Bom dia!
Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo para o fim da guerra e a reabertura do estreito de Ormuz, que deve acontecer em até 30 dias. Depois do anúncio, Donald Trump assistiu às lutas do UFC no quintal da Casa Branca. As bolsas de valores subiram no mundo todo e houve queda no preço do petróleo.
Ainda que o fato diminua a pressão inflacionária em todo o mundo, o governo ainda lida com um cenário em deterioração, com previsão de alta do IPCA e o mau humor do mercado, com a mediana de expectativas para a Selic passando de 12,25%, no início do ano, para 13,75% na edição do Focus divulgada hoje (15). O Copom se reúne nesta semana.
Até quando a Lei Eleitoral permitir, Lula protagonizará eventos que possam render votos. Assim que voltar da cúpula do G7, na França, o presidente tem marcados anúncios, inaugurações e viagens em ritmo acelerado pelas duas semanas seguintes, quando a propaganda pelo governo fica proibida.
Letícia Mori colaborou nesta edição.
Boa leitura e boa semana.
O PONTO CENTRAL
1. Esquenta
O governo Lula corre para anunciar medidas de apelo popular e fazer inaugurações antes do período de restrição eleitoral que limita a publicidade pelo governo a partir de 4 de julho, Fábio Pupo e Fabio MuraKawa escrevem no JOTA Pro Poder.
O presidente tem programadas diversas viagens pelo Brasil a partir de quarta (17), quando volta da cúpula do G7 na França.
Lula deve ir a Mato Grosso para entregas do Minha Casa Minha Vida na sexta e, no mesmo dia, seguir para Minas Gerais, para eventos relacionados à saúde e à educação.
Também há previsão de visitas ao Rio de Janeiro, a Pernambuco e Alagoas até o fim do mês.
Uma amostra do ritmo acelerado foi vista em dois eventos consecutivos no Planalto, na sexta (12).
Dezenas de entregadores foram ao palácio para o lançamento de uma linha de crédito para motociclistas de aplicativos.
No mesmo dia, um grupo numeroso de convidados chegou para um lançamento do Minha Casa, Minha Vida.
Uma nova fase do Desenrola, para ajudar brasileiros a sair da inadimplência, também deve ser anunciada até o fim do mês.
💲Panorama: Com o esgotamento dos lançamentos, as preocupações do mercado com o uso do Tesouro Nacional nas iniciativas também podem perder força.
Economistas estimam que o conjunto de pacotes e benefícios do governo chegou a R$ 200 bilhões.
Mas os movimentos mais recentes têm mostrado contenção: os R$ 2,5 bilhões para o crédito para motos vão usar saldos já existentes em fundo público.
A nova fase do Desenrola pode ser feita sem aportes adicionais da União, embora ainda seja possível usar até R$ 2 bilhões.
UMA MENSAGEM DO SINDICOM
O verdadeiro custo do combustível
Crédito: Getty Images
O setor de distribuição costuma estar no centro do debate sobre os reajustes de combustíveis, mas a realidade financeira mostra que a margem bruta das distribuidoras equivale a apenas cerca de 5% do valor final na bomba. Esse foco desvia a atenção dos fatores estruturais que realmente encarecem o produto.
A maior parte do custo é determinada por uma combinação de fatores voláteis, além de:
peso expressivo da carga tributária e encargos, que variam de 24% a 45% do preço pago pelo consumidor;
oscilações constantes do câmbio e do mercado internacional de petróleo;
um mercado interno competitivo, que atua como um regulador natural para manter a eficiência e as margens sob controle.
Saiba mais sobre os fatores que influenciam no preço final dos combustíveis.
2. Distância ampliada
Flávio Bolsonaro / Crédito: Lucas Aguayo Araos/Anadolu via Getty Images
A quarta rodada da pesquisa BTG/Nexus mostra que a melhoria de cenário para Lula é gradual, porém consistente, Daniel Marcelino analisa no JOTA PRO Poder.
A pesquisa divulgada hoje (15) mostra que Lula subiu de 40% para 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 35% para 33%.
Com isso, a vantagem do presidente passou de cinco para nove pontos percentuais, o maior intervalo registrado até o momento.
Nenhum dos outros candidatos consegue se aproximar dos líderes — somados, Lula e Flávio concentram 75% das intenções de voto.
