As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros mudaram o cálculo de milhares de exportadores. Diante da perda de competitividade no mercado norte-americano, empresas de diferentes portes e setores passaram a olhar com mais urgência para outros compradores internacionais, dos vizinhos latino-americanos à Ásia, passando pela Europa e pela África.
Para acelerar a adaptação das estratégias comerciais e apoiar as empresas na conquista de novos mercados, a ApexBrasil lançou o Plano de Diversificação de Exportações. A iniciativa prevê investimento de R$ 210 milhões e apoio a cerca de 5,3 mil empresas de 35 setores estratégicos afetados pelas medidas tarifárias americanas. Do total de recursos, R$ 120 milhões serão destinados a ações realizadas em parceria com entidades setoriais e R$ 90 milhões a iniciativas conduzidas diretamente pela Agência.
“A diversificação sempre foi uma estratégia essencial para a ApexBrasil no planejamento de ações, visando reduzir riscos para as empresas exportadoras e consequentemente à economia do país, bem como fortalecer a competitividade brasileira no comércio internacional”, afirma Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.
Müller faz questão de separar diversificação de ruptura. O que ocorreu, aponta o presidente da Agência, é que as tarifas aceleraram um movimento estratégico para o país, aumentando a urgência de setores expostos a um único mercado em buscar alternativas. Assim, a atuação tem sido em duas frentes simultâneas: na abertura de novas possibilidades em outros mercados e no trabalho para ampliar isenções e preservar as exportações brasileiras que continuam viáveis aos Estados Unidos.
“O mercado norte-americano continua sendo extremamente importante para as empresas brasileiras, e a ApexBrasil segue trabalhando para o pleno acesso brasileiro àquele mercado”, diz. Paralelamente, a ApexBrasil pretende atuar junto a compradores americanos para mostrar que o aumento das tarifas prejudica o mercado dos EUA.
Atualmente, o Brasil exporta para mais de 200 destinos e o momento é de identificar onde existem novas oportunidades e conectar a oferta brasileira à demanda internacional. Essa busca vai beneficiar, principalmente, pequenas e médias empresas, que correspondem a mais da metade das cerca de 24 mil empresas atendidas pela ApexBrasil.
Onde estão as novas oportunidades
A ApexBrasil mapeou 36 mercados prioritários no âmbito do plano. Entre os destinos que vêm recebendo atenção estão Canadá, México, Alemanha e Turquia, além de países da África, como África do Sul, Nigéria e Etiópia, e da Ásia, como Índia, Indonésia, Cingapura e China. A Europa também é vista como uma frente relevante, especialmente diante das possibilidades abertas pelo acordo Mercosul-União Europeia. Os setores contemplados vão do agronegócio a alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos, madeira, calçados, couro, frutas, higiene pessoal, embarcações e diversos segmentos da indústria de transformação.
O mapeamento de mercados e setores é o primeiro passo de uma estratégia de diversificação, mas a entrada em novos países exige preparação, como aponta Maria Paula Sobral Velloso, diretora de negócios da ApexBrasil. “É preciso investir em planejamento e inteligência de mercado”, afirma. Por isso, as empresas precisam identificar os mercados mais aderentes a seus produtos, adequar processos e certificações quando necessário, construir uma presença internacional consistente e conhecer profundamente o consumidor e os compradores de cada destino, avaliando se o produto exige adaptações, certificações ou mudanças de embalagem.
De prospecção a negócio fechado
Depois de encontrar um comprador, Müller afirma ser necessário identificar parceiros comerciais confiáveis, entender requisitos regulatórios e sanitários, adaptar produtos e, em alguns casos, resolver questões de logística e certificação.
Nesse ponto entram as soluções oferecidas pela ApexBrasil que incluem reuniões de negócios presenciais e virtuais, participação em feiras internacionais, a Bolsa Exportação, consultoria especializada, o programa Buy Brazil e projetos setoriais. A Agência também mantém uma carteira de mais de 2 mil compradores internacionais e uma rede de escritórios no exterior usada para conectar empresas brasileiras a esses compradores.
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“A grande diferença está em transformar informação em ação comercial”, resume Velloso. Segundo ela, as orientações da ApexBrasil ajudam a empresa a entender requisitos técnicos e oportunidades de mercado, as feiras internacionais permitem apresentar produtos diretamente a compradores, as rodadas de negócios geram contatos qualificados, as missões empresariais aproximam exportadores de parceiros estratégicos, inclusive governamentais, e as ferramentas de inteligência comercial apontam os mercados com maior potencial para cada produto ou serviço. O objetivo desse conjunto de ações, diz, é reduzir custos de entrada e encurtar o tempo de prospecção.
Um exemplo citado por ela é o Exporta Mais Brasil. Na edição recente voltada à Amazônia, 13 compradores de 11 países participaram de rodadas de negócios com empresas da região, gerando R$ 14 milhões em negócios. Há, ainda, o cuidado de não trocar uma dependência por outra. “A ideia é construir uma carteira mais equilibrada de mercados, aumentando a resiliência das empresas brasileiras diante das mudanças da economia mundial”, diz Müller.
Resultados aparecem, mas consolidação leva tempo
A consolidação de um novo mercado costuma levar de 12 a 24 meses, considerando prospecção, negociações, adequações técnicas e construção de relações comerciais. Mas o movimento de diversificação já é mensurável: levantamentos da Agência mostram que 72% das empresas apoiadas que exportam para os Estados Unidos acrescentaram pelo menos um novo mercado entre junho de 2025 e maio de 2026.
Os números do comércio exterior brasileiro no primeiro semestre de 2026 ilustram esse redirecionamento. O país exportou cerca de US$ 220 bilhões no período, ante aproximadamente US$ 200 bilhões no mesmo intervalo do ano anterior. Enquanto as exportações para os Estados Unidos recuaram cerca de US$ 2,9 bilhões, outros destinos cresceram. As vendas para a Europa aumentaram US$ 3,1 bilhões, para a Índia, US$ 2,7 bilhões, e para a China, US$ 11,3 bilhões.
Questionada sobre como o plano será avaliado, Velloso afirma que o critério não é apenas o número de empresas atendidas. “O objetivo é transformar a prospecção em negócios, ajudando empresas brasileiras a conquistar novos clientes, novos mercados e maior presença internacional”, diz. Os indicadores citados por ela incluem a participação em ações de promoção comercial, a abertura de novos mercados, a geração de contatos comerciais, o número de destinos atendidos por cada empresa e, por fim, o crescimento das exportações efetivamente realizadas. São métricas que poderão ser checadas com o tempo.
Saiba mais sobre o Plano de Diversificação de Exportações da ApexBrasil em www.apexbrasil.com.br/diversificacao.