Aliados de Flávio defendem adiar apresentação de propostas após alta nas pesquisas

O viés de alta deu algum conforto à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Até há poucas semanas, aliados
defendiam a apresentação das diretrizes de um plano de governo, com
propostas sobre política fiscal, por exemplo, ou segurança pública. Agora o
discurso mudou.

Uma ala do entorno do senador defende que ele adie a apresentação das
propostas. A avaliação é de que não precisa ter pressa. A ideia inicial era que
as diretrizes servissem como espécie de carta de apresentação do candidato
ou carta de compromisso, algo que pudesse ajudar, inclusive, a atrair um
eventual ministro da Fazenda. Mas há um entendimento de que se apresentar
neste momento pode criar um teto de vidro desnecessário.

As últimas pesquisas consolidaram Flávio como candidato, antecipando algo
que adversários – e até parte dos aliados – acreditavam que só ocorreria mais
adiante. Ele já aparece empatado com Lula em alguns levantamentos, num
cenário de segundo turno. A leitura na pré-campanha é que a rejeição tende a
cair, porque o eleitorado mais de centro vai diferenciá-lo do pai – este sim com
grande rejeição.

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Para não estragar a boa notícia das pesquisas, a ideia é reduzir a exposição
para que ele não amplie a rejeição nem perca votos. Este é um efeito possível
da publicização de um programa econômico liberal – apesar de ter boa
ressonância na Faria Lima, não traz votos. Ao contrário do pai, que se expunha
muito em movimentos políticos mal calculados, cada gesto, publicação e
discurso de Flávio é discutido com assessores e aliados mais próximos.

A prioridade, neste momento, é a montagem de chapa e definição de
palanques nos estados. Se ele apresentar as propostas no fim do mês, é mais
tempo de teto de vidro para adversários criarem e organizarem discursos
críticos às propostas.

Um exemplo do que eles querem evitar foi o efeito da entrevista do
coordenador de campanha Rogério Marinho (PL-RN) à Folha de S.Paulo, na
qual disse querer revisitar as reformas da Previdência e trabalhista. Nas redes
sociais, adversários exploraram as falas como um compromisso com nova
reforma e disseram que é um ataque aos trabalhadores.

Munição para adversários

Outro ponto que o entorno de Flávio busca evitar a todo custo é uma nova crise
entre Estados Unidos e Brasil. Na avaliação de auxiliares do pré-candidato,
essa é uma armadilha criada pelo petismo para retomar o discurso de
soberania – algo que ajudou Lula a retomar sua popularidade no ano passado.

O presidente anunciou, na sexta-feira (13/3), que tirou o visto e proibiu a
entrada no país de Daren Beattie, conselheiro do presidente Donald Trump. Lula
disse que devolveria a autorização, quando os Estados Unidos autorizassem a
liberação do visto do ministro Alexandre Padilha, da Saúde.

Beattie viria ao Brasil se encontrar com autoridades brasileiras e participar de
um fórum de minerais críticos em São Paulo. Ele também pediu permissão ao
Supremo Tribunal Federal (STF) para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na
prisão. Inicialmente, foi autorizada a visita por Alexandre de Moraes, depois
revogada após fala do Itamaraty.

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O chanceler Mauro Vieira classificou o encontro como “indevida ingerência nos
assuntos internos do Estado brasileiro”.

Após a decisão de Moraes, uma parte dos bolsonaristas começou a defender a
retomada de sanções contra o magistrado e o empresário Paulo Figueiredo
falou sobre essa possibilidade nas redes sociais. No passado, ele e Eduardo
foram os responsáveis por articular junto às autoridades americanas sanções
contra produtos e autoridades brasileiras.

O movimento, contudo, levou a um efeito rebote na política nacional. Não
apenas o Congresso não aprovou a anistia, como pleiteava Eduardo, como Lula
conseguiu articular um discurso enfático contra interferência externa e em
defesa da soberania brasileira.

Para eles, esta foi uma emboscada desenhada por aliados do petista, num
momento de preocupação com as pesquisas. Por isso, houve um movimento
no bolsonarismo de colocar água na fervura para evitar que se esticasse a
corda, ocasionando novas sanções. Flávio quer se manter fora de polêmicas
daquelas que não dão, apenas tiram votos.

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