O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negou, nesta terça-feira (16/6), ter recebido qualquer quantia de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, após reportagem da Veja apontar um repasse de US$ 30 milhões por meio de uma conta no exterior. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), minimizou o fato de ter tido diárias de hospedagem pagas pelo ex-banqueiro durante viagem a Lisboa, em Portugal.
Segundo documentos da investigação da Polícia Federal (PF), Alcolumbre teria recebido cerca de US$ 30 milhões de Daniel Vorcaro por meio de uma conta no exterior.
O parlamentar classificou a reportagem como uma tentativa deliberada de calúnia e difamação. “Faço aqui um apelo aos senadores e senadoras desta Casa. Não podemos permitir que isso se torne uma prática normal no Brasil. Não podemos admitir que autoridades públicas, instituições ou qualquer cidadão sejam desmoralizados com base em fatos inventados e acusações sem provas.”
Alcolumbre concluiu afirmando que irá trabalhar para identificar e responsabilizar os autores do que chamou de “calúnias”.
No caso de Hugo Motta, documentos da PF apontam que o presidente da Câmara e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) tiveram diárias de hospedagem bancadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Lisboa, em junho de 2024.
Os parlamentares embarcaram para Portugal para participar do Fórum Jurídico de Lisboa, organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ciro Nogueira, inclusive, foi descrito como “um dos meus grandes amigos de vida” por Daniel Vorcaro.
“Os órgãos de fiscalização estão trabalhando. Eu tenho tranquilidade sobre as minhas relações e defendo que as investigações possam acontecer. Eu tenho muita tranquilidade com relação a isso. Não vejo problema nisso. Era um evento corporativo, encontro jurídico. Inclusive participei este ano já como presidente da Câmara, então não vejo problema algum”, declarou Hugo Motta.
Investigações
Nesta terça-feira (16/6), o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo dos documentos da investigação da Polícia Federal (PF) sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
De acordo com os relatórios, Vorcaro dava “tratamento privilegiado” a Ciro Nogueira, com pagamento de viagens do parlamentar ao exterior.
Em maio de 2024, o ex-banqueiro teria pago diárias no hotel Park Hyatt New York para Ciro Nogueira e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, os políticos participaram do evento LIDE Brazil Investment Forum.
No caso da viagem a Lisboa, em junho de 2024, Daniel Vorcaro teria orientado um auxiliar que precisaria de dois quartos na cidade para “Ciro e Hugo” e pediu cuidado com a privacidade e a segurança dos convidados. As reservas foram feitas no hotel Four Seasons e custaram cerca de R$ 18 mil, segundo informações da PF.
Já em janeiro de 2025, o ex-banqueiro teria bancado a viagem de Ciro Nogueira e da companheira dele, Flavia Roberta Rosalen, para Courchevel, nos Alpes franceses.