“Sabe aquela história… Amor à primeira vista? Aquele negócio da química? É isso que aconteceu, e eu espero que continue assim”, disse Lula a jornalistas na Embaixada do Brasil em Washington, após o encontro com Donald Trump na Casa Branca.
Ainda que não tenha gerado resultados concretos, a reunião ao menos parece ter deixado ambos os lados satisfeitos, sem descortesia por parte do presidente americano — um dos temores no entorno brasileiro.
“Eu sempre acho que a fotografia vale muito”, Lula admitiu. “Vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”, continuou, bem-humorado. “E eu fiz questão de dizer para ele: ‘Ria. Ri um pouco…’ É importante, alivia, alivia a nossa alma se a gente rir um pouco.”
A exploração de minerais críticos, principal pauta de interesse dos Estados Unidos na relação, entrou na conversa — e Lula deixou claro que busca investimentos também de outros países. “Eu acho que o Brasil está preparado, o Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto.”
Enquanto isso, em Brasília, a Polícia Federal chegou à porta de Ciro Nogueira mais rápido do que o mundo político esperava, e o entorno de Flávio Bolsonaro busca desvinculá-lo dessa amizade tóxica.
Letícia Mori colaborou nesta edição.
Boa leitura.
1. O ponto central: Quem quer rir, tem que fazer rir
Sem acordos concretos, Brasil e Estados Unidos concordaram apenas com as cenas do próximo capítulo da novela da relação bilateral, Vivian Oswald escreve no JOTA.
A boa notícia é que ambos parecem ter saído satisfeitos, e que Donald Trump manteve o clima cortês, a despeito de certo temor no entorno de Lula.
A má notícia é que, embora não houvesse expectativa de assinatura de acordos, muitos imaginavam que os dois dariam um passo mais largo adiante.
De concreto, o que houve após as pouco mais de três horas de encontro entre os dois foi a criação de novos grupos de trabalho para discutir itens-chave da relação.
Lula e Trump deram ainda 30 dias para que suas equipes técnicas tentem resolver as pendências comerciais e tarifárias.
E não falaram em detalhes da investigação comercial sob a Seção 301, que deve ser concluída em breve.
Lula entregou novamente ao americano, por escrito, em inglês, como fez questão de ressaltar, um conjunto de propostas brasileiras.
Deixar de fazer ofertas aos Estados Unidos seria não entender a dinâmica atual da Casa Branca, segundo fontes ouvidas pelo JOTA.
“É preciso oferecer business para eles”, disse esse interlocutor.
Entre as propostas, aparece, pela primeira vez, o tema dos minerais críticos.
Lula ressaltou, em entrevista à imprensa, ter deixado claro que o Brasil quer investimentos dos Estados Unidos e de outros países — e que não tem preferências, desde que a exploração inclua beneficiamento no território brasileiro.
O presidente também disse ter esclarecido ao americano que “qualquer plataforma de qualquer país do mundo pode operar no Brasil sob a regulamentação soberana do Brasil”.
Mas destacou que “era necessário vir aqui para dizer isso”.
🔮 O que observar: O encontro olho no olho, negociado desde novembro passado, serviu para reafirmar a “suposta proximidade”, manter canais abertos e prometer desdobramentos, além de uma espécie de cronograma de trabalho.
Como sinal político, foi um gesto importante para fora e para dentro.
Mas, a essa altura do campeonato, a expectativa era de algo mais concreto.
Lula mandou recado à oposição: disse que poucos acreditavam que a sua relação com Trump poderia acontecer tão depressa.
Falou em “amor à primeira vista” e “aquele negócio da química”…
…mas volta para casa com novas promessas.
UMA MENSAGEM DO MATTOS FILHO
Lei antifacção amplia riscos corporativos no combate ao crime organizado
A Lei nº 15.358/2026 redefine o enfrentamento das facções no Brasil, com efeitos que vão além do campo penal. A norma desloca o eixo da tutela penal: o foco deixa de ser a associação criminosa e passa a ser o exercício de poder estruturado, com capacidade de domínio territorial, econômico e institucional. Setores como financeiro, seguros, logística e apostas esportivas (este último expressamente referenciado na lei) passam a exigir atenção redobrada à exposição a estruturas de poder ilícito.
“A lei impõe às empresas uma leitura substantiva de suas relações comerciais: identificar beneficiários finais ocultos, estruturas opacas e vínculos economicamente incoerentes deixou de ser cautela recomendável para se tornar linha de defesa indispensável”, afirma Paula Indalecio, sócia da prática penal empresarial do Mattos Filho.
