Ao reduzir a velocidade para passar por uma lombada em uma rua do Grajaú, no extremo sul de São Paulo, um motorista que transportava carne foi surpreendido por dois homens armados que surgiram de lados opostos da via. Em poucos segundos, os criminosos cercaram a van. Um deles abriu a porta e empurrou o motorista para o banco do meio. O outro entrou na cabine e abaixou o boné do ajudante de entregas, que o acompanhava na viagem, para impedir que ele visse o trajeto percorrido pelos assaltantes. Os dois foram mantidos sob vigilância enquanto os criminosos assumiam o controle do veículo.
Para preservar suas identidades, o JOTA optou por utilizar nomes fictícios nesta reportagem. Aqui, os trabalhadores serão chamados de Carlos, Marcos e Renato. Os três atuam há mais de 20 anos no transporte de mercadorias e fazem entregas frequentes na região metropolitana de São Paulo, além de rotas regulares para o interior e o litoral do estado.
Eles trabalham na chamada distribuição urbana de mercadorias, utilizando veículos menores – geralmente vans ou utilitários como Fiorino – que facilitam a circulação em áreas densamente povoadas. Em cada viagem, transportam entre uma e uma tonelada e meia de produtos, principalmente carnes destinadas ao abastecimento de supermercados, açougues e restaurantes.
Pelo valor agregado e pela facilidade de revenda, esse tipo de mercadoria é considerado carga de alto risco no setor logístico. Por isso, os veículos utilizados nas entregas contam com sistemas de rastreamento, que permitem às empresas acompanhar em tempo real o deslocamento da carga e auxiliar nas investigações policiais após o crime.
No episódio envolvendo Carlos e Marcos, os criminosos assumiram o controle do veículo e conduziram os trabalhadores até outro ponto da cidade enquanto a mercadoria era retirada da van. Nenhum dos dois ficou ferido.
“A ordem deles é não mexer nas coisas do trabalhador. Eles querem só a mercadoria”, relatou uma das vítimas ao JOTA.
Situação semelhante ocorreu com um terceiro colega. Renato foi vítima de dois roubos recentes – o primeiro em dezembro de 2025 e o segundo neste mês, com praticamente a mesma abordagem.
Assim como nos outros episódios, o motorista foi liberado após o descarregamento da carga e não sofreu agressões físicas. Em todas as ocorrências, os trabalhadores registraram boletim de ocorrência e prestaram depoimento às autoridades.
Casos como esses ajudam a ilustrar um problema que, apesar da queda recente nas ocorrências, continua sendo um dos principais desafios estruturais da logística brasileira e, portanto, do desenvolvimento econômico. Levantamentos do setor de transporte e entrevistas com autoridades indicam que o crime permanece concentrado em grandes polos econômicos e depende de um mercado clandestino organizado.
Menos ocorrências, mas impacto econômico elevado
Números públicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), analisados pelo JOTA, indicam que foram registrados cerca de 8.570 roubos e furtos de carga no Brasil em 2025, o equivalente a aproximadamente 23 ocorrências por dia.
O número representa uma queda de cerca de 14% em relação a 2024, quando o país registrou mais de 10 mil ocorrências, conforme o mesmo levantamento.
Apesar da redução nas estatísticas, o impacto econômico permanece elevado. O estudo da Nstech, empresa de tecnologia que desenvolve sistemas de monitoramento e gestão de risco para o transporte de cargas, indica que os prejuízos causados por roubos de carga no Brasil somaram cerca de R$ 900 milhões em 2025, considerando ocorrências monitoradas pelo setor logístico.
Para especialistas do setor, a queda nas ocorrências não significa necessariamente um enfraquecimento estrutural do crime. Em muitos casos, o que se observa é uma reorganização das quadrilhas, que passam a concentrar esforços em cargas de maior valor ou com maior facilidade de revenda.
Avaliação semelhante é feita pelo setor de transporte. De acordo com a área de segurança da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), entidade que representa empresas do transporte rodoviário de cargas, o roubo de cargas está diretamente relacionado à própria estrutura logística do país. Atualmente, cerca de 75% das mercadorias circulam por rodovias no Brasil, o que amplia significativamente a exposição das cargas em circulação.
