A dois meses do primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro, e a duas semanas do início oficial da campanha, a pesquisa BTG/Nexus mostra uma eleição mais competitiva. Após a convenção do PL que confirmou Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência, o senador registrou crescimento nas intenções de voto, diminuindo a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro e no segundo turno.
No primeiro turno, Lula recuou de 42% para 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 33% para 37%. Com isso, a vantagem do presidente caiu de nove para quatro pontos percentuais, a menor desde março.
Entre as alternativas de direita, todos ficaram estáveis, com oscilações de -1pp para Ronaldo Caiado (PSD), que agora tem 5%, e Renan Santos (Missão), com 4%. Romeu Zema (Novo) permaneceu com os mesmos 3%.
A consolidação das preferências avança à medida que a eleição se aproxima. Três em cada quatro eleitores que já escolheram um candidato afirmam que sua decisão é definitiva, enquanto apenas 23% admitem a possibilidade de mudar de voto – o menor percentual da série histórica da BTG/Nexus. O aumento da firmeza das escolhas indica uma eleição mais cristalizada, na qual oscilações tendem a ser mais difíceis e depender principalmente de fatos ao longo da campanha e da participação eleitoral no dia da votação.
No segundo turno, as mudanças também ocorreram e reduziram a distância entre os dois principais candidatos. Lula oscilou de 47% para 46%, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 43% para 45%. A vantagem do presidente caiu de quatro para dois pontos percentuais.
A rejeição dos dois candidatos convergiu. Lula passou de 48% para 49%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 50% para 49%, resultando em empate numérico. Todas as oscilações permanecem dentro da margem de erro.
Abstenção pode ser decisiva
O histórico de comparecimento às urnas ajuda a explicar parte da disputa. Entre os eleitores que votaram no primeiro turno de 2018 e de 2022, Flávio tem leve vantagem (46% a 44%). Já entre aqueles que compareceram em apenas uma dessas eleições, Lula lidera com folga (55% a 34%). Entre os que se abstiveram nas duas últimas eleições, o presidente também aparece à frente (47% a 43%).
Em resumo, os números aferidos sugerem que Flávio depende mais do eleitorado de comparecimento consistente, enquanto Lula apresenta maior capacidade de atrair eleitores com histórico de participação irregular ou de abstenção, reforçando a importância da mobilização desses grupos na reta final da campanha.
Polarização deixa pouco espaço para migração de votos
O cruzamento entre potencial de voto e rejeição revela um eleitorado dividido em dois blocos praticamente iguais. Quatro em cada dez eleitores aceitam apenas Lula (42%), proporção praticamente igual à dos que aceitam apenas Flávio Bolsonaro (41%). Em contrapartida, apenas 13% permanecem fora dessa divisão, seja porque poderiam votar em ambos (6%) ou porque rejeitam os dois (7%). Isso sugere que a disputa tende a ser decidida menos pela migração de votos entre os dois polos e mais pela capacidade de cada campanha de mobilizar sua base e conquistar o reduzido contingente de eleitores ainda não totalmente alinhados.
Popularidade do governo
Na aprovação do governo, o quadro segue praticamente estável. A aprovação de Lula permaneceu em 47%, enquanto a desaprovação recuou de 49% para 48%, mantendo um cenário de equilíbrio entre avaliações positivas e negativas.
Na avaliação do governo, feita por conceitos, 37% classificam o governo Lula como ótimo ou bom, 18% o consideram regular e 43% o avaliam como ruim ou péssimo, indicando a manutenção de um saldo negativo na avaliação do governo.
A Nexus entrevistou, por telefone, 2.002 pessoas entre os dias 31 de julho e 2 de agosto. A pesquisa foi contratada pelo BTG Pactual e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02874/2026.