto, de acordo com a pesquisa. Cada um desses fatores foram mencionados 31,2% das vezes pelos respondentes.

A duplicata envolve uma cadeia de participantes: a empresa que faz a venda de produtos e quer antecipar o pagamento por meio de uma operação de crédito com a duplicata, a empresa que comprou o produto, a escrituradora que registra essa duplicata e a instituição financeira que concede o crédito. 

Em terceiro lugar, aparece “mudança cultural”, com 15,6% das respostas, seguido de “regulação”, com 12,5%. A comunicação ampla dos pontos positivos, a estrutura de mercado e a opção “todos acima” aparecem empatados em último lugar.

Os resultados da pesquisa ainda sugerem que os impactos na economia vão mostrar se o projeto foi bem sucedido. Para 63% dos entrevistados, o aumento do volume de crédito no mercado será o principal indicador de sucesso. Para 41%, a redução do custo de crédito é um dos efeitos esperados.

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