‘Novela Cleitinho’ termina sem ‘reviravolta da reviravolta’ e com o senador fora da disputa por MG

O que era para ter sido uma reviravolta da reviravolta ficou só no campo das possibilidades, e o senador Cleitinho Azevedo não concorrerá ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A informação foi divulgada pelo Republicanos nas redes sociais nesta segunda-feira (3/8). A decisão encerrou uma das mais longas novelas das eleições deste ano, marcada por diversas idas e vindas, mas atrasou ainda mais a consolidação do cenário no segundo maior colégio eleitoral do país.

Em termos práticos, a “novela Cleitinho” até agora serviu apenas para desmobilizar a centro-direita mineira, que ainda não conseguiu colocar em pé uma palanque forte para o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no estado, enquanto o PT já trabalha em Minas pelas candidaturas de Patrus Ananias ao governo e do presidente Lula à reeleição. 

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No vídeo divulgado pelo Republicanos, o presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que a decisão foi tomada por Cleitinho “espontaneamente”. No entanto, nos últimos dias o senador vinha liderando uma campanha pela candidatura própria do Republicanos, no caso, a dele próprio, ao governo de Minas Gerais, o que gerou grande expectativa de que o encontro dele com o dirigente teria um desfecho favorável a Cleitinho.

Para além das versões públicas dos envolvidos, prevaleceu a posição do diretório nacional, externada na semana passada, que, em uma reviravolta inesperada, vetou a candidatura de Cleitinho sob a alegação de que ele havia perdido a confiança da cúpula partidária após ter postergado demais sua decisão e por não ter comparecido à convenção estadual.

O senador vinha ensaiando a candidatura desde o final do ano passado, mas só decidiu anunciá-la após o veto partidário, que foi dado em um momento no qual Marcelo Aro (União-PP), ex-secretário estadual de Minas Gerais, estava muito perto de consolidar o apoio do Republicanos e do PL de Flávio Bolsonaro em torno de sua candidatura a governador.

A forte reação de Cleitinho ao veto, com campanha nas redes sociais, desmobilizou os envolvidos na negociação e brecou a movimentação de Aro. A partir de agora, essas tratativas precisam ser aceleradas, pois o prazo para a homologação das candidaturas termina em 5 de agosto.

Com o nome de Cleitinho definitivamente fora das urnas, o Republicanos retomará as negociações com o PL para apoiar Aro ao governo. As tratativas em torno desse arranjo, iniciadas recentemente, racharam o campo da centro-direita mineira e provocaram críticas a Aro desferidas pelo atual governador, Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição que também busca o apoio desses partidos. 

Lágrimas de Cleitinho

Ainda conforme o vídeo do Republicanos, o senador vive um momento de luto pela perda recente de um irmão. “Não adianta entrar na campanha do jeito que estou. Não adianta querer cuidar de vocês se não estou cuidando de mim e da minha família”, disse Cleitinho, às lágrimas, ao lado de Pereira. 

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Porém, Pereira, Cleitinho e o deputado federal licenciado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) não chegaram a um acordo quanto à formação de uma eventual chapa e do palanque nacional em Minas Gerais. Um dos arranjos cogitados incluía o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência, o que teria sido rejeitado pelo senador mineiro, que defendia uma posição de independência.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última terça-feira (28/7) mostrava o senador na liderança isolada em todos os cenários testados. Com 34% a 35% das intenções de voto, Cleitinho abria vantagem de 22 a 23 pontos percentuais sobre o segundo colocado.

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