O presidenciável Renan Santos (Missão) antecipou para esta segunda-feira (20/7), em convenção online, a oficialização de sua candidatura, anteriormente prevista para 1º de agosto. O candidato disse que a antecipação foi motivada por questões de segurança, já que os presidenciáveis podem contar com a proteção da Polícia Federal (PF) durante a campanha.
A principal ameaça teria partido de grupos criminosos do Ceará após o político cumprir agenda em Fortaleza, na semana passada. O JOTA teve acesso ao print de uma conversa no Telegram na qual um usuário, identificado como alguém ligado à facção cearense Massa Carcerária — também chamada de Tudo Neutro ou TDN —, defende que Renan Santos poderia morrer.
“Esse Renan Santos odeia o Nordeste e quer vir ter mídia”, diz um membro do grupo. Em seguida, outro usuário, identificado como TDN MASSA, responde: “bote (sic) matar esse Renan Santos”. A conversa teria ocorrido após Renan gravar um vídeo para as redes sociais no qual diz que “o crime organizado está destruindo” Fortaleza.
No vídeo, Renan caminha pelo bairro Vila Velha com um colete à prova de balas e narra que facções criminosas expulsaram moradores do local, transformando a vizinhança em uma “cidade fantasma”. Ele aparece ao lado do pré-candidato ao governo do Ceará pelo Missão, o delegado Huggo Leonardo, que afirma que irá “passar fogo em todo faccionado do Ceará”.
A assessoria do Missão disse que o print com a ameaça já foi encaminhado à PF e que o candidato passou a contar com escolta.
Em outro vídeo divulgado no mesmo dia, Renan afirma que também tem sofrido ameaças do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC). “Estar com a Polícia Federal não é mais uma questão de conveniência ou até de redução de gastos, dado que equipes privadas de segurança são mais caras, é uma questão de sobrevivência”, diz ele no vídeo.
O evento de convenção do Missão previsto para agosto está mantido. Na ocasião, Renan promete apresentar o “Livro Amarelo”, base programática do partido.
A PF informou que preparou uma operação nacional e mobilizou 458 servidores para garantir a segurança dos presidenciáveis. Segundo a corporação, a estrutura foi dimensionada para atender simultaneamente até dez candidaturas, com início nesta segunda-feira.
A data também marcou o início do prazo para que partidos políticos e federações realizem convenções partidárias a fim de definir coligações e candidaturas aos cargos em disputa nas eleições.