A nova pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (16/6) se soma a outras levantamentos que indica uma melhora simultânea dos indicadores políticos e eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento mostra avanço da avaliação positiva do governo, da aprovação do presidente e ampliação da liderança em todos os cenários testados para a eleição de presidencial deste.
Realizada entre os dias 11 e 15 de junho, a pesquisa ouviu 2.002 eleitores em todo o país por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04256/2026.
Lula volta ao saldo positivo de aprovação
O principal movimento da rodada foi a melhora da imagem do governo. A avaliação expressamente positiva da gestão federal subiu de 32,2% para 35,3%, enquanto a avaliação negativa recuou de 37,2% para 34,4%. É a primeira vez desde o fim de 2024 que o governo volta a registrar mais avaliações positivas do que negativas, encerrando um período em que a rejeição ao governo superava com folga os índices de apoio.
O mesmo movimento aparece na aprovação do presidente. A aprovação de Lula passou de 44,9% para 48,8%, enquanto a desaprovação recuou de 49,6% para 46,2%. Com isso, o presidente volta a registrar saldo positivo nesse indicador pela primeira vez desde o fim de 2024. A aprovação líquida é o principal indicador da viabilidade eleitoral de incumbentes que buscam a reeleição.
Sucessão presidencial
No plano eleitoral, os resultados desenham um cenário mais favorável para Lula do que o observado na rodada anterior, realizada em abril deste ano – antes da crise de imagem que abalou a campanha de Flávio Bolsonaro. O retrato do levantamento mostra que o presidente ainda governa em ambiente de opinião pública dividido, mas chega à metade de 2026 com indicadores em trajetória de recuperação e mantendo vantagem eleitoral diante de todos os adversários.
Na simulação estimulada de primeiro turno, Lula aparece com 41,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 28,2%. A diferença entre os dois alcança 13,6 pontos percentuais, a maior observada pela CNT/MDA desde o início da série. Atrás dos líderes aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 2,8%. Joaquim Barbosa (DC) soma 2,3%, Renan Santos (Missão) 2%, Michel Temer (MDB) 1,9% e Augusto Cury (Avante) 1,8%. Brancos e nulos representam 7% do eleitorado, enquanto 7,9% se declaram indecisos.
Em relação à rodada de abril, Lula avançou de 39% para 41,8%, enquanto Flávio recuou de 30% para 28,2%. O movimento ampliou a distância entre os dois principais candidatos e reforçou a posição do presidente como favorito na disputa.
Ao mesmo tempo, os nomes que se apresentam como alternativa à polarização seguem restritos a patamares inferiores a 5%, sem sinais de competitividade eleitoral.
Lula x Flávio Bolsonaro
Em um eventual segundo turno entre os dois principais nomes da disputa, Lula alcança 49,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36,8%. A diferença de 12,5 pontos percentuais é quase três vezes maior do que a observada na rodada anterior da pesquisa.
Em comparação com abril, Lula ampliou significativamente sua vantagem. O presidente passou de 45% para 49,3%, enquanto Flávio recuou de 40% para 36,8%. O resultado sugere que a melhora dos indicadores de avaliação e aprovação do governo vem sendo acompanhada por um fortalecimento da posição eleitoral de Lula, ao mesmo tempo em que o principal nome da oposição perde terreno.
O levantamento também aponta um eleitorado mais definido nessa etapa da disputa. Apenas 2,7% dos entrevistados se declaram indecisos, enquanto 11,2% afirmam que votariam em branco ou nulo.
Além de ampliar a vantagem, o petista volta a se aproximar da marca de 50% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio registra seu pior desempenho na série da CNT/MDA. O movimento reforça a condição de favorito de Lula e sugere que, neste momento, a dinâmica da disputa está sendo mais determinada pelo fortalecimento do presidente do que pelo crescimento de alternativas fora da polarização.
Terceira via continua sem tradução eleitoral
A pesquisa também revela que o desejo por uma alternativa à polarização permanece expressivo. Para 65% dos entrevistados, o fortalecimento de uma terceira via é importante ou muito importante. O percentual permanece próximo ao observado em 2022, indicando que a demanda por renovação política continua presente mesmo diante da consolidação da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O paradoxo é que, apesar desse espaço potencial, nenhuma candidatura alternativa conseguiu até agora converter essa demanda em competitividade eleitoral. Assim como em levantamentos anteriores, a maior parte das intenções de voto permanece concentrada nos dois polos da disputa.
Outro dado relevante é a percepção da polarização. Apenas 17% consideram que ela é benéfica ao país, enquanto 33% a enxergam como prejudicial. Ao mesmo tempo, quase metade dos entrevistados afirma que a eleição de 2026 está tão polarizada quanto as disputas recentes, sugerindo que o eleitorado se acostumou à dinâmica de confronto entre os dois campos políticos.