JOTA Principal: Lula tem vantagem em relação a Flávio na reta final de definição de palanques estaduais

Esta é a versão online da newsletter JOTA Principal. Quer receber as próximas edições e acompanhar os principais temas do momento? Cadastre-se gratuitamente!

Bom dia!

Os pré-candidatos começam a se transformar em candidatos — e as negociações de palanques estaduais são fundamentais para articulações nacionais, já que tudo está interligado.

Nesse sentido, Lula apresenta vantagem em relação a Flávio Bolsonaro, que ainda não tem candidato a vice definido e enfrenta problemas nos principais colégios eleitorais, conforme Fabio MuraKawa e Marianna Holanda mostram nas duas primeiras notas.

No Tribunal Superior Eleitoral, representantes da pré-campanha do PL se reuniram com Nunes Marques e ajuizaram uma ação que busca revelar uma suposta rede de impulsionamento de conteúdo negativo contra Flávio Bolsonaro. É mais um exemplo de como a Justiça Eleitoral terá papel central no pleito.

Enquanto isso, Renan Santos, fã de Bob Dylan e presidenciável do Missão, concilia a política com o lançamento de sua banda — Carolina Maingué Pires relata na nota 6.

Boa leitura.

O PONTO CENTRAL

1. Pragmatismo e capilaridade

Às vésperas das convenções nacionais que devem oficializar as candidaturas, a corrida presidencial começa a revelar uma diferença importante em relação à eleição de 2022, Fabio MuraKawa e Marianna Holanda analisam no JOTA PRO Poder.

O presidente chega com uma rede de alianças estaduais mais ampla e organizada — fruto de uma estratégia pragmática de abrir mão de candidaturas próprias para ampliar sua presença.
O senador, por outro lado, ainda tenta, com muita dificuldade, transformar a força eleitoral do bolsonarismo em uma coalizão partidária ampla.

Por que importa: O cenário inverte parte da lógica da eleição passada.

Flávio deve chegar à convenção sem um nome para vice, isolamento que pode se traduzir em menor tempo de TV em comparação ao de Lula.
Caso permaneça apenas com o PL em sua aliança nacional, ele teria 20% menos inserções do que o petista.
Lula também carrega fragilidades importantes, especialmente em estados decisivos como Minas Gerais e São Paulo.
Em 2022, Lula precisou montar uma frente ampla nacional para romper o isolamento histórico do PT, enquanto Jair Bolsonaro conseguiu unificar a direita em torno de sua candidatura.

Quatro anos depois, os papéis mudaram.

Lula deixou de ser o candidato que buscava ampliar sua legitimidade e passou a atuar como articulador de coalizões regionais.
O PT abriu mão de candidaturas próprias em diversos estados para apoiar nomes de PSD, MDB, PSB, PDT e, em casos pontuais, até de União Brasil, PP e Republicanos.
O PL de Flávio adotou estratégia semelhante nos estados.
Em âmbito nacional, porém, enfrenta dificuldades que o pai não teve há quatro anos.
O senador herdou boa parte do eleitorado bolsonarista, mas não conseguiu levar para a disputa presidencial a rede de apoios construída em 2022.

UMA MENSAGEM DO SINDIGÁS

Diferenciação de preços do GLP gerou distorções

Crédito: Ricardo Botelho/MME

Até o início dos anos 2000, o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) era administrado e fixado, no produtor, pelo Governo Federal. A Petrobras comercializava o produto por valores definidos em tabelas oficiais e era compensada financeiramente por meio da Parcela de Preço Específico (PPE), mecanismo criado para neutralizar diferenças entre preços decididos de forma política e custos de mercado.

Com o encerramento desse sistema, os preços passaram gradualmente a refletir as condições de mercado. Diante das pressões decorrentes da variação observado no preço do GLP ao consumidor final, a Petrobras passou, em 2003, a praticar preços diferenciados conforme o destino comercial do GLP. A prática foi posteriormente formalizada pela Resolução CNPE 4/2005.

Ao longo dos anos, consumidores de GLP comercializado em embalagens superiores a 13 kg e a granel chegaram a pagar ágios superiores a 85% em relação ao mesmo produto vendido para ser comercializado em botijões de até 13kg. Tratava-se do mesmo GLP, com a mesma especificação técnica, diferenciando-se apenas a embalagem na qual seria comercializado.

2. Problemas até no Rio

Flávio Bolsonaro tira selfie no Cristo Redentor, com o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara ao fundo / Crédito: Buda Mendes/Getty Images – 1º.mar.2021

Essa diferença entre as campanhas aparece com nitidez nos maiores colégios eleitorais, MuraKawa e Holanda prosseguem na análise. São Paulo: É onde Flávio tem seu principal ativo, enquanto permanece como ponto vulnerável de Lula.