O novo marco facilita o sequestro e o bloqueio de ativos digitais, a suspensão de atividades econômicas e a intervenção judicial em empresas utilizadas para dissimular recursos ilícitos, além de prever o perdimento extraordinário de bens mesmo sem condenação. O risco de contaminação patrimonial, reputacional e penal é concreto. “Quem administra uma empresa precisa, hoje, conseguir demonstrar que enxergou os pontos de vulnerabilidade antes das autoridades — e que agiu. Essa capacidade de antecipação é o que separa a diligência da omissão penalmente relevante”, destaca Indalecio.
2. Toc, toc, toc
Ciro Nogueira (à esq.) na Mesa Diretora do Senado, com Davi Alcolumbre (à dir.), na sessão que rejeitou Messias / Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
Dias após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo, a Polícia Federal bateu à porta do senador Ciro Nogueira por envolvimento com o Master, Marianna Holanda, Flávia Maia e Fabio MuraKawa escrevem no JOTA PRO Poder.
Ele estava sentado à Mesa Diretora do Senado, ao lado de Davi Alcolumbre e do líder da oposição, Rogério Marinho, no dia da derrota histórica.
🔭 Panorama: A dobradinha entre o diretor-geral da Polícia Federal da Lula, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, do STF, pôs o presidente do PP — um dos principais nomes do centrão — na mira do escândalo.
A ação já estava na conta do mundo político, que sempre soube da proximidade do dirigente com Daniel Vorcaro, algo escancarado pelas mensagens obtidas pela PF.
Ainda assim, não deixou de surpreender por sua rapidez.
Um dos principais efeitos práticos da decisão de Mendonça foi expor Ciro e sua relação íntima com Vorcaro.
Em 36 páginas, o ministro destacou a mesada de R$ 300 mil (que depois subiu para R$ 500 mil) e os luxos de Ciro mantidos por Vorcaro.
Em troca, a apresentação de projetos redigidos dentro do Master sem qualquer tipo de alteração.
Ciro e Mendonça foram colegas de Esplanada no governo Bolsonaro, mas pertenciam a diferentes grupos políticos.
Além disso, a atuação do senador pela rejeição de Messias também colocou-o em polo oposto ao do magistrado, que trabalhou intensamente pelo AGU — e ao lado de Alcolumbre, que quase derrotou Mendonça na sua indicação, em 2021.
A operação é comemorada por petistas, que brincam com a inusitada “aliança” com o ministro indicado por Bolsonaro.
Para aliados de Lula, arrastar o centrão para o olho do furacão é uma maneira de reforçar a proximidade com o adversário Flávio Bolsonaro — e produzir o efeito colateral de tirar o escândalo do colo do presidente.
A estratégia vem sendo traçada nos últimos dias pelo entorno do presidente e sua pré-campanha, e agora vem sendo dita de forma bem articulada por Brasília.
No Planalto, a orientação inicial foi para que integrantes do governo não se manifestassem, a fim de evitar a associação do governo com a operação policial contra um rival político, ordem que não foi seguida à risca.
O ministro Guilherme Boulos recuperou um vídeo do ano passado em que o senador Flávio Bolsonaro diz que Ciro tem “todas as credenciais” para ser seu vice na futura chapa presidencial.
3. Amizade tóxica
Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho e Ciro Nogueira na sessão do Senado que rejeitou Messias / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro buscam afastá-lo da operação e do aliado, Holanda, Maia e MuraKawa prosseguem na análise.
Aliados dizem que Ciro não faz parte do grupo, apesar de apoiá-lo, e que agora uma eventual coligação seria mais benéfica para o próprio investigado do que para o senador do PL.
Claro, ainda não recusam tempo de TV, mas veem a federação Progressistas–União Brasil enfraquecida.
Por que importa: O grupo pleiteia a vice na chapa — possibilidade que fica fragilizada diante dos últimos acontecimentos, segundo aliados do presidenciável.
A avaliação é de que mais pode vir da PF.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por sua vez, defende a legenda: “Sem problemas com o PP. Vamos aguardar as investigações”.
A avaliação no entorno é que a ofensiva contra o presidente do PP deve continuar, e outros dirigentes do Centrão devem entrar na mira também.
Aliados de Flávio Bolsonaro buscam rebater a narrativa criada pelos adversários, alegando que há indícios de vínculos do PT da Bahia com o Master.
Alguns apontam ainda que a fila deve andar rápido com Mendonça.
Um integrante da campanha do presidenciável do PL diz que vai ser assim até a eleição: cada dia, um dia um pedaço do outro, afirmou.
Flávio divulgou uma nota sobre o episódio desta quinta-feira, tomando cuidado para não deixar o amigo na chuva, mas tampouco para ser acusado de tentar protegê-lo.
“Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração”, disse.
Essa manifestação cuidadosa, no entanto, teve outra interpretação por parte do campo adversário.
