Uma pesquisa encomendada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR) à consultoria de opinião Quaest mostra que a proposta do governo Lula de fixar uma taxa mínima para entregas por aplicativo enfrenta rejeição na população e pode elevar o ruído no debate em pleno ano eleitoral. O levantamento foi realizado entre 13 e 16 de março com 1.031 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de três pontos percentuais.
O assunto já é amplamente conhecido: 87% dizem acompanhar a discussão sobre regulamentação do trabalho por apps, e 76% já ouviram falar da proposta de taxa mínima.
A avaliação é majoritariamente negativa: 71% rejeitam a medida e 78% acreditam que ela encareceria os pedidos. Sinal de que, para o consumidor, o custo é o principal fator de resistência.
O impacto percebido também é desigual e socialmente regressivo: 86% avaliam que os mais pobres seriam os mais prejudicados, e 71% dizem que não estão dispostos a pagar mais caro por entregas, o que indica risco de retração na demanda.
No pano de fundo, a política pesa
A rejeição é quase total entre eleitores de direita (97%), enquanto a esquerda apoia (84%). O dado mais relevante está no meio: 83% dos independentes também rejeitam a proposta, um grupo decisivo em disputas competitivas como a deste ano.
Ou seja, mesmo com alta visibilidade, a proposta enfrenta resistência transversal, especialmente quando associada a aumento de preços, o que amplia seu potencial de impacto no debate eleitoral.