De acordo com a entidade, o fenômeno também costuma envolver cadeias criminosas organizadas, com planejamento prévio, monitoramento de rotas e redes estruturadas de receptação capazes de absorver rapidamente as mercadorias roubadas.
Ao JOTA, a NTC&Logística afirmou que a possibilidade de reinserir rapidamente essas mercadorias em circuitos irregulares de comercialização é um dos fatores que sustentam economicamente esse tipo de crime. Em geral, cargas roubadas são dispersas em pequenas quantidades para dificultar a identificação da origem dos produtos, especialmente quando se trata de itens de consumo rápido, como alimentos, bebidas, produtos de higiene e eletrônicos de menor porte.
Na avaliação da entidade, a absorção dessas mercadorias pode ocorrer em diferentes níveis do mercado. Em alguns casos, os produtos acabam chegando ao consumidor final por meio de ofertas com preços significativamente mais baixos do que os praticados no comércio formal. Em outras situações, investigações apontam a atuação de intermediários ou comerciantes que fragmentam os produtos e os redistribuem em diferentes pontos de venda.
Um exemplo desse tipo de estrutura foi identificado em uma operação da Polícia Federal que investigou uma quadrilha especializada em roubo de cargas de caminhões dos Correios e do Mercado Livre em rodovias de Minas Gerais e da Bahia. De acordo com a PF, o grupo utilizava bloqueios na estrada, lanternas de alta potência para desorientar motoristas e conduzia os veículos para estradas vicinais antes de saquear seletivamente as cargas, demonstrando conhecimento prévio sobre os produtos transportados. As mercadorias roubadas eram levadas para um ponto que funcionava como centro de recepção e redistribuição dos produtos.
Além da perda direta da carga, o setor aponta que o crime gera custos operacionais relevantes para as transportadoras. Em alguns casos, o impacto da criminalidade sobre o transporte de mercadorias chega a afetar diretamente a distribuição de produtos para consumidores. Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo mostrou que, no Rio de Janeiro, os Correios chegaram a restringir entregas em cerca de 44% dos CEPs da cidade devido ao risco de assaltos e ataques a carteiros e veículos de transporte de encomendas.
Na prática, isso significava que moradores dessas regiões precisavam retirar encomendas diretamente em agências da empresa ou aguardar entregas realizadas em operações especiais de segurança, às vezes com o apoio de escolta ou acompanhamento policial. O caso passou a ser citado por especialistas em logística como exemplo de como a violência pode interferir no funcionamento da cadeia de distribuição, ampliar custos operacionais e afetar o acesso da população a serviços de entrega e comércio eletrônico.
Para a associação, reduzir os espaços para comercialização irregular tende a dificultar a transformação da carga roubada em ganho econômico, mas o enfrentamento do problema exige uma estratégia mais ampla que envolva prevenção, fiscalização e integração entre diferentes órgãos de segurança pública.
Um crime difícil de medir
Parte da dificuldade de compreender o fenômeno está na própria produção de dados. Dados obtido pelo JOTA junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que as ocorrências registradas nas rodovias federais passaram de 850 casos em 2023 para 795 em 2024 e 689 em 2025.
Conforme o coordenador das áreas especializadas de combate ao crime da PRF, Oliveira Neto, “esses dados são extraídos do sistema da PRF, ou seja, das ocorrências em que a corporação esteve diretamente envolvida ou que foram registradas em nossas unidades. Eles não compreendem a totalidade das ocorrências.”
Isso ocorre porque muitos crimes acabam sendo registrados posteriormente em delegacias estaduais. “Muitas vezes o caminhoneiro sofre o roubo em um estado, mas só registra a ocorrência no destino da viagem”, explicou.
Segundo a PRF, os roubos de carga tendem a se concentrar nos principais corredores logísticos do país – regiões que combinam grande circulação de mercadorias e acesso rápido a rotas alternativas utilizadas para dispersar as cargas roubadas.
Entre os trechos mais visados estão rodovias como BR-116, BR-381 e BR-101, importantes eixos logísticos do país. A BR-116 conecta o Nordeste ao Sul passando por grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo. A BR-381 liga Minas Gerais ao interior paulista, enquanto a BR-101 percorre grande parte do litoral brasileiro e conecta diversos polos industriais e portuários.
“Nós fazemos levantamentos periódicos desses índices e direcionamos as operações para os estados e rodovias onde identificamos maior incidência”, explicou Oliveira Neto.
As investigações policiais indicam que o roubo de cargas costuma seguir um padrão relativamente estruturado. Quadrilhas monitoram rotas logísticas e identificam veículos que transportam mercadorias com alto valor de revenda.
A abordagem pode ocorrer durante paradas em postos de combustível, congestionamentos ou trechos urbanos das rodovias. Em muitos casos, os motoristas são mantidos sob vigilância enquanto a carga é transferida para outros veículos, que levam as mercadorias para galpões clandestinos.
Investigadores também identificaram casos em que o crime ocorre dentro da própria cadeia logística. “Nesses casos, os criminosos conseguem informações de transportadoras ou centros logísticos e cooptam motoristas para desviar a carga, simulando posteriormente um roubo”, informou a Polícia Civil de São Paulo.
O levantamento também revela forte concentração regional do problema. O Sudeste responde por cerca de 68% dos prejuízos causados por roubos de carga no país, refletindo a densidade econômica e logística da região.
O eixo formado por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentra alguns dos principais corredores rodoviários e centros de distribuição do país, o que amplia a exposição das cargas ao risco de roubo.
Em outras regiões, o perfil do transporte é diferente. No Centro-Oeste, por exemplo, predominam cargas ligadas ao escoamento da produção agrícola em rotas mais longas e menos urbanizadas. Grãos e outras commodities, transportados em grandes volumes, também tendem a ter menor liquidez no mercado clandestino em comparação com mercadorias industrializadas ou eletrônicas, que são mais fáceis de revender.
O que está sendo roubado – e quando
Relatórios do setor logístico indicam mudanças importantes no perfil das cargas mais visadas por quadrilhas especializadas. Conforme a pesquisa da Nstech, que monitora operações que somam mais de R$ 2,3 trilhões em mercadorias transportadas, aponta que cargas fracionadas ainda representam cerca de metade dos prejuízos causados por roubos no país, embora sua participação venha diminuindo gradualmente.
No setor de transporte, o termo se refere a remessas menores que compartilham o mesmo veículo com mercadorias de diferentes empresas ou destinatários. Em vez de um caminhão transportar apenas a carga de um único cliente, ele leva produtos de várias empresas ao mesmo tempo, que serão entregues em diferentes endereços ao longo da rota.
Esse modelo é comum na distribuição urbana e regional. Caminhões, vans ou utilitários fazem diversas paradas ao longo do trajeto para abastecer supermercados, farmácias, restaurantes e pequenos comércios, transportando volumes menores destinados a diferentes clientes.
Ao mesmo tempo, alguns produtos específicos vêm ganhando espaço entre os principais alvos das quadrilhas. Entre os segmentos com maior crescimento estão alimentos, medicamentos e eletrônicos, mercadorias com alta liquidez e facilidade de revenda no mercado clandestino.
O roubo de cargas também afeta o transporte de produtos perigosos, como combustíveis e químicos. De acordo com Eduardo Leal, executivo da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), esse tipo de crime costuma ter características diferentes em comparação com outros segmentos do transporte.
“Quando se trata de produtos perigosos, muitas vezes o interesse não é o caminhão em si, mas o produto transportado. Em vários casos ocorre o transbordo do combustível para outros tanques e o veículo é posteriormente abandonado”, explicou.
De acordo com o representante da associação, os combustíveis desviados costumam ser direcionados para canais informais de comercialização, como redes ilegais de distribuição ou pontos de venda irregulares. Além do prejuízo econômico para as transportadoras, essas ocorrências também trazem riscos ambientais e de segurança, já que o manuseio inadequado pode provocar vazamentos, incêndios ou outros acidentes.
O segmento alimentício, por exemplo, ampliou sua participação no prejuízo total causado por roubos de carga, passando de 20,1% para 26,5%, segundo a Nstech. Medicamentos também aparecem entre os produtos com crescimento nas ocorrências.
Investigadores e especialistas do setor logístico apontam que esses produtos costumam ser alvos frequentes por reunirem duas características valorizadas pelas quadrilhas: alta demanda e facilidade de revenda. Entre as cargas mais visadas estão carnes, café, bebidas e alimentos industrializados, que podem ser rapidamente redistribuídos para pequenos comércios ou mercados informais.
No caso dos medicamentos, o interesse costuma se concentrar em produtos de maior valor agregado ou de uso contínuo, como insulina e remédios utilizados em tratamentos hospitalares. Por serem itens de alta procura e relativamente fáceis de comercializar, essas mercadorias podem ser revendidas rapidamente, muitas vezes em pequenos estabelecimentos ou redes informais de venda.
Outro fator relevante é o crescimento das ocorrências na chamada última milha da distribuição – etapa final da cadeia logística em que as mercadorias são entregues em centros urbanos e os veículos realizam múltiplas paradas ao longo do trajeto.
A economia da receptação
Autoridades que investigam o fenômeno apontam que o roubo de cargas só se sustenta devido à existência de um mercado clandestino estruturado para absorver essas mercadorias.
“Não existe roubo se não existir o posterior repasse da mercadoria”, afirma o delegado Christian Waichert, titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Transporte de Cargas do Espírito Santo.
“O roubo ou furto de mercadorias ocorre justamente para uma comercialização posterior. Por isso, identificar e punir o receptador é essencial para reduzir esse tipo de crime.”
Ao JOTA, a NTC&Logística também destacou que a dinâmica de absorção dessas mercadorias varia conforme o tipo de produto e as características da cadeia logística. Itens de consumo rápido tendem a ser dispersos rapidamente em pequenas quantidades, enquanto cargas de maior valor ou que exigem armazenamento e logística mais complexa podem envolver intermediários ou estruturas de distribuição mais organizadas.
A entidade observa ainda que o ambiente digital passou a integrar essa dinâmica de comercialização. Assim como ocorre com produtos de origem regular, plataformas online e redes sociais ampliaram os canais de venda disponíveis no mercado, o que pode facilitar a circulação de mercadorias de origem irregular quando não há mecanismos eficazes de rastreabilidade.
Investigações da Polícia Federal (PF) realizadas em 2025 ajudam a ilustrar como essas cadeias de receptação funcionam na prática. No início do ano, agentes apuraram a atuação de um grupo suspeito de furtar cargas transportadas por caminhões dos Correios em rotas entre São Paulo e cidades do Pará. Conforme a PF, o esquema teria causado prejuízos superiores a R$ 35 milhões ao longo de cerca de cinco anos.
Já em outra operação deflagrada no meio do ano, investigadores miraram uma quadrilha suspeita de roubar cargas transportadas por caminhões dos Correios e do Mercado Livre em rodovias que cortam Minas Gerais e a Bahia. De acordo com as apurações, os criminosos interceptavam os veículos e levavam as mercadorias para um ponto utilizado para armazenar, separar e redistribuir os produtos roubados antes da revenda.
No caso de São Paulo, apurações conduzidas pela Polícia Civil indicam que não existe um único destino para as mercadorias roubadas, mas alguns caminhos aparecem com frequência nas investigações. Segundo o delegado Paul Henry Verduraz, da Divisão de Investigação sobre Furtos, Roubos e Receptação de Veículos e Cargas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), as quadrilhas costumam tentar transformar a carga em dinheiro o mais rápido possível, utilizando canais que dificultem o rastreamento.
“Normalmente a carga roubada é dividida rapidamente em pequenos lotes. Os produtos de maior preferência nessa modalidade são alimentos e bebidas, cigarros, eletrônicos, produtos de higiene e roupas. Esses itens são escolhidos porque giram rápido e são difíceis de rastrear”, explicou o delegado.
De acordo com Verduraz, a venda para estabelecimentos menores é um dos destinos mais comuns. “Outra rota muito comum é a venda para mercadinhos, bares ou lojas menores, geralmente por meio de receptadores”, afirmou.
Há ainda casos em que as cargas roubadas são levadas para outros estados ou regiões do país, estratégia utilizada pelas quadrilhas para reduzir o risco de identificação da mercadoria e facilitar a revenda. Segundo o delegado, isso costuma ocorrer com produtos de maior valor agregado, como eletrodomésticos, eletrônicos, medicamentos, pneus e peças automotivas.
Episódios registrados em diferentes estados também mostram que parte dessas cargas pode aparecer em feiras populares ou mercados informais. No Rio de Janeiro, por exemplo, operações policiais e ações de fiscalização já identificaram a circulação de mercadorias sem comprovação de origem em espaços como a feira de Acari, na zona norte da cidade.
O local ficou conhecido ao longo dos anos como um dos maiores mercados informais da região e já foi alvo de diversas operações por suspeita de comercialização de produtos irregulares ou sem nota fiscal. Em diferentes ocasiões, autoridades relataram que mercadorias provenientes de cargas roubadas ou desviadas acabavam sendo revendidas em bancas e pequenos comércios ligados ao circuito da feira, muitas vezes misturadas a produtos de origem regular.
A feira foi encerrada oficialmente pela prefeitura do Rio de Janeiro em 2023, após anos de operações policiais e denúncias sobre a venda de produtos sem origem comprovada no local.
Conforme investigadores e especialistas do setor logístico, a rapidez dessa redistribuição é um dos fatores que dificultam a recuperação das cargas roubadas, já que os produtos podem ser fragmentados e espalhados por diferentes pontos de venda poucas horas após o crime.
Na avaliação do delegado, medidas que permitam atingir financeiramente os responsáveis – como multas, apreensão de bens e rastreamento de patrimônio – poderiam aumentar a efetividade das investigações e reduzir o incentivo econômico ao crime.
Prevenção e tecnologia
Além da atuação policial, estratégias de prevenção também têm sido adotadas por governos locais e pelo setor logístico para reduzir a incidência de roubos de carga.
Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o combate a esse tipo de crime depende de uma combinação entre policiamento direcionado, investigação e integração com outras forças de segurança. Quando grupos criminosos responsáveis por esses roubos são identificados e presos, o impacto costuma aparecer rapidamente nas estatísticas.
“Quando conseguimos prender a quadrilha inteira, a região normalmente registra uma queda significativa desse tipo de crime por alguns meses”, afirmou o coordenador das áreas especializadas de combate ao crime da PRF, Oliveira Neto.
Ainda assim, o crime tende a se adaptar às ações policiais. “Quando intensificamos o policiamento em uma área, muitas vezes os criminosos migram para outra região”, explicou.
Além das operações policiais, experiências locais mostram que o uso de tecnologia e a integração entre diferentes órgãos de segurança também podem contribuir para reduzir ocorrências.
Um exemplo é o município de Jundiaí, importante polo logístico no interior de São Paulo, a cerca de 60 quilômetros da capital. Segundo a prefeitura, a cidade reduziu em 52% os registros de roubo de cargas em 2025, resultado atribuído à integração entre forças policiais e ao uso intensivo de tecnologia.
“Hoje temos mais de 400 câmeras de leitura de placas integradas às polícias estaduais e sistemas de monitoramento em tempo real”, afirmou Guilherme Balbino Rigo, secretário municipal de segurança.
Experiências desse tipo vêm sendo acompanhadas por autoridades de segurança e pelo setor logístico como possíveis caminhos para reduzir a incidência do crime em regiões com grande circulação de mercadorias – especialmente em um país em que o transporte rodoviário segue sendo o principal eixo de distribuição de produtos.