No governo, a avaliação é que ninguém saiu em defesa de Ciro Nogueira, que se tornou uma figura radioativa.
4. Desenrola mais
O secretário de Reformas Econômicas, Régis Dudena / Crédito: Matheus Itacaramby/Ministério da Fazenda
O Ministério da Fazenda estuda a possibilidade de a nova fase do Desenrola incluir outros grupos além dos informais, público sinalizado nos últimos dias como alvo da próxima etapa da iniciativa, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
Apesar de a proposta não estar fechada, a pasta considerou na planilha inicial um universo amplo de pessoas que podem ser beneficiadas com a nova rodada do programa de renegociação.
A iniciativa pode resultar, para ao menos parte dos contemplados, em juros máximos mais baixos do que os da rodada já anunciada, de 1,99% ao mês.
🔭 Panorama: O secretário de Reformas Econômicas, Régis Dudena (foto), disse ao JOTA que o ponto de partida da pasta é resolver a vida de quem tem o maior percentual da renda comprometida com dívidas.
“Adimplentes de baixa renda e adimplentes sem vínculo formal são grupos que parecem que precisarão de uma atenção”, afirma.
Para formular a nova fase, ele diz que foram colocados na mesa todos os tipos de pessoas.
“Quando a gente fez a planilha, a ideia incluia olhar o universo, todas as pessoas. E aí depois você vai vendo ‘manchas de calor’, onde estão os casos mais urgentes, que precisam ser cuidados com mais celeridade. Onde aloco melhor o meu recurso no primeiro momento.”
“O informal tem dificuldade de acessar crédito barato, como consignados. Ele não tem FGTS para amortizar sua dívida. Então, eventualmente, ficou fora de parte da primeira fase do Desenrola”, afirma. “Esse é um público que precisa ser olhado.”
⏩ Pela frente: Além da próxima etapa do Desenrola, a Fazenda planeja para este ano novas medidas para o mercado de crédito.
Uma delas é a regulamentação do uso do FGTS como garantia do consignado privado, prevista para julho, segundo o ministro Luiz Marinho (Trabalho).
Também segue no radar a norma que exige dos bancos um alerta ao consumidor que estiver contratando crédito consignado com juros acima do mercado.
A iniciativa se somaria a outra, adotada recentemente, que passou a limitar as taxas dessas operações.
5. ‘Excepcionalizações’
O presidente da Câmara, Hugo Motta / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
Hugo Motta confirmou ontem (7) a intenção de deixar a regulamentação de particularidades de alguns setores produtivos para um projeto de lei, e não para a PEC sobre o fim da escala 6×1, Mariah Aquino registra no JOTA PRO Poder.
“Talvez tenhamos que usar o projeto de lei para fazer essas excepcionalizações, levando em consideração a particularidade de cada setor”, disse o presidente da Câmara.
Eleito pela Paraíba, ele participou em João Pessoa, ao lado de membros da comissão especial, da primeira audiência nos estados realizada pelo grupo.
⏩ Pela frente: Motta também afirmou que deixar de votar a PEC “não está em questão” e ressaltou a intenção de votar a proposta na comissão especial e em plenário ainda em maio, com a possibilidade de aprovação no Senado ainda no primeiro semestre.
“Tenho dito aos setores com os quais tenho conversado que apostar na não votação é a certeza de que eles vão se decepcionar.”
“É muito melhor sentar à mesa e negociar o texto.”
6. Il Gattopardo
A ministra Cármen Lúcia durante julgamento sobre distribuição de royalties do petróleo / Crédito: Gustavo Moreno/STF
A ministra Cármen Lúcia votou para que os pagamentos de royalties de petróleo fiquem restritos aos estados e municípios produtores, proibindo a redistribuição dos recursos para os não produtores.
Logo em seguida, o julgamento foi interrompido pelo pedido de vista do ministro Flávio Dino, Flávia Maia registra no JOTA.
Dino afirmou que não se sentiu confortável em votar porque vê “zonas de penumbra” que ele precisa entender.
🐆 Panorama: Por enquanto, continua válida a liminar dada há 13 anos pela relatora Cármen Lúcia, que suspendeu dispositivos da lei 12.734/12 e derrubou a redistribuição dos recursos com os demais entes da federação.
Durante o voto, a ministra enfatizou que o petróleo é um “bem finito e exaurível” e contextualizou que a descoberta do pré-sal alterou a dinâmica de cidades e estados, não somente quanto à arrecadação, mas também quanto aos riscos ambientais e sociais, com impactos nos serviços públicos.
Na avaliação da ministra, a Constituição assegura participação ou compensação financeira aos entes atingidos pela exploração de petróleo, gás natural e outros minerais, em terra ou no mar.
