Tarcísio une bolsonaristas, malufistas, MDB e ex-tucanos em frente ampla de centro-direita

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) saiu na frente e, enquanto seus adversários ainda mantêm indefinidas suas chapas, montou o time principal para concorrer à reeleição em São Paulo. O arranjo final contempla a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), os deputados estaduais de sua base e Valdemar Costa Neto, o dirigente máximo do PL.

Acima de tudo, a chapa de Tarcísio e seus agregados mantém coesa a centro-direita em São Paulo e confirma o isolamento à esquerda do PT no maior colégio eleitoral do país. Em linhas gerais, ela une expoentes do antigo MDB, como o ex-presidente Michel Temer, ao bolsonarismo e a egressos do PSDB e do malufismo (grupo histórico de direita formado em torno do ex-governador Paulo Maluf).

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Assim, o atual governador montou uma das maiores frentes eleitorais de centro-direita no estado, em uma grande demonstração de força política. Nem o PSDB, que comandou São Paulo entre 1995 e 2022 (com pequenas interrupções), conseguiu tal feito no primeiro turno, pois em todas as eleições para o governo que os tucanos disputaram desde 1994 eles enfrentaram ou o malufismo (1994, 1998, 2002 e 2010) ou o MDB (2006, 2014 e 2018) como forças conservadoras. Em 2022, o próprio Tarcísio e Vinícius Poit (Novo) ocuparam esse espaço.  

Com Felício Ramuth (MDB) de vice, Guilherme Derrite (União-PP) e André do Prado (PL) para o Senado, Tarcísio fortalece a aliança responsável pela vitória de Nunes em 2024 contra Guilherme Boulos (PSol), então candidato a prefeito do presidente Lula (PT). Naquela eleição, o MDB de Temer, veterano do partido, o próprio governador do estado e o PL de Valdemar Costa Neto se uniram para formar o núcleo duro da campanha do prefeito. Dois anos depois, com a bênção da família Bolsonaro, esse arranjo foi replicado na disputa pelo governo. 

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro,  segundo filho de Jair Bolsonaro, atualmente morando nos Estados Unidos, deverá ser o primeiro suplente de André do Prado, afilhado político de Valdemar Costa Neto e representante dos deputados estaduais na chapa. O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) foi consultado sobre o desenho final do time e deu seu aval. Importante também lembrar que Derrite possui relação estreita com o ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar, e com o restante da família.

Kassab fora

Outra forma de agradar o clã Bolsonaro foi a desidratação gradativa do poder de Gilberto Kassab, ex-secretário estadual de Governo, que ficou fora da chapa. Recentemente, poucos dias antes do anúncio final de Tarcísio, feito na última terça-feira (5/4), o presidente nacional do PSD disse que Jair Bolsonaro governou o país (2019-2022) “sem nenhuma vocação para a vida pública” e ficou “muito aquém da expectativa dos brasileiros”.  

Peça fundamental na vitória eleitoral de Tarcísio em 2022, Kassab, no entanto, tem afirmado que trabalhará pela manutenção do governador por mais quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes, ainda que alguns de seus interlocutores e aliados avaliem serem essas declarações apenas manifestações públicas “protocolares”.

Em outros termos, Kassab não ficou satisfeito e esperará o momento certo para “dar o troco” no governador. Também há dúvidas sobre o empenho do dirigente do PSD na campanha eleitoral. Nesse ponto, porém, a despeito de eventuais mágoas, toda a base de seu partido, incluindo as centenas de prefeitos do interior, deverá se engajar na reeleição de Tarcísio porque enxergam nele o novo líder do enorme eleitorado conservador no estado.

Egressos e evangélicos

Enquanto se distanciava de Kassab ao longo de seu primeiro mandato, Tarcísio foi se aproximando do ex-governador Rodrigo Garcia, egresso do antigo PFL e do PSDB, e foi responsável por sua filiação ao Republicanos. Junto com ele, o ex-deputado federal Vaz de Lima, evangélico e liderança forte na região de São José do Rio Preto, outro ex-tucano, também entrou no partido do atual governador.

Esses dois movimentos foram validados pelo deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, o que, automaticamente, mantém o parlamentar como um expoente dos evangélicos na política paulista.

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Tarcísio também foi habilidoso ao lidar com Valdemar Costa Neto, que insistiu para filiar o governador ao PL e, vez ou outra, ameaçava sair da aliança diante das negativas do mandatário. O dirigente partidário é filho de Valdemar Costa Filho, que foi um importante aliado de Paulo Maluf. O próprio Valdemar Costa Neto passou pela Arena, o partido de sustentação do regime militar e origem da carreira pública de Maluf.

Em São Paulo, o PP (antigo PPB) está intimamente ligado a Paulo Maluf. Um de seus parentes, Albertinho Maluf, que se autointitula “sobrinho” do ex-governador, anunciou que será candidato a deputado federal pelo partido na coligação formada em torno de Tarcísio de Freitas.

Petistas e outras forças de centro

No campo oposto ao do governador, o PT, que tem Fernando Haddad como pré-candidato ao governo, ainda não definiu a chapa. Falta escolher quem será o vice e anunciar os nomes que concorrerão ao Senado. Por ora, as alianças da esquerda estão restritas, principalmente, aos petistas, ao PSB, à Rede e ao PSol, o que confirma o isolamento eleitoral de Lula em São Paulo, distante dos partidos tradicionais de centro.   

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), ex-prefeito de Santo André, também são apontados como pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes e ocupam o campo da centro-direita. No entanto, ainda há dúvidas se eles entrarão mesmo na disputa com candidaturas próprias.

Um dos movimentos da ampla frente de centro-direita montada em torno de Tarcísio é feito no sentido de convencer os tucanos a desistirem da candidatura própria e aderirem à reeleição do governador. No caso de Kataguiri, ele estaria avaliando a possibilidade de concorrer à reeleição para a Câmara dos Deputados.

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