A inclusão de novos nomes no questionário não alterou de forma significativa o quadro.
Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem com 4%, enquanto Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) registram 2%.
Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza) têm 1% cada.
A rejeição de Flávio subiu de 50% para 52%, enquanto a de Lula se manteve estável (47%). A aprovação do governo Lula também cresceu, de 47% para 50%.
Outro dado relevante é o grau de consolidação do eleitorado.
Entre os eleitores de Lula, 81% afirmam que seu voto já está decidido e não deve mudar até a eleição, índice que é de 77% para Flávio Bolsonaro.
Isso indica que ambos possuem bases relativamente cristalizadas.
3. Em busca da ‘chave de ouro’
O senador Paulo Paim / Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado
O fim da escala 6×1 é o principal tema para o Congresso no momento, tanto na Câmara como no Senado.
O PL do governo sobre redução de jornada de trabalho será votado na terça na Câmara e é o único tema previsto para esta semana.
A proposta está travando a pauta desde 30 de maio, e o governo se recusou a retirar a urgência, deixando o presidente da Casa, Hugo Motta, sem alternativa.
No Senado, Paulo Paim, autor da PEC mais antiga sobre o assunto, trabalha para o avanço da matéria.
A aprovação do fim da 6×1 seria uma forma de fechar seu último mandato com “chave de ouro”.
Eleito pela primeira vez em 2002, o senador do PT ligado a causas trabalhistas afirma que não concorrerá novamente, apesar das boas chances que teria de obter uma vitória.
“Eu tô entre Câmara e Senado há 40 anos, quatro mandatos de deputado federal e três de senador. Entendo que é chegada uma hora em que tu tem que passar o bastão para as gerações mais novas”, disse Paim em entrevista a Maria Eduarda Portela, no JOTA.
4. Happy Birthday, Mr. President
Donald Trump recebeu convidados na Casa Branca / Crédito: Evan Vucci/Pool/Getty Images
Horas após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo preliminar para dar fim à guerra, Donald Trump foi a estrela do UFC Freedom 250, realizado em frente à Casa Branca no dia de seu aniversário de 80 anos.
Por que importa: Trump prometeu que o fim do conflito, que ocorreu com mediação do Paquistão, manterá o estreito de Ormuz aberto de forma “permanente”.
Os preços do petróleo recuaram no mercado asiático logo após o anúncio, ainda na noite de ontem (14).
Em uma conversa de cerca de meia hora com jornalistas, Trump agradeceu Vladimir Putin e Xi Jinping por não interferirem, registra o New York Times (sem paywall).
O tema deverá pautar a reunião do G7, na França, para onde o presidente americano embarcou também na noite de ontem (14).
5. Propósito renitente
O presidente do STF Edson Fachin / Crédito: Rosinei Coutinho/STF
O ministro Edson Fachin abriu três frentes para pensar uma reforma do Judiciário: o Código de Ética, o sistema remuneratório da magistratura — e, agora, o grupo de trabalho para a modernização da Justiça, Flávia Maia escreve no JOTA.
Por que importa: O presidente do Supremo Tribunal Federal pretende assumir a dianteira dos debates, que chegaram a ser deslocados para outros Poderes da República e, ao que se desenha, deve ser pauta eleitoral em 2026.
Com a criação de um grupo de estudos para debater uma ampla reforma no Judiciário, Fachin agiu de forma diferente do início da discussão sobre o Código de Ética.
Para evitar oposição entre os pares, o presidente conversou com ministros e pediu sugestões de nomes para compor o grupo de estudos.
A relatoria coube ao desembargador federal Ney Bello, que tem a simpatia de Gilmar Mendes e Flávio Dino.
O ex-advogado-geral da União Jorge Levi também está no grupo e foi peça importante no Tribunal Superior Eleitoral presidido por Alexandre de Moraes.
Rodrigo Mudrovitsch, atual presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, também é ligado a Gilmar.
🔮 O que observar: Entre idas e vindas, Fachin quer manter o objetivo de reformar o Judiciário conforme o dito desde a sua posse como presidente do STF.
Para ele, é necessário enfrentar a elevada taxa de congestionamento processual, o excesso de litigiosidade, a dificuldade no acesso à justiça, a fragmentação institucional e mudanças no sistema de recursos a decisões judiciais.
