O mercado de trabalho formal brasileiro criou 921.645 postos no primeiro semestre de 2026. É o menor saldo para os seis primeiros meses do ano desde 2020, ano da pandemia de covid-19, em que foi registrado o fechamento de 1.398.484 vagas com carteira assinada. Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta quarta-feira (29/7).
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo ficou próximo de 1,229 milhão de postos, a criação de empregos recuou cerca de 25%. Em termos absolutos, foram aproximadamente 307,6 mil vagas a menos neste ano.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribui a queda à taxa básica de juros (Selic) praticada pelo Banco Central (BC), atualmente em 14,25%, e ao ambiente econômico internacional, marcado pelos efeitos das guerras e das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
Marinho ainda disse que, diante desse cenário, o resultado deve ser considerado “positivo”, já que o mercado de trabalho tem demonstrado resistência mesmo em um contexto no qual já poderia estar apresentando retração.
“Levando em consideração essas consequências, eu entendo, sinceramente, que nós estamos em um viés positivo, em um momento em que já deveria estar em decréscimo. Nós continuamos crescendo, de forma resistente”, afirmou.
O ministro avalia que a geração de empregos deve avançar em velocidade menor do que a observada nos anos anteriores. A expectativa do governo é que o saldo continue positivo, ainda que em processo de desaceleração.
“Eu creio que o Caged vai continuar se comportando de forma disciplinada, crescendo pouco. Vai continuar crescendo a uma velocidade menor do que a gente teve em 2024 e 2025, mas ainda será um processo crescente”, disse.
“Eu creio que vai haver uma desaceleração, mas não uma inversão do número para negativo. Ele vai continuar positivo. Essa é a nossa aposta”, declarou.
Quatro dos cinco grandes grupos de atividades econômicas tiveram resultado positivo no primeiro semestre. O setor de serviços respondeu pela maior parte das vagas, com saldo de 571.926 postos e crescimento de 2,5% sobre o estoque registrado no fim de 2025. O resultado representa mais de 60% de todo o emprego criado no país no período.
A construção civil teve o segundo maior saldo, com 168.962 vagas, e apresentou a maior expansão relativa entre os grandes setores: 5,73%. A indústria criou 143.442 empregos formais, alta de 1,6%. Na agropecuária, foram criadas 40.853 vagas. O comércio foi o único dos cinco grandes setores a encerrar o primeiro semestre no vermelho, com o fechamento de 3.514 vagas. O resultado negativo foi concentrado no varejo, que eliminou 45.903 postos.
Pior junho em seis anos
Considerando apenas junho, o Brasil criou 145.161 postos formais, resultado de 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos. O número é o pior desde 2020, quando foram eliminados 23.111 postos de trabalho.
O saldo ficou 10,4% abaixo das 161.999 vagas abertas no mesmo mês de 2025. Na comparação anual, tanto as admissões quanto os desligamentos aumentaram. As contratações cresceram 2,3%, enquanto as demissões avançaram 3,4%.
Todos os cinco grandes setores abriram vagas em junho. Serviços lideraram, com 74.514 postos, seguidos pela agropecuária, com 22.898; pelo comércio, com 19.177; pela indústria, com 14.438; e pela construção, com 14.136.
Nos serviços, os maiores saldos foram observados nas atividades administrativas e serviços complementares, com 26.634 vagas; em saúde humana e serviços sociais, com 20.436; e em transporte, armazenagem e correio, com 16.217. Na agropecuária, o desempenho foi puxado pelo cultivo de laranja, pelo apoio à agricultura e pelo cultivo de café.
O resultado mensal foi positivo em 25 das 27 unidades da Federação. São Paulo liderou, com 34.981 vagas, seguido por Minas Gerais, com 20.805, e Rio de Janeiro, com 16.856. Espírito Santo e Tocantins foram os únicos estados com fechamento líquido de postos, com saldos negativos de 2.259 e 135 vagas, respectivamente.
O salário médio real de admissão foi de R$ 2.404,34, alta de 0,7% em relação a maio e de 1,2% na comparação com junho de 2025, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Entre os vínculos considerados típicos, o salário médio de entrada foi de R$ 2.446,27. Nos vínculos não típicos, ficou em R$ 2.101,51, valor 12,6% inferior à média geral.
Dos postos criados no último mês, 112.253, ou 77,3%, eram vínculos típicos. Outros 32.908 foram classificados como não típicos, categoria que inclui trabalhadores temporários, aprendizes, intermitentes, contratados por pessoas físicas inscritas no Cadastro de Atividades Econômicas da Pessoa Física e vínculos com jornada de até 30 horas semanais.