O caso Master derrubou ontem (24) o líder do governo no Senado, seis dias depois da operação da PF que teve Jaques Wagner como alvo.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro, que poderia ter um momento positivo com o caso chegando ao PT, acabou tendo que lidar com problemas internos.
Flávio teve que correr para apagar o fogo acendido por um vídeo de Michelle Bolsonaro com acusações contra o enteado.
E os terremotos de grande magnitude na Venezuela deixaram mortos, feridos, prédios destruídos e chegaram a ser sentidos no Brasil.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. Vaga aberta
Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após conversa com o presidente Lula ontem (24), devido ao desgaste causado por ter seu nome envolvido no caso do banco Master, Marianna Holanda e Luísa Carvalho escrevem no JOTA.
Em uma postagem nas redes sociais, Wagner disse que agora a sua “prioridade absoluta é provar sua inocência”.
Wagner foi alvo, há uma semana, da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga sua relação com o ex-banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Aliados e integrantes do PT pressionavam pelo afastamento de Wagner desde então, por temerem que sua estadia no cargo pudesse prejudicar eleitoralmente Lula.
🔮 O que observar O Planalto avalia nomes para substituí-lo. Uma ala do entorno de Lula defende que alguém mais de centro ocupe o posto, como Renan Filho (MDB-AL), pré-candidato ao governo de Alagoas.
Também circulam os nomes de Camilo Santana, ex-ministro da Educação, que não disputa as eleições neste ano, e da senadora Teresa Leitão (PT-PE).
UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL)
Nova taxação dos EUA pode impactar um terço das exportações
Projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderão ser atingidas pelas medidas tarifárias propostas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
As medidas ainda dependem de consulta pública e de audiências. No entanto, caso entrem em vigor, os impactos seriam os seguintes:
31,6% das exportações para os Estados Unidos sofreriam um aumento de 27,5 pontos percentuais em relação à tarifa atual de 10%;
Outros 3,6% das exportações teriam um acréscimo de 2,5 pontos percentuais.
“A eventual imposição não beneficia nenhum dos lados. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países”, afirma o presidente da CNI Ricardo Alban.
2. ‘Punhalada’
Michelle Bolsonaro em vídeo sobre Flávio / Crédito: Reprodução/Instagram
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou ontem (24) um vídeo nas redes sociais dizendo que Flávio Bolsonaro lhe deu uma “punhalada” após ela criticar a aliança do PL do Ceará com Ciro Gomes (PSDB).
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido, que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, disse Michelle no vídeo.
Por que importa A desavença pública é mais um exemplo da dificuldade que a família Bolsonaro tem de trabalhar junto, mesmo em pré-campanha eleitoral.
O episódio também escancara problemas internos na candidatura de Flávio, justo em um momento que poderia ser positivo — quando a crise do Master chegou no PT.
O apoio de Michelle é fundamental para que Flávio diminua sua rejeição entre o eleitorado feminino.
👀Bastidores Michelle estaria incomodada com notícias de que, para apoiar a candidatura de Flávio, ela teria exigido um pedido público de desculpas de Carlos, Flávio e Eduardo por desavenças familiares.
No vídeo, a ex-primeira-dama afirmou que o enteado e “pessoas que o cercam” a tratam como idiota e disse que seu objetivo era “desmentir narrativas que circulam na imprensa”.
Sim, mas… Flávio publicou pouco tempo depois um vídeo pedindo desculpas à madrasta, dizendo que nunca teve a intenção de magoá-la e que “jamais desrespeitaria a esposa do próprio pai”.
3. A maior preocupação
Lula e o ministro da Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva / Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A oposição endureceu o discurso sobre segurança e ampliou o desafio de Lula na pré-campanha, Beto Bombig analisa no JOTA PRO Poder.
Os quatro principais candidatos da oposição vêm reforçando propostas “linha-dura” após o governo dos EUA classificar facções do crime organizado no Brasil como “grupos terroristas”.
Flávio Bolsonaro apresentou um conjunto de 12 propostas que inclui a redução da maioridade penal para 16 anos e castração química de condenados por abuso sexual.
O desafio para o presidente é não romper com a tradição histórica do PT de centralidade nos direitos humanos sem parecer leniente.
Em maio, Lula lançou plano que prioriza o sufocamento do capital do crime organizado, a integração policial via PEC da Segurança Pública e parcerias estruturadas com estados.
🔭Panorama Pesquisa Quaest divulgada neste mês mostrou que a violência persiste como a maior preocupação dos brasileiros. O tema foi citado por 30% dos entrevistados, à frente de corrupção (19%) e de problemas sociais (16%).
4. Tremores
Prédios desabaram na capital da Venezuela / Crédito: Diko Betancourt/Anadolu via Getty Images
Os terremotos que atingiram a Venezuela no fim da tarde de ontem (24) atingiram 7.2 e 7.5 graus de magnitude na escala Richter, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA (USGS).
Até a manhã de hoje (25), havia confirmação de 164 mortes e quase mil pessoas feridas.
O USGS disse ontem que estimou risco de 10 mil mortes pela magnitude do desastre.
Vídeos nas redes sociais e das agências de notícias mostraram prédios e casas danificados, nuvens de fumaça e pessoas correndo pelas ruas de Caracas.
Tremores foram sentidos em pelo menos quatro estados do Brasil: no Amazonas, no Pará, em Roraima e Amapá.
5. Autorreflexão
O presidente do STF Edson Fachin / Crédito: Rosinei Coutinho/STF
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, disse ontem que o momento do país exige das instituições “disposição sincera à autorreflexão sobre o que ainda não fazem bem o suficiente” e prestação de contas, Lucas Mendes escreve no JOTA PRO Poder.
A fala foi feita durante a primeira reunião do grupo de trabalho criado pelo ministro para modernização e aperfeiçoamento do sistema de Justiça.
Entre os temas debatidos estão transformação digital e governança ética de IA, simplificação processual, redução da litigiosidade excessiva, modernização das carreiras, fortalecimento da integridade institucional e transparência pública.
⚖️Panorama A iniciativa é uma das três frentes de atuação que Fachin desenvolve em sua gestão. As outras duas são o Código de Ética para ministro do STF e as discussões sobre a remuneração da magistratura, ambas no CNJ.
⏩Pela frente O grupo deve entregar um relatório final até 19 de dezembro.
6. Sem imunidade
O plenário do Supremo / Crédito: Luiz Silveira/STF
Os ministros do STF votaram ontem por alterações na Lei de Improbidade Administrativa que mudam substancialmente o texto aprovado no Congresso, Flávia Maia escreve no JOTA.
O julgamento começou em maio e deve continuar hoje (25), mas os pontos já votados estão consolidados.
Uma das mudanças definidas pelos ministros foi que os partidos políticos também estão sujeitos à Lei de Improbidade, algo que não tinha sido previsto pelo Congresso.
Por unanimidade, os ministros acompanharam o voto de Alexandre de Moraes pelo fim da “imunidade” para partidos.
Um dos itens mais polêmicos foi a possibilidade de inversão do ônus da prova — para que o réu da ação tivesse de provar a própria inocência.
Após divergência dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux, ficou estabelecido que não cabe a inversão do ônus da prova contra o réu, embora tenham sido admitidas ressalvas em alguns casos.
7. Adiado
Motorista segura um celular dentro do carro / Crédito: Freepik
O julgamento dos recursos no Supremo sobre o vínculo entre motoristas e entregadores com plataformas digitais ficou para o segundo semestre, Flávia Maia e Lucas Mendes escrevem no JOTA.
Os casos envolvem a Uber e a Rappi e estavam previstos para a sessão de ontem, mas foram retirados da pauta por Fachin.
A decisão foi tomada após o STF ser informado sobre a aprovação da Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do trabalho em plataformas digitais.
O ministro citou a “relevância internacional” da convenção e “seus possíveis impactos para a apreciação” dos processos sobre a uberização.