Com ingressos open bar, Missão promove candidatura de Renan Santos à Presidência

O partido Missão, criado pelos fundadores do MBL, fez seu primeiro congresso nacional neste sábado (1/8), em São Paulo, apesar de o candidato presidencial do partido, Renan Santos, já ter sido lançado em uma convenção online em 20 de julho.

O evento presencial tentou criar um clima de direita festiva: foi feito em um espaço para baladas, teve área VIP, bastões fluorescentes e mezanino com open bar de cerveja.

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Apesar de o local do evento estar cheio, a área VIP, com ingressos de até R$ 7 mil, ainda tinha algumas cadeiras vazias depois de 3 horas de evento — que foram preenchidas com algumas pessoas da área comum, realocadas para perto do palco antes do discurso de Renan Santos. 

A onça, que é usada no logo do partido criado no passado, estava em todo lugar, inclusive na roupa de algumas militantes, que vieram com vestidos de oncinha.

O público foi majoritariamente de homens entre 30 e 40 anos. Alguns usavam a camiseta com o slogan “prendeu, matou” e outros com referências nerds, como aos Cavaleiros do Zodíaco, ao videogame Sonic — e até uma bandeira e chapéu de palha do anime japonês One Piece. 

Os homens também foram maioria entre os mais de doze discursos no palco. A única mulher a falar, a vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo, teve apenas cinco minutos, bem menos do que outros membros de destaque do partido.

O deputado federal Kim Katagiri apresentou o programa de governo — nomeado “Livro Amarelo” . Ele falou ao mesmo tempo de fim de benefícios sociais, de Estado Novo e de reformas de base (no caso, melhorias na infraestrutura, não as reformas de Jango nos anos 1960). 

Kataguiri também falou que a Missão foi o único partido bancado por apoiadores, já que não tem acesso ao Fundo Eleitoral — mas não citou os mais de R$ 3 milhões recebidos pelo partido do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para as Eleições (FEFC).

O candidato a vice-presidente, o militar da reserva Aroldo Medina, emulou Jânio Quadros levando uma vassoura para o palco e falou da importância da autoridade masculina em casa. 

Ao JOTA, Medina disse que resolveu “aprimorar o gesto de Jânio”, que muitos jovens não devem lembrar, e que a metáfora “deve render muitos memes”. 

Boa parte do evento foi dedicada a apresentar o candidato presidencial do partido, com depoimentos de outros filiados dizendo que ele foi responsável por derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016.

O MBL foi um dos movimentos que surgiram durante os protestos pelo impeachment — e é hoje o mais bem sucedido. 

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Também foi exibido um vídeo sobre a história de Renan Santos — com depoimentos de família, colegas e amigos — que comparou o candidato ao líder macedônio Alexandre, o Grande. 

O candidato a vice-presidente Aroldo Medina disse que Renan é um autodidata e que, apesar de não ter diploma universitário, ele “assusta Flávio Bolsonaro e Lula com sua inteligência e intelectualidade”. 

Glorioso e distante

Apesar do slogan “O Futuro Será Glorioso”, membros reconheceram que a candidatura neste ano tem poucas chances e é uma forma de projetar o partido para o futuro.

No camarote, o candidato ao governo de Minas Gerais, o advogado Ben Mendes, dizia a um colega que, nesta eleição, a expectativa era perder, mas para construir o partido nos próximos quatro anos. 

No palco, o mestre de cerimônias afirmou que o evento era “o começo daqueles que escolheram perder” com Renan, “mas para construir um projeto de longo prazo.”

Já o discurso de Renan Santos foi bastante focado em criticar o PT e Flávio Bolsonaro — apesar de dizer que o partido não se define apenas em relação à oposição aos adversários. 

“O sonho do PT era tão forte que aos outros sobrou se nomear antipetista”, disse Renan. “E nós fomos condenados por esse sonho maldito.”  Ele também chamou os bolsonaristas de “ratos que se vestem de verde-amarelo” e se apropriam dos símbolos nacionais. 

O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, também foi bastante criticado, tratado como traidor — e recebeu tantas vaias quanto Lula e Flávio Bolsonaro. 

Renan disse que passou por um inferno para defender suas ideias, falou em censura e cancelamentos e disse que os militantes foram vítimas de “ridicularização” e zombaria ao tentar montar o partido. 

“Nós estudamos mais do que todo mundo, nós sofremos mais do que todo mundo”, afirmou. 

Renan Santos disse também que pretende “transformar favelas em bairros e favelados em cidadãos”. Depois ele esclareceu, dizendo que seu objetivo é que as pessoas que moram em favelas tenham acesso real aos direitos dos quais são titulares.

O candidato também falou sobre segurança pública, tema em que seu discurso é mais duro. “Ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”, disse. 

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