Fachin não desistiu do Código de Ética, que está sob a relatoria de Cármen Lúcia, mas aprendeu que a pior oposição é a interna e, por isso, na proposta de modernização do Judiciário, optou por consultar os pares para evitar dissabores.
Aliás… O TSE instituiu uma comissão permanente que vai ficar responsável por organizar e regular o uso de ferramentas de IA pelos órgãos da Justiça Eleitoral.
Uma das primeiras atribuições do grupo será a elaboração de um plano para o uso da IA nas instâncias administrativas e judiciais dos tribunais eleitorais.
A comissão também ficará responsável por fixar diretrizes para uso “seguro, ético, responsável e transparente” da IA e por definir requisitos, critérios e condições para sua contratação, compra ou desenvolvimento. Leia mais.
6. R$ 18 trilhões e uma divergência
O ministro do STF Flávio Dino / Crédito: Victor Piemonte/STF
Flávio Dino rejeitou parte do plano apresentado pela União para a reestruturação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e cobrou mais agilidade para a redução do estoque de processos da autarquia, Flávia Maia registra no JOTA.
Para o ministro, existe um “caos administrativo”, que causa “severos prejuízos ao país”, como o escândalo do Master e o uso do mercado financeiro pelo crime organizado.
💰 Panorama: A CVM supervisiona valores superiores a R$ 18 trilhões.
O magistrado não aceitou, por exemplo, a meta de redução do estoque de processos em 20% proposta pela União e deu cinco dias para o estabelecimento de um novo patamar.
De acordo com os dados anexados no processo, o acervo do colegiado corresponde a 160 processos, dos quais 80 estão pendentes de julgamento.
Somam-se ainda cerca de 1,5 mil processos pendentes de triagem.
No plano da União, ela adotou o quantitativo de 1.031 processos — ou seja, diferente do ministro.
Diante da divergência, ele deu 30 dias para a revisão do acervo.
AGENDA BSB
7. PEC do BC e mais
Após a aprovação da PEC da autonomia financeira do Banco Central na CCJ do Senado, o governo pediu uma semana para tentar avançar em um acordo antes de votá-la em plenário. Porém, como nesta semana o Senado funcionará em regime semipresencial, os senadores apostam em votação apenas na semana que vem.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede uma entrevista ao vivo ao JOTA na sexta (19), às 11h. O chefe da equipe econômica do governo falará sobre as condições da economia brasileira e sobre o impacto de fatores globais no cenário doméstico. Leia mais.
A quarta reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2026 acontecerá amanhã (16) e quarta-feira (17) em meio a incertezas sobre o cenário econômico e a condução dos juros. Embora as expectativas coletadas para o relatório Focus apontem para um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano, existem dúvidas sobre a possibilidade da continuidade no restante do ano do ciclo de reduções iniciado em março, quando a Selic estava em 15% ao ano. No início do ano, a mediana de expectativas do Focus era de que a Selic terminasse 2026 em 12,25% ao ano, projeção que passou para 13,75% na última edição.
A Comissão de Educação e Cultura do Senado deve analisar amanhã (16) o PL 4.594/25, que regulamenta o trabalho de jovens no ambiente digital. O projeto, com mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente, estabelece normas de produção de conteúdo audiovisual na internet. A relatora, senadora Leila Barros, propõe que ao menos 20% da remuneração seja colocada em uma conta poupança em nome da criança ou do adolescente.
A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) deve analisar na quarta (17) o PL 1.833/24, que proíbe a reprodução de voz e imagem por meio de IA generativa sem autorização prévia, em especial para fins comerciais ou publicitários. A relatora, senadora Ivete da Silveira, argumenta que a proposta tem como objetivo garantir a proteção e a segurança jurídica de personalidades, além de combater abusos tecnológicos.
A 1ª Turma do Supremo analisa amanhã (16) o caso do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, réu por coação no curso do processo. O julgamento foi marcado por Flávio Dino, após o caso ser liberado pelo relator Alexandre de Moraes. De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o parlamentar usou uma rede de contatos com integrantes do governo dos Estados Unidos para constranger a atuação do STF na investigação sobre a tentativa de golpe e na ação penal em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado.