O Partido dos Trabalhadores anunciou nesta segunda-feira (7/7) o ex-prefeito de Araraquara (SP) Edinho Silva como o novo presidente da legenda. Ele assume o cargo que vinha sendo ocupado pelo senador Humberto Costa (PE), interinamente, desde o início de março, após a deputada Gleisi Hoffmann se afastar da presidência do partido para integrar o governo Lula, como ministra da Secretaria de Relações Institucionais.
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O resultado foi anunciado por Humberto Costa, antes mesmo da conclusão do processo eleitoral interno, devido à vantagem superior a 60% do candidato. A vitória de Edinho é um passo para que o partido abra mais diálogo com outras frentes.
Edinho é considerado uma pessoa de confiança do presidente Lula, assim como Gleisi, que ficou sete anos no cargo e teve papel determinante nos anos de prisão de Lula. É esperado que o perfil de liderança apresente uma mudança sutil. Gleisi adotou uma postura combativa e de defesa enfática de Lula. Edinho também continuará a defender Lula, mas, considerando que o partido está em outro momento, é esperada uma postura mais conciliadora.
Ele tem histórico de bom relacionamento, inclusive com líderes de centro-direita, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Gilberto Kassab (PSD). Durante a pandemia, mantinha bom relacionamento com o então governador de São Paulo, João Doria (PSDB).
Desde o ano passado, ele vem reforçando a necessidade de “baixar a temperatura da polarização” e de o PT deixá-la para trás. Esse discurso não é novo, em 2015, quando ele era ministro da Comunicação Social, no governo de Dilma Rousseff, já falava que era preciso aproximar governo e oposição, de um jeito que pudesse haver críticas, mas que se pensasse no país.
Em março deste ano, já em campanha pela presidência do partido, Edinho reconheceu que seu discurso encontra obstáculos, mas o defendeu. “Toda vez que eu falo no PT que nós precisamos sair da polarização, sou duramente atacado por algumas lideranças como se romper com a polarização significasse recuar politicamente. Não é isso. Só penso que, em uma sociedade já polarizada, insistir nisso indefinidamente vai cristalizar ainda mais as opiniões. [Com as] opiniões cristalizadas, a fotografia atual não será alterada”, disse, em evento na Fundação Fernando Henrique Cardoso.
Essa postura apaziguadora é tida por aliados como determinante para que Edinho enfrente um de seus principais desafios de sua gestão na legenda, que é a busca por palanques. Com o início do mandato em ano pré-eleitoral, Edinho terá como missão formar alianças em torno do nome do presidente Lula. Terá que abrir diálogo com partidos da base e com eleitores que não votaram em Lula nas eleições passadas, sem perder contato com o eleitor do presidente.
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Um grupo ao qual o partido busca se aproximar são o de trabalhadores por aplicativo. No mesmo evento na Fundação FHC, Edinho adiantou que “um dos grandes desafios que enfrentamos no PT é entender e dialogar com essa nova classe trabalhadora”. “Qual a política do governo para os motoboys, os motoristas de Uber? Eles não se veem como trabalhadores, mas como empreendedores. O PT, que nasceu do sindicalismo, não tem diálogo com esse grupo. Houve algumas tentativas, mas perdemos o debate”, disse.
Discurso à esquerda
O PT aguardava a definição do presidente para unificar o discurso e traçar estratégias de comunicação. Entretanto, a crise gerada com os decretos do IOF fez o partido se antecipar e dar uma guinada à esquerda. A expectativa inicial com a escolha de Edinho para o comando do partido era outra, de uma busca por moderação. Edinho, entretanto, tem afirmado que não vê o diálogo interditado.
Além de ex-ministro da Comunicação no governo Dilma, Edinho, 60 anos, foi prefeito de Araraquara por quatro mandatos, vereador por dois mandatos e deputado estadual. É formado em Ciências Sociais pela Unesp de Araraquara e mestre em Engenharia de Produção pela UFSCar, e filiado ao PT desde 1985.