Saúde precisa estar no centro da agenda de desenvolvimento do Brasil

À medida que o Brasil se prepara para as eleições de 2026, alguns temas precisam ocupar o centro do debate nacional. A saúde é um deles. Não apenas por ser um direito fundamental, mas porque está diretamente ligada à capacidade do país de gerar desenvolvimento, empregos qualificados, inovação e soberania.

Poucos setores traduzem tão claramente essa conexão quanto o de dispositivos médicos. Exames laboratoriais, equipamentos hospitalares, implantes, sistemas digitais e soluções baseadas em inteligência artificial fazem parte da rotina de milhões de brasileiros e são essenciais para prevenir doenças, diagnosticar, tratar e reabilitar pacientes.

Com notícias da Anvisa e da ANS, o JOTA PRO Saúde entrega previsibilidade e transparência para empresas do setor

O Brasil já possui o segundo maior mercado de dispositivos médicos das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, e reúne milhares de empresas e mais de 150 mil empregos diretos. O desafio agora é transformar esse potencial em maior competitividade, inovação e, principalmente, acesso.

Para isso, é preciso avançar em uma agenda que combine modernização regulatória, fortalecimento institucional, incorporação de tecnologia e melhoria do ambiente de negócios.

Uma regulação mais eficiente e previsível não significa reduzir a proteção sanitária. Significa utilizar melhor instrumentos como a Avaliação de Impacto Regulatório, reduzir redundâncias e aprimorar processos para que tecnologias seguras e eficazes cheguem mais rapidamente à população.

Da mesma forma, fortalecer Anvisa e ANS é fortalecer o próprio Estado. Reguladores preparados, digitalizados, com profissionais capacitados e capazes de acompanhar a velocidade da inovação são condição para que o país responda aos desafios de um setor em transformação.

Também precisamos aperfeiçoar os processos de incorporação de tecnologia. O Brasil avançou, mas ainda enfrenta problemas de previsibilidade, velocidade e metodologias adequadas, especialmente para dispositivos médicos. O uso de evidências de mundo real e de métodos específicos de Avaliação de Tecnologias em Saúde pode contribuir para decisões mais eficientes e alinhadas às necessidades dos pacientes.

E essa agenda exige ética, integridade e transparência. O desenvolvimento da economia da saúde só será sustentável se estiver associado ao compromisso permanente com o interesse público.

As eleições oferecem uma oportunidade para que o Brasil discuta qual sistema de saúde quer construir e qual papel pretende ocupar na economia global da saúde. Temos mercado, capacidade técnica, instituições e um ecossistema de inovação em expansão.

O que falta é transformar essas vantagens em uma estratégia de Estado. Saúde não pode ser vista apenas como despesa. É também investimento em pessoas, inovação, produtividade e desenvolvimento. Colocá-la no centro da agenda nacional é, portanto, discutir o futuro do próprio Brasil.

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