Para ela, o modelo federativo busca compensar os riscos de estados e municípios.
Por isso, não pode haver distribuição obrigatória, igualitária e exata dos recursos provenientes das riquezas naturais.
Embora a ministra entenda que o Congresso possa regulamentar a divisão dos royalties, em sua visão, a Casa não pode alterar o modelo federativo imposto pela Constituição.
7. E o Tarcísio, hein?
O governador paulista, Tarcísio de Freitas / Crédito: Paulo Guereta/Governo de São Paulo
O governador paulista saiu na frente e, enquanto seus adversários ainda mantêm indefinidas suas chapas, montou o time principal para concorrer à reeleição, Beto Bombig escreve no JOTA PRO Poder.
O arranjo final contempla a família Bolsonaro, o prefeito Ricardo Nunes, os deputados estaduais de sua base e Valdemar Costa Neto, o dirigente máximo do PL.
Acima de tudo, a chapa de Tarcísio e seus agregados mantém coesa a centro-direita em São Paulo e confirma o isolamento do PT no maior colégio eleitoral do país.
Em linhas gerais, ela une expoentes do antigo MDB — como o ex-presidente Michel Temer — ao bolsonarismo e a egressos do PSDB e do malufismo (grupo histórico formado em torno de Paulo Maluf).
Por que importa: Tarcísio de Freitas montou uma das maiores frentes eleitorais do campo conservador de centro-direita no estado, em uma grande demonstração de força política.
Nem o PSDB conseguiu tal feito, pois em todas as eleições para o governo que os tucanos disputaram desde 1994 eles enfrentaram ou o malufismo (1994, 1998, 2002 e 2010) ou o MDB (2006, 2014 e 2018) como representantes mais à direita.
Em 2022, o próprio Tarcísio e Vinícius Poit (Novo) ocuparam esse espaço.
Outra forma de agradar o clã Bolsonaro foi a desidratação gradativa do poder de Gilberto Kassab, ex-secretário de Governo e presidente do PSD, que ficou fora da chapa.
Dias antes do anúncio final de Tarcísio, na terça (5), Kassab disse que Jair Bolsonaro governou o país “sem nenhuma vocação para a vida pública” e ficou “muito aquém da expectativa dos brasileiros”.
Sim, mas… Peça fundamental na vitória de Tarcísio em 2022, Kassab tem afirmado que trabalhará pela reeleição, ainda que alguns de seus aliados avaliem serem apenas manifestações “protocolares”.
Em outros termos, Kassab não ficou satisfeito e esperará o momento certo para “dar o troco”.
Também há dúvidas sobre o empenho do dirigente do PSD na campanha eleitoral.
Nesse ponto, a despeito de eventuais mágoas, toda a base do PSD — incluindo as centenas de prefeitos — deverá se engajar na reeleição de Tarcísio porque enxerga nele o novo líder do enorme eleitorado conservador no estado.
8. Opinião: Comissão de Ética no STF e mais
“Apresentamos ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, na qualidade de professores de Direito Constitucional da Universidade Federal do Paraná, uma Nota Técnica que propõe a criação de uma Comissão Autônoma de Ética no âmbito do STF”, Vera Karam de Chueiri e Miguel Gualano de Godoy escrevem em artigo no JOTA. “A proposta é direta: dar concretude e operacionalidade ao Código de Ética anunciado pelo ministro Fachin e atualmente sob relatoria da ministra Cármen Lúcia”, explicam. “Diferenciar crítica de ataque é essencial: quem analisa criticamente e propõe soluções institucionais contribui para o tribunal. Quem apenas o ataca fragiliza a própria democracia.” Leia a íntegra.
A partir da rejeição de Jorge Messias para o Senado, José Andrés Lopes da Costa escreve sobre “o impacto da manutenção de um plenário incompleto, por período prolongado, sobre o estoque de contencioso judicial tributário e sobre o contencioso que se formará daqui em diante”. “Esses efeitos são bastante relevantes”, ele argumenta. “A questão central reside no fato de que o empate produz consequências distintas conforme a classe processual considerada, e três delas concentram a parte mais sensível do contencioso tributário: a ADI, a ADC e o RE com repercussão geral.” Leia a íntegra.
“Poderia o presidente do Senado adiar uma nova sabatina até depois das eleições?”, questiona David Sobreira. O professor de Direito Constitucional faz um paralelo com a indicação de Merrick Garland à Supremo Corte dos Estados Unidos por Barack Obama, em 2016, após a morte do conservador Antonin Scalia. “Ao receber o nome de Garland, o senador Mitch McConnell, líder do Partido Republicano na Casa, fez algo inédito: recusou-se a realizar a audiência de confirmação — ou rejeição — do candidato ao cargo”, relembra. Leia a íntegra.