A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o governo federal pretende estimular, ainda em 2025, o debate no Congresso Nacional sobre mudanças na escala de trabalho 6×1. Segundo ela, a ideia é instalar uma comissão especial para discutir o tema, mesmo que a votação final ocorra apenas em 2026. “Gostaríamos que fosse uma pauta que iniciasse este ano. Se não conseguir vencer agora, colocar para o ano que vem”, afirmou.
A ministra participou do Fórum JOTA nesta sexta-feira (8/8) em São Paulo, evento com patrocínio da Amazon e da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), com apoio do Jusbrasil.
“A escala seis por um é muito perversa. É você trabalhar seis dias e tirar um dia para descanso, que não é descanso porque as pessoas têm questões pessoais para encaminhar. Penso muito nas mulheres, que chegam em casa nesse dia e ainda precisam cuidar da casa e dos filhos. Temos que trocar isso e ver a forma de fazer, ouvindo todos os setores”, disse. “É um tema muito importante e tem a ver com essas questões de justiça social e justiça econômica.
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Outro tema que o governo quer tratar no Legislativo ainda em 2025 é o de supersalários no serviço público. Gleisi classificou a discussão como “uma das propostas para o equilíbrio fiscal” e reconheceu que há forte resistência no Congresso devido ao lobby de setores beneficiados. “Já tem proposta em tramitação. Não é simples, porque existe pressão dentro do próprio Congresso”, disse.
A ministra também defendeu prioridade para medidas tributárias em análise, como a taxação de aplicações financeiras hoje isentas, aumento da alíquota em relação aos juros sobre capital próprio e elevação de impostos sobre jogos online. Para ela, essas medidas “trazem mais justiça social e tributária” e ajudam a financiar políticas públicas. Ela também negou que use o discurso de “ricos contra pobres”, e disse se tratar de “justiça social”.
2026
Gleisi Hoffmann afirma que a eleição presidencial de 2026 será “muito polarizada” e disse que o governo investirá em pautas como segurança pública e distribuição de renda até lá. Questionada sobre a possibilidade de o PT concorrer com Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela presidência em 2026, ela disse que “a gente não escolhe o concorrente” e com “quem vier vamos disputar a eleição, o Lula é o melhor candidato”.
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Questionada sobre a possibilidade de o vice-presidente Geraldo Alckmin disputar o governo de São Paulo, respondeu que “nada está descartado”, mas que não há discussão interna sobre o tema. “Na minha opinião, Haddad deveria disputar em São Paulo”, afirmou, acrescentando que eventuais alianças regionais serão negociadas com os partidos que compõem a base do governo.
“Desembarque”
A ministra ainda disse que o governo não tem conhecimento de acordos no Congresso para aprovar mudanças no foro privilegiado que retirem do Supremo Tribunal Federal (STF) a competência para julgar parlamentares federais. Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, do G1, o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) deve abraçar um acordo que está sendo costurado por Arthur Lira (PP-AL) sobre o tema. “As coisas não podem ser de ocasião. Quando interessa ter foro privilegiado, mantém-se. Quando não interessa, retira-se. Isso traz instabilidade jurídica e institucional”, disse a ministra.
Gleisi Hoffomann também admitiu que legendas como União Brasil e PP estejam “desembarcando” da base de Lula. “Mas eu não acredito que seja um desembarque total, eu acho que uma parte fica, pelo que eu tenho sentido dos ministros, de alguns atores importantes desses partidos”, afirmou. Além disso, acredita que, para quem ficar, o apoio deve permanecer até 2026.
“E também não há necessidade de essas legendas estarem integralmente conosco. É óbvio que seria melhor não estarem em outro campo, mas nós temos governabilidade”, disse. “Nós vamos construir essa aliança [para 2026] em cima daqueles que entendem que o governo dos meses anteriores está correto, está fazendo as coisas certas”.
‘Vergonha’, diz Hoffmann sobre embaixada dos EUA
No evento, a ministra de Relações Institucionais também chamou os comentários da Embaixada dos Estados Unidos sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “vergonha”.
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Na última quinta-feira (7/8), via redes sociais, a embaixada dos EUA no Brasil afirmou que “o ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”.
Para Gleisi Hoffmann, a postura dos EUA na ordem executiva que implementou o tarifaço contra o Brasil, em que também cita as eleições de 2026, mostra o país norte-americano “claramente querendo intervir na política brasileira”. “Isso nós não podemos permitir. Chega, já aconteceu isso uma vez no golpe de 64, não pode acontecer de novo. E ainda mais numa situação dessas em que fazem um questionamento sobre a nossa democracia, nossas instituições”, disse.
No entanto, ao ser perguntada sobre a possibilidade de Donald Trump desestabilizar o processo eleitoral no ano que vem, ela afirmou que “quem pode fazer isso aqui é a família Bolsonaro, se tiver muito apoio de setores internos, inclusive”. Ela defendeu também a cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados. “É uma vergonha o que esse menino está fazendo”.