JOTA Principal: Articulação do PSD e visita de Tarcísio a Bolsonaro cristalizam pré-candidaturas

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A reunião de três presidenciáveis no PSD fortalece o partido de Gilberto Kassab e impõe um desafio à pré-campanha de Flávio Bolsonaro: qualificar o discurso e se mostrar mais moderado.

Jair Bolsonaro recebeu Tarcísio de Freitas ontem (29), e o governador paulista saiu dizendo que “sem dúvida” irá apoiar o projeto do filho 01.

Nos bastidores, porém, as articulações reforçam a percepção geral de que Flávio ainda não conseguiu reunir o apoio necessário em torno de si, Beto Bombig, Marianna Holanda e Fabio MuraKawa analisam na nota de abertura.

Enquanto isso, Lula planeja chamar Hugo Motta e Davi Alcolumbre para um convescote (nota 3). Além da pauta legislativa, o caso Master, é claro, será tema nas rodas de conversas (nota 4).

E o ministro Dias Toffoli se pronunciou pela primeira vez desde que passou a sofrer escrutínio devido às ligações dele com o banco (nota 5).

Boa leitura e bom fim de semana.

1. O ponto central: Trinca

Dois movimentos quase simultâneos entre as principais forças da centro-direita indicaram os primeiros sinais de cristalização das pré-candidaturas ao Planalto, Beto Bombig, Marianna Holanda e Fabio MuraKawa analisam no JOTA PRO Poder.

De um lado, o PSD de Gilberto Kassab avançou na construção de um projeto presidencial distante do bolsonarismo.
De outro, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se encontraram ontem (29) para selar o apoio à candidatura de Flávio.

Por que importa: O efeito imediato do projeto “três em um” articulado por Kassab é a criação de uma alternativa ao lulismo para setores da política, da economia e da sociedade organizada que rejeitam o petista, mas demonstram resistência à família Bolsonaro.

Nesse contexto, o campo da centro-direita já vive uma disputa por apoios estratégicos, como o do governador Romeu Zema (Novo), de setores do MDB e do mercado financeiro.
Essas articulações reforçam a percepção de que, mesmo fora da disputa presidencial, Tarcísio continuará a influenciar um cenário fragmentado no campo antipetista no primeiro turno.
A pulverização de candidaturas aparece como estratégia para tentar impedir um quarto mandato de Lula, ainda que aumente o risco de dispersão eleitoral.

Em público, bolsonaristas e dirigentes do PSD afirmam que a multiplicidade de candidaturas é positiva para a centro-direita.

Nos bastidores, porém, a leitura predominante é outra: a família Bolsonaro, ao menos até agora, não conseguiu aglutinar apoio suficiente para consolidar Flávio como o único e principal antagonista de Lula — posto ocupado por seu pai, preso em Brasília.

Tarcísio deixou escapar em conversas reservadas que o PSD é hoje o principal risco à candidatura de Flávio, embora tenha declarado apoio inequívoco após a visita a Bolsonaro.

“Se há algum partido com chances de tirar Flávio do segundo turno, esse partido é o PSD”, disse o governador a aliados.
A avaliação também serve como termômetro do entusiasmo de Tarcísio com o projeto eleitoral do filho do ex-presidente.

⏩ Pela frente: Aliados de Flávio ouvidos pelo JOTA avaliam que o senador precisará intensificar esforços para se apresentar como um candidato mais moderado e qualificar seu discurso crítico a Lula.

Um deles observa que o governador Ronaldo Caiado (GO), por exemplo, bate mais pesado e com mais substância no presidente do que integrantes da família Bolsonaro.
De outro lado, o “projeto 3 em 1” terá como desafio, além de escolher um dos nomes hoje colocados, demonstrar viabilidade eleitoral — ou seja, melhorar o desempenho de seus nomes nas pesquisas, ainda lideradas por Flávio no campo da centro-direita.

É importante também não perder de vista os interesses de Kassab.

O presidente do PSD, além de aumentar suas bancadas congressuais para negociar apoios a partir de 2027, quer ser governador de São Paulo a partir de abril de 2030 — quando, calcula, Tarcísio deixará o cargo para concorrer ao Planalto.
Nesse sentido, o fortalecimento do partido aumenta o cacife dele para ser escolhido como vice na chapa de Tarcísio à reeleição.
Em um “partido de dono”, convém estar atento a interesses pessoais que podem se sobrepor a projetos coletivos.

UMA MENSAGEM DO MATTOS FILHO

Tendências regulatórias para os mercados financeiro e de pagamentos

A agenda regulatória deste ano deverá consolidar as medidas já implementadas em um cenário de avanço da inovação e de fortalecimento dos mecanismos de segurança e estabilidade dos mercados financeiro e de pagamentos. Veja a seguir as mudanças previstas para este ano:

Ativos virtuais: entrada em vigor da regulamentação, a partir de fevereiro. PSAVs em funcionamento até a data de vigência da norma terão até 30 de outubro de 2026 para pedir autorização;
Pix: novas funcionalidades voltadas à ampliação da eficiência e segurança, como split de pagamentos, Pix por aproximação offline, Pix em garantia e integração com duplicatas escriturais;
Banking as a Service: adequação de contratos e estruturas operacionais à Resolução Conjunta nº 16/2025 até o final de 2026;
Instituições de pagamento: exigência de autorização prévia para funcionamento aos entrantes, com pedido obrigatório em maio pelas instituições que atuavam sem autorização;
FGC: ampliação das contribuições a partir de junho e alocação faseada obrigatória em títulos públicos federais em cenários de alavancagem acima do estipulado;
eFX: expectativa de publicação de nova regulamentação; e
Tokenização de carteiras digitais: criação de modalidade específica em arranjos de pagamento.

2. Como nos velhos tempos

O então presidente Jair Bolsonaro concede entrevista ao lado de Tarcísio de Freitas, à época ministro / Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil – 16.dez.2019

A visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro na Papudinha selou o apoio do governador à candidatura de Flávio, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.

O gesto pôs fim às especulações sobre um rompimento entre os dois e marcou uma reaproximação do clã com o governador.

Por que importa: O alinhamento entre Tarcísio e o grupo bolsonarista é essencial para a campanha de Flávio em São Paulo.

Uma ruptura poderia fragilizar a candidatura no maior colégio eleitoral do país e isolar o governador.

☎️ Nos bastidores: Tarcísio ligou para Michelle Bolsonaro para se explicar e tentar conter o desgaste.

O governador também recebeu Carlos Bolsonaro para um almoço no Bandeirantes.
Carlos acompanhou a visita à Papudinha e esperou do lado de fora, simbolizando a reaproximação.

⏩ Pela frente: A expectativa é de que a trégua se sustente ao longo do ano.

O grupo avalia que um campo bolsonarista unificado é vital para manter competitividade em 2026.

3. 🫕 Grelha, pt. 1

Hugo Motta, Lula e Davi Alcolumbre em evento no Planalto / Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil – 11.fev.2025

Lula decidiu recorrer a uma paixão nacional para começar o ano em paz com Davi Alcolumbre e Hugo Motta.

O petista planeja chamar os chefes do Senado e da Câmara para um churrasquinho no Alvorada no fim da semana que vem, Fabio MuraKawa escreve em sua coluna no JOTA.
Os líderes de sua frágil base parlamentar, além de ministros e alguns secretários mais próximos, também serão convidados.

🥩 Por que importa: O objetivo é distensionar o clima em um ano que já começa nervoso — marcado pelo noticiário do Master, pelo bloqueio de R$ 11 bilhões em emendas parlamentares e pelas arestas ainda por aparar de olho nas eleições gerais de outubro.

A tática é antiga e remonta aos dois primeiros mandatos do petista, entre 2003 e 2010.
Naquela época — com o país menos polarizado e Lula com uma popularidade bem mais alta que a atual —, os churrascos, almoços e confraternizações regados a uísque e cachaça no Alvorada e na Granja do Torto foram instrumentos de Lula para lubrificar as palavras e fazer articulação política informal.

🥃 Com a eleição dobrando a esquina e muito palanque mal resolvido, Lula decidiu recorrer à velha tática.

A ausência desse tipo de evento no terceiro mandato, aliás, é vista como um dos fatores da relação instável que o Congresso tem mantido com o presidente — além, é claro, da relativa perda de poder do Executivo em razão das emendas impositivas.

🍗 O regabofe não tem uma pauta definida.

A MP do Gás para Todos, uma nova regulamentação para os trabalhadores de aplicativos, o fim da jornada 6×1, a PEC da Segurança, o PL Antifacção, a MP do Redata e o PL da Inteligência Artificial seguem na fila de votações.

⏩ Pela frente: A aposta de Lula na “diplomacia do churrasco” sinaliza mais do que um gesto de reaproximação com a cúpula do Congresso.

É também o reconhecimento de que, em um ambiente de poder mais fragmentado e com um Legislativo fortalecido, o presidente precisa voltar a ocupar o espaço da política miúda, do contato direto e da negociação fora dos holofotes.

4. 🫕 Grelha, pt. 2

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ao centro, durante depoimento / Crédito: Reprodução

O escândalo do Master certamente será comentado entre goles e garfadas — ainda que aos cochichos e de forma mais reservada, prossegue MuraKawa.

Lula ainda acredita que a crise não atinge o coração de seu governo, apesar do noticiário recente envolvendo a ligação do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski com o banco e da reunião, fora da agenda, do presidente com Daniel Vorcaro no Planalto, em 2024.

Por que importa: A instalação de uma CPMI para apurar um caso desse porte em pleno ano eleitoral não interessa nem ao Planalto e nem aos principais atores do Congresso.

A aposta é que Alcolumbre não tenha apetite para viabilizar esse tipo de colegiado, diante dos investimentos de R$ 400 milhões da Amapá Previdência em letras financeiras do Master.
Com isso, uma sessão do Congresso para analisar vetos presidenciais — que o obrigaria a fazer a leitura do requerimento da CPMI — tende a ser postergada pelo presidente do Senado o quanto for possível.

5. Oração ao tempo

O ministro Dias Toffoli em sessão no plenário do Supremo / Crédito: Ton Molina/STF

Em nota divulgada nesta quinta (29), o ministro Dias Toffoli afirmou que, após o encerramento das investigações do caso Master, vai analisar o que ficará no STF e o que pode ser enviado a instâncias inferiores, Flávia Maia relata no JOTA.

Por que importa: A atuação do ministro gerou questionamentos jurídicos e políticos, e a nota busca reforçar a legalidade e a transparência do processo dentro dos limites do foro privilegiado.

🗣️ O que disse Dias Toffoli:

Segundo o ministro, após o exame do material nos autos e com parecer favorável do PGR, foi reconhecida a competência do STF para supervisionar as investigações que envolvem a Compliance Zero e que não foi apresentado recurso contrário.
Ele afirma que o sigilo já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau, a fim de evitar vazamentos que pudessem prejudicar as investigações. O ministro justificou o sigilo também por conta das diligências em andamento.
Toffoli disse ainda que analisou os documentos e enxergou “absoluta necessidade” de diligências urgentes para proteger as investigações e o Sistema Financeiro Nacional e, por isso, determinou que fossem colhidos depoimentos.
Dessa forma, o ministro viu necessidade de ouvir os presidentes dos bancos envolvidos e do diretor do Banco Central responsável pela fiscalização das instituições.
Toffoli também destacou que foi “necessária” a acareação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
O ministro argumentou que estão sendo feitas operações policiais sobre o caso Master e os desdobramentos dele, e o STF tem estado à frente daquelas que estão sob sua competência e enviado às instâncias próprias as demais.

⏩ Pela frente: As próximas fases da operação devem intensificar o escrutínio público e jurídico sobre a atuação do STF e de Dias Toffoli.

6. Panorama

Foto aérea da sede do Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília / Crédito: Fellipe Sampaio/TST

O número de processos trabalhistas voltou a crescer em 2025, com 2,467 milhões de ações ajuizadas, Mirielle Carvalho escreve no JOTA PRO Trabalhista.

Os dados, levantados pela plataforma Predictus, apontam que a Justiça Trabalhista brasileira ainda permanece sendo bastante demandada, tendo em média cerca de 200 mil novas ações trabalhistas por mês no último ano.
Embora expressivo, o volume ainda está 19% abaixo do recorde histórico de 2016, quando foram protocolados 3,06 milhões de casos.

Por que importa: O aumento consolida uma tendência de retomada da litigiosidade após decisões judiciais que reduziram os riscos financeiros para trabalhadores.

A marca de 2 milhões de ações por ano vem se mantendo desde 2023, evidenciando a relevância da Justiça do Trabalho no cenário jurídico brasileiro.
Em 2018, primeiro ano após a Reforma Trabalhista, o número de processos caiu para 2,03 milhões, uma redução de 31% em relação a 2017.
A queda foi atribuída a mudanças como o pagamento de honorários sucumbenciais e periciais pelo trabalhador, além de critérios mais rígidos para a justiça gratuita.

Sim, mas… A decisão do Supremo, em 2021, de suspender a cobrança de custas para beneficiários da justiça gratuita mudou esse cenário.

🔭 Panorama: As principais causas em 2025 foram:

Horas extras: 632.761 processos
Verbas rescisórias: 503.071
Adicional de insalubridade: 497.748
Indenização por dano moral: 468.050
Multa do artigo 477 da CLT: 382.574
Multa de 40% do FGTS: 380.485
FGTS: 316.919
Rescisão indireta: 308.220
Multa do artigo 467 da CLT: 276.910
Intervalo intrajornada: 258.125

⏩ Pela frente: Com o patamar elevado de ações mantido desde 2023, o desafio será equilibrar a proteção aos direitos trabalhistas com a segurança jurídica para empregadores.

7. Opinião: Código de conduta no STF e mais

“A articulação de um código de conduta não é um gesto de fragilidade”, defende Miguel Gualano de Godoy, professor adjunto de Direito Constitucional da UFPR. “É uma forma proativa de institucionalizar compromissos que já deveriam estar internalizados”, ele prossegue, em artigo no qual sistematiza argumentos favoráveis à iniciativa do presidente do Supremo. Leia a íntegra.
Atual diretor de gestão corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro escreve sobre o papel do país em um mundo multipolar. “A diplomacia presidencial, baseada na escuta ativa, na confiança política e na construção de pontes, recolocou o Brasil no centro das grandes discussões globais”, argumenta o ex-deputado. Leia a íntegra.
“A ignorância sobre o Holocausto se torna mais grave à medida que atinge as novas gerações e parcelas da população com menor escolaridade e renda, como demonstram as pesquisas mais recentes”, registra Flávio de Leão Bastos Pereira, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em artigo sobre os 81 anos da libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. “Relembrar o Holocausto é fundamental para que nenhuma tragédia semelhante volte a ocorrer em meio ao crescimento do antissemitismo no mundo.” Leia a íntegra.
A defensora pública federal Carolina Castelliano escreve sobre o fenômeno do “genderwashing” — “assim como empresas simulam compromisso ambiental sem promover mudanças efetivas, instituições públicas e privadas passam a adotar discursos e gestos simbólicos de adesão à justiça de gênero, enquanto mantêm práticas que reproduzem desigualdades estruturais”. Leia a íntegra.

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