A sexta rodada da pesquisa Genial/Quaest realizada em 2026 indica uma melhora do ambiente político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento mostra o petista com 39% das intenções de voto no primeiro turno, dez pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 29%, além de uma vantagem de seis pontos em uma eventual disputa de segundo turno (44% a 38%).
O dado mais relevante da rodada, porém, está na movimentação do eleitorado independente. Entre os entrevistados que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo, Lula avançou de 29% para 37%, enquanto Flávio recuou de 31% para 24%. Como esse segmento tende a ser decisivo em eleições polarizadas, a mudança sugere uma ampliação da capacidade do presidente de atrair votos para além de sua base tradicional.
Aprovação do governo
A melhora do desempenho eleitoral de Lula ocorre em paralelo a uma recuperação moderada da avaliação do governo. A aprovação chegou a 47%, empatando tecnicamente com a desaprovação, de 48%. Embora o saldo ainda não seja positivo, o resultado reforça a percepção de que o período mais difícil para o governo pode ter ficado para trás.
Os dados sugerem que medidas econômicas recentes ajudaram a sustentar essa melhora. O programa Desenrola aparece como um dos principais vetores: 71% afirmam que a iniciativa fez diferença significativa ou provocou alguma melhora em sua situação financeira. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a percepção de um noticiário mais favorável ao governo também contribuíram para o avanço da aprovação presidencial.
Do lado da oposição, a pesquisa aponta um desgaste relevante para Flávio Bolsonaro. O episódio envolvendo negociações com o empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, teve repercussão amplamente negativa. Para 65% dos entrevistados, Flávio errou ao solicitar o financiamento. Além disso, 58% acreditam que ele pode estar ocultando informações sobre o caso Banco Master, enquanto 62% consideram que ele tinha conhecimento de possíveis irregularidades envolvendo Vorcaro.
Estados Unidos
A atuação internacional do senador também divide opiniões. Quase metade dos entrevistados (47%) acredita que o encontro de Flávio com o presidente americano Donald Trump influenciou a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como organizações terroristas. Embora exista amplo apoio à classificação das facções como terroristas, a maioria teme impactos econômicos negativos decorrentes das medidas adotadas por Washington.
O embate narrativo entre governo e oposição sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos também favorece Lula. A pesquisa mostra que 47% concordam com a versão do presidente de que Flávio teve influência sobre a decisão norte-americana, enquanto 35% acreditam na versão do senador.
Resultado semelhante aparece na discussão sobre as motivações das tarifas: 46% concordam com a interpretação de Lula de que a medida representa uma retaliação relacionada ao PIX, ante 36% que apoiam a explicação apresentada por Flávio.
Em conjunto, os resultados sugerem uma combinação favorável ao presidente: melhora gradual da avaliação do governo, fortalecimento entre os eleitores independentes e desgaste da principal liderança oposicionista testada pela pesquisa. Embora a disputa permaneça competitiva e distante da definição, os números desta rodada indicam que, neste momento, os ventos sopram mais a favor do Palácio do Planalto do que da oposição.