O Banco Central (BC) decidiu rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), que estava em análise desde março. A aprovação da autoridade monetária era a última etapa regulatória necessária para o prosseguimento da operação, avaliada em R$ 2 bilhões, já que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu o aval à operação em junho.
O BRB divulgou um fato relevante sobre a decisão do BC na noite da última quarta-feira (3/9). “O BRB apresentou solicitação de acesso à íntegra da decisão, com o objetivo de avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis”, lê-se no documento.
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O Banco de Brasília reiterou que a transação é uma “oportunidade estratégica com potencial de geração de valor para o BRB, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional” e informou que manterá seus acionistas e o mercado informados sobre “eventuais desdobramentos relevantes”.
Já o Banco Master, em nota publicada em seu site, afirmou que “aguarda ter acesso à íntegra do documento para avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis sobre a decisão” e reforçou que “continua confiante na sua estratégia e na sua operação, que fizeram com que se destacasse num mercado altamente concentrado”.
No último dia 20 de agosto, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sancionou uma lei distrital, após aprovação na Câmara Legislativa do DF, para autorizar o BRB a adquirir parte do Banco Master.
Nesta quinta-feira (4/9), Rocha disse que aguarda a íntegra da decisão do BC antes de se manifestar sobre o caso. Na véspera, em entrevista ao portal Metrópoles, o governador chegou a indicar que poderia ter ocorrido interferência política na decisão.
Entenda o caso
Em 28 de março, o BRB divulgou fato relevante anunciando que o Conselho de Administração do banco havia aprovado, por unanimidade, a celebração de um contrato de compra e venda de ações com os acionistas controladores do Banco Master. A operação prevê a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total da instituição privada.
O anúncio provocou reação imediata por parte de autoridades e do mercado, já que o processo foi conduzido sem a convocação da assembleia de acionistas e sem aval prévio da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A carteira do Banco Master é quase do mesmo porte da do BRB, o que, na prática, dobraria o volume administrado pela estatal, segundo Nota Executiva PRESI/GT Projeto Vértice – 2025/001, feita pelo próprio banco estatal.
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A operação também conta com o envolvimento indireto do empresário André Esteves, sênior partner do BTG Pactual e personagem proeminente do mundo financeiro e político. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, ele é figura-chave nos bastidores da reestruturação do Banco Master e teria articulado o desenho da operação para fortalecer a posição do banco no mercado.
Emissão de CDBs
A aquisição do Master pelo BRB foi acompanhada de perto pelo mercado desde seu anúncio. Isso se deve, principalmente, à postura agressiva que o Master tem para captar recursos.
O banco, ao longo dos últimos anos, tem enfrentado questionamentos sobre a solidez de sua gestão e a exposição a riscos elevados. Daniel Vorcaro, que comanda o Master desde 2018, adotou uma estratégia de captação de recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima da média do mercado.
O banco emitiu, segundo estimativas do mercado, cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, o que representa quase metade da capacidade total do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os rendimentos prometidos pelo Master vinham da aquisição de ativos pouco usuais para CBDs, como precatórios federais e estaduais com alto deságio, isto é, comprando os direitos de crédito contra o poder público por um valor inferior ao seu valor nominal. Esses títulos, quando pagos pela União ou entes federativos, geram a margem de lucro.
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Os CDBs são considerados ativos de baixo risco, justamente por serem cobertos pelo FGC. Mas os precatórios, que lastreiam esses títulos no caso do Master, tem liquidez limitada e pagamento imprevisível. Desta forma, caso o Master não consiga honrar seus compromissos, o FGC seria impactado em quase metade de seu capital líquido.