Anvisa, PF e Ministério da Saúde monitoram mercado de ‘canetas emagrecedoras’

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) trabalhará em conjunto com a Polícia Federal (PF) na fiscalização de análogos de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A parceria, anunciada na terça-feira (5/5) durante evento da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), em Brasília, contará também com o apoio do Ministério da Saúde.

“Vamos dar todo suporte à Anvisa para que, em parceria com a PF, eles possam produzir laudos desses carregamentos. Temos informações de apreensões de produtos que sequer continham o GLP-1; eram placebo”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

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De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, as ações terão início imediato. “Com base nas apreensões ocorridas até agora, queremos monitorar e investigar esses medicamentos falsos para evitar que a população seja enganada”, destacou.

SUS

Padilha ressaltou que, ainda no final deste semestre, terão início os testes com a tecnologia dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). “Vamos realizar, por meio do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) — empresa hospitalar do Ministério da Saúde —, um protocolo de avaliação da utilização desses produtos. Sabemos que eles também podem ser usados no tratamento de outras enfermidades, como o câncer, por isso a importância de estudá-los”, pontuou o ministro.

O ministro mencionou ainda que a Anvisa tem dialogado com hospitais universitários federais, acionando uma rede de unidades sentinelas para o compartilhamento de informações sobre os análogos de GLP-1. A ideia é também consultar especialistas na área, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e de Diabetes, para colher o maior número de informações, reforçou Padilha.

“Muitas vezes as pessoas estão usando um produto como esse mobilizados por tema estéticos, quando nós estamos falando de medicações que podem desencadear outros efeitos”, frisou o Ministro da Saúde.

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Votação sobre normas

Um dia depois, na quarta-feira (6/5), o diretor da Anvisa Thiago Campos pediu vista do processo que define as normas para importação e manipulação de medicamentos análogos de GLP-1. O pedido ocorreu durante a 7ª Reunião Ordinária da Diretoria Colegiada (DICOL). Segundo Campos, o prazo de 180 dias previsto para a entrada em vigor da norma precisa de uma análise mais aprofundada antes da decisão final. No início da semana, o JOTA já havia antecipado que este ponto era um potencial de divergência entre diretores, assim como o destino dado para matéria-prima importada para formulação das canetas.

A proposta em análise pela Anvisa pretende ampliar o rigor das regras para manipulação desses compostos, numa reação aos abusos identificados desde o ano passado. No início do mês, diretores já haviam anunciado um plano de ação que incluía a mudança das regras. Uma minuta para discussão foi apresentada e, diante do descontentamento da indústria farmacêutica, uma nova versão foi apresentada. Esta segunda versão, embora tenha trazido avanços, ainda trazia dúvidas.

Com o pedido de vista, Thiago Campos tem o prazo de até duas reuniões da Diretoria Colegiada para devolver o processo e apresentar suas considerações. Em seguida, os diretores irão decidir pela validade da norma.

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