Ação contra Ciro e revés de Messias turbinam estratégia para tirar Caso Master do colo de Lula

A operação desta quinta-feira (7/5) que alvejou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) reforça a estratégia esboçada há meses pelo Palácio do Planalto para blindar Lula no Caso Master. Ela ocorre dias depois de o Senado rejeitar o nome de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma ação com todas as digitais do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e suspeitas quanto a uma parceria com Alexandre de Moraes, além do próprio senador do Piauí.

A narrativa propagada por integrantes do Planalto e governistas no Congresso foi a de que o conluio contra o advogado-geral da União teve como objetivo evitar a ascensão ao Supremo de mais um ministro ao time de André Mendonça, relator do inquérito que investiga as fraudes cometidas pelo banco comandado por Daniel Vorcaro.

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Essa narrativa ganha força com a exposição de Ciro. Em um contexto de Executivo enfraquecido pela captura do Orçamento pelo Congresso, uma base parlamentar frágil e popularidade em baixa, integrantes do governo admitiam que Lula dispunha de poucas armas para reagir à humilhação imposta pelo Senado ao seu governo na semana passada.

Mas essas mesmas fontes insinuavam, desde a semana passada, que o contra-ataque poderia vir de forma indireta. Não é possível afirmar com todas as letras que a operação policial contra Ciro Nogueira faça parte do esperado revide do governo. Mas dá para dizer, com base em relatos de bastidor, que parte dessa reação poderia vir de dentro da Polícia Federal. Há, inclusive, quem defenda a transferência de Messias da AGU para o Ministério da Justiça, ao qual a instituição é subordinada.

No último fim de semana, uma fonte do Planalto disse ao JOTA que o governo não tem ingerência sobre investigações da PF. Mas pode “orientar” a corporação a “dar mais ênfase ao combate a crimes financeiros, como o Caso Master”. Como diria o cantor e apresentador de TV Ronnie Von em uma expressão que se tornou clássica: “Significa”.

Ciro na berlinda

Ciro foi ministro da Casa Civil entre 2021 e 2022, quando Jair Bolsonaro decidiu terceirizar seu governo para o Centrão. O próprio Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi gravado dizendo que o senador piauiense “tem todas as credenciais” para ser vice em sua chapa.

O vídeo, feito em entrevista à “Folha de S.Paulo” no ano passado, está sendo ressuscitado agora nas redes pela esquerda. Nos bastidores, dizia-se que Ciro tinha poucas chances de ser o escolhido para a vice, uma possibilidade que agora cai a praticamente zero. Mas ele já estava atuando a pleno vapor na pré-campanha do filho 01 do ex-presidente.

E, embora os bolsonaristas mais ferrenhos já tenham passado a atacar o Centrão nas redes como um “câncer”, é difícil dissociar Ciro Nogueira de Flávio Bolsonaro. Nas últimas horas, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), começou a propagar o slogan “BolsoMaster” nas redes. O deputado gaúcho e outros petistas também reforçaram os pedidos pela instalação de uma CPMI do Master no Congresso, como já vinham fazendo desde a votação da última quinta no Senado.

Quem ganha um respiro com tudo isso é Lula, em um momento de imensa dificuldade. A sensação difusa de corrupção — somada ao histórico de envolvimento de governos do PT com episódios como o Mensalão e o Petrolão — está no cerne das dificuldades do petista para alavancar sua popularidade com a eleição dobrando a esquina.

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