O alinhamento do senador ao governador Tarcísio de Freitas oferece o palanque mais robusto da campanha, com convergência entre as disputas estadual e presidencial.
Já o presidente tem uma chapa considerada forte, mas Fernando Haddad corre o risco de não chegar ao segundo turno.

Minas Gerais: Ambos enfrentam dificuldades, embora para Lula o cenário seja mais delicado.

Após o fracasso das negociações para lançar Rodrigo Pacheco, o PT optou por uma candidatura própria.
Embora o deputado Patrus Ananias seja um quadro histórico, a rejeição ao partido no estado, construída durante a gestão de Fernando Pimentel, pode se refletir em um palanque magro para o presidente em um estado-chave.
Flávio também encara obstáculos: o Republicanos trabalha com a possibilidade de o senador Cleitinho ser candidato ao governo com apoio do PL, mas integrantes da legenda bolsonarista dão como certo que ele não aceitará a empreitada.
O mais provável é que Flávio tenha um candidato mais fraco e menos conhecido, de seu próprio partido.

Rio: O cenário é mais complexo do que a tradição eleitoral da família Bolsonaro sugeriria.

Embora continue competitivo, Flávio não conseguiu montar um palanque estadual sólido.
Os nomes anunciados no início do ano desistiram por motivos jurídicos, policiais ou de foro íntimo.
Lula tenta explorar essa fragmentação, intensificando agendas e buscando alianças com forças de centro, como o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).

🔮 O que observar: O quadro que se desenha às vésperas das convenções é de assimetria e vantagem relativa para Lula.

O petista converteu pragmatismo em capilaridade e tem como um de seus principais ativos a neutralidade dos partidos do centrão, cenário que dificulta Flávio de ampliar sua exposição eleitoral.
O senador carrega o capital simbólico do bolsonarismo, mas ainda não demonstrou capacidade de expandi-lo.

3. Bucaneiros da web

Valdemar Costa Neto cumprimenta Rogério Marinho em encontro de parlamentares do PL / Crédito: Beto Barata/PL

O PL pediu ao TSE uma investigação contra uma suposta rede de impulsionamento de conteúdos negativos contra Flávio Bolsonaro, Lucas Mendes registra no JOTA.

O partido quer um rastreamento das atividades dos perfis, com determinação para quebras de sigilo direcionadas à Meta, dona de Instagram, WhatsApp e Facebook.
O objetivo é identificar patrocinadores, administradores e responsáveis.
Representantes da pré-campanha estiveram ontem (20) com o ministro Nunes Marques, presidente do tribunal, para tratar do assunto.
Segundo o senador Rogério Marinho, além de Flávio, são alvos os governadores de São Paulo e de Santa Catarina, Tarcísio de Freitas e Jorginho Mello, pré-candidatos à reeleição.

Aliás… Valdemar Costa Neto disse ao Supremo Tribunal Federal que não tem “cota” e nem “poder jurídico” para indicar emendas, e que faz “sugestão política” a parlamentares do PL.

“A eventual sugestão é não vinculante, pode ser acolhida, alterada ou rejeitada e não produz qualquer efeito sem a atuação autônoma do parlamentar, da liderança parlamentar, da bancada e da comissão temática”, argumentou sua defesa ao ministro Flávio Dino. Leia mais.

4. Decantação

Donald Trump na final da Copa do Mundo / Crédito: David Ramos/Getty Images

Além de sobretaxar as exportações brasileiras em 25%, os Estados Unidos devem aplicar no fim da semana uma nova sobretaxa de 12,5% sobre parte da pauta exportadora.

O novo percentual, que afetará outras 59 nações, é resultado da investigação comercial aberta neste ano para justificar o que analistas chamam de nova taxa global, depois que a Suprema Corte derrubou o tarifaço criado no ano passado.
Os novos percentuais, que variam de 10% a 12,5%, tomarão o lugar da taxa de 10% instituída em fevereiro deste ano, com prazo de 150 dias, após a decisão judicial.
Também há previsão de uma lista de exceções para essa nova sobretaxa.

Por que importa: Dentro do governo, existe a avaliação de que, passada a efervescência do anúncio americano, o momento é de decantação, balanço e recalibragem da estratégia, Vivian Oswald analisa no JOTA PRO Poder.

Pouco ou nada deve acontecer até a eleição.
Também não há tempo hábil até o pleito para que eventuais medidas de reciprocidade passem a vigorar.
Além disso, usá-las agora aumenta o risco comercial de novas retaliações por parte dos Estados Unidos e o risco político de o público passar a entender a inflexibilidade do governo como causa do tarifaço.
No documento sobre a medida, o USTR deixou clara a ameaça de punir o Brasil com novas penalidades caso o país decida seguir o caminho da retaliação.
Isso explica a insistência de que a Lei da Reciprocidade está sendo considerada, mas só será acionada de fato no momento adequado, depois de ouvidos os setores econômicos.

5. Brasil Soberano, até agora

Dados divulgados neste mês mostram como foram usados até agora os recursos do programa Brasil Soberano, criado para mitigar efeitos do tarifaço e que o governo estuda ampliar, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.

O setor de alimentos é líder absoluto das contratações, respondendo por 21% do total, e a maior procura é por financiamento de capital de giro.

🔭 Panorama: Até o fim de 2025 foram distribuídos R$ 19,6 bilhões, quase 90% dos R$ 22 bilhões repassados pelo FGE (Fundo de Garantia à Exportação) no ano passado, segundo levantamento do BNDES, responsável pelo programa.

Foram mais de 1.000 operações, com destaque para o capital de giro.
As grandes empresas dominam os recursos, com R$ 13,3 bilhões.
O relatório do BNDES também mostra que a concentração setorial tem forte componente regional.
São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná somaram 67% dos recursos aprovados.
As empresas que usaram recursos tiveram aumento no número de empregados, embora o BNDES ressalte que é necessário mais tempo para ver se o movimento se estabiliza.

6. How many roads must a man walk down…

Renan Santos, do Missão, em show de sua banda em São Paulo / Crédito: Missão/Divulgação

Compositor, vocalista, guitarrista, gaitista e candidato à Presidência da República.

Em frente ao Cemitério São Paulo, na Vila Madalena, uma escadinha estreita leva a um estúdio musical em que a banda toca no nível da plateia — que curte o show ali mesmo ou em meio a tragadas, no fumódromo contíguo.
É o inferninho A Porta Maldita, onde Renan Santos, o ex-deputado estadual Arthur do Val e outros integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) promoveram um show da banda Limão Rosa, liderada pelo presidenciável.

Santos diz que o novo álbum não faz parte de sua estratégia eleitoral — e que música e política seguirão como atividades separadas, Carolina Maingué Pires escreve no JOTA.

“Tem um elemento de a gente ajudar a educar a sensibilidade do nosso público. Eu acho que o movimento de direita não é muito voltado a perspectivas estéticas fora da caixa”, ele diz.
O Spotify, no qual tem cerca de 38 mil ouvintes mensais, também ajuda a fazer o som chegar a outros espaços: “A gente caiu numa bolha de rock indie que não tem nada a ver com o MBL”, resume.

Inspiração na política, o presidente argentino, Javier Milei, faz música “cafona”, segundo o candidato do Missão.

Marc Bolan, vocalista da banda glam T-Rex, Strokes e Bob Dylan — eles, sim, são referências musicais.
“É o meu ídolo”, diz Renan Santos, sobre o autor de “Blowin’ in the Wind”.

Aliás… Renan Santos antecipou para ontem (20), em convenção online, a oficialização de sua candidatura.

O candidato disse que a antecipação foi motivada por segurança, já que os presidenciáveis podem contar com a proteção da Polícia Federal durante a campanha.
A principal ameaça teria partido de grupos criminosos do Ceará após o político cumprir agenda em Fortaleza, na semana passada. Leia mais.

JOTINHAS

7. Indústria de saúde e mais

Lula sancionou ontem (20) a lei que cria a Estratégia Nacional de Saúde do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. A norma, originada no Projeto de Lei 2583/2020, estabelece diretrizes para a fabricação de medicamentos, equipamentos e insumos médicos no Brasil. O texto altera a Lei de Licitações e a Lei Orgânica da Saúde para diminuir a dependência de importações no setor. O texto incentiva a fabricação local de Insumos Farmacêuticos Ativos, que consistem na substância química base para a composição de remédios. A norma também abrange a produção de itens como EPIs, ventiladores pulmonares e camas de hospital. Leia mais.
A AGU e a PGR se manifestaram a favor das alterações promovidas pelo decreto 12.712/25, que impõe novas regras e sanções às operadoras de vale-alimentação e vale-refeição no âmbito do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). As manifestações ocorreram nos autos da ADI 7.962, em que a ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador) requereu a derrubada de dispositivos da norma. Na ação, a associação defende que o decreto extrapolou os limites do poder regulamentar e violou os princípios constitucionais de reserva de lei, da livre iniciativa, da proporcionalidade e da razoabilidade. O caso foi distribuído à ministra Cármen Lúcia. Leia mais.
A Receita Federal publicou na última quinta (15) dois novos editais de transação tributária para débitos em contencioso administrativo. Um dos editais é voltado a dívidas de até R$ 50 milhões, enquanto o outro contempla débitos tributários de pequeno valor. As adesões poderão ser feitas até 30 de outubro de 2026 por meio do Portal de Serviços do fisco. Leia mais.
Nunes Marques acolheu um pedido da Buser e autorizou a empresa a voltar a operar no Paraná. O ministro aplicou efeito suspensivo ao recurso em que a companhia de fretamento de viagens interestaduais por aplicativo contesta a proibição de atuar no estado. Na decisão, o magistrado disse que a continuidade da proibição poderia impactