Enquanto a corrida global pela inteligência artificial é dominada por grandes modelos generalistas dos Estados Unidos e da China, o Brasil busca consolidar o desenvolvimento de sistemas capazes de compreender as especificidades de seu ambiente jurídico e econômico. Esse debate será o eixo central da Futura AI Conference 2026, que acontece entre os dias 4 e 6 de novembro, em Brasília, reunindo pesquisadores internacionais, representantes do Judiciário e reguladores para discutir a autonomia tecnológica do país.
O evento, idealizado pela NeoLabsAI, surge em um momento em que modelos internacionais de empresas como OpenAI e Google demonstram limitações em áreas altamente reguladas por desconhecerem a legislação brasileira e a jurisprudência dos tribunais locais. A conferência pretende mostrar que o futuro da tecnologia no país reside na construção de soluções que gerem decisões auditáveis e juridicamente defensáveis, aplicadas a setores como o sistema financeiro, governo e saúde.
Soberania e inteligência especialista
Para os organizadores, a próxima etapa da IA não será definida pelo tamanho dos modelos, mas pela capacidade de construir sistemas especialistas para problemas concretos, como padrões de fraude no Pix ou análise de riscos regulatórios. “O Brasil reúne conhecimento técnico e um ambiente regulatório sofisticado que pode transformá-lo em referência para a América Latina”, afirma Ricardo Fernandes, coordenador científico do evento e pesquisador em Stanford.
A programação será dividida em três eixos e quinze trilhas temáticas, aproximando a academia da iniciativa privada para discutir como a IA pode ser transparente e rastreável em ambientes complexos. Entre os palestrantes confirmados estão:
Roland Vogl, diretor executivo do CodeX, da Universidade de Stanford;
Harry Surden professor da Universidade do Colorado e diretor de um centro de pesquisa dedicado à Inteligência Artificial aplicada ao Direito;
Brian W. Tang, fundador do Law, Innovation, Technology and Entrepreneurship Lab (LITE), da Universidade de Hong Kong;
e Ana Frazão, professora da Universidade de Brasília e ex-conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de representantes da Receita Federal e da Advocacia-Geral da União.
Além dos painéis, a expectativa é que o encontro resulte em recomendações práticas para o setor público e para o mercado, incentivando uma adoção responsável da tecnologia que não comprometa a segurança jurídica e a privacidade
Informações sobre o evento
Data: 4 a 6 de novembro de 2026
Local: Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), Brasília
Inscrições e programação: https://futuraconference.ai/