O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse nesta terça-feira (15/9) que não pode escolher o “caminho mais fácil” e que cabe a ele garantir o funcionamento institucional da Corte.
A fala foi feita na abertura da inédita sessão plenária convocada para decidir sobre uma possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a partir de um relatório da Polícia Federal que traz mensagens trocadas entre os dois.
Segundo Fachin, cabe à presidência do STF “fazer com que o Supremo permaneça sendo um Tribunal”. Para o presidente do Supremo, a instituição “permanecerá se soubermos, nesse momento, estar à altura da responsabilidade que recebemos”.
Em sua fala, Fachin disse que propôs uma sessão para que os ministros enfrentem as questões com base no Direito, respeitando as regras processuais e sem antecipar juízos antes do “momento próprio”.
“Que distingamos a divergência do confronto e a controvérsia jurídica da disputa pessoal”, afirmou.
Conforme o presidente do STF, “este não é um dia comum” e o momento exige dos ministros sensatez, decoro e serenidade.
“Somos seres humanos. Podemos errar. Podemos divergir. Podemos mudar de entendimento. Podemos ter percepções distintas sobre os mesmos fatos e sobre o Direito”, declarou.
“Abro esta sessão consciente de que a presidência e este colegiado têm diante de si o dever de conduzir este tribunal por um período difícil de sua história, preservando aquilo que lhe é essencial: sua independência, sua colegialidade, sua autoridade e sua fidelidade à Constituição”.
Fachin fez menções às trajetórias de cada ministro e se referiu aos magistrados que eles sucederam na Corte.
“Recebemos um Tribunal que atravessou crises, autoritarismos, ameaças e incompreensões. Em determinados momentos, esta instituição pagou um preço por permanecer fiel à sua missão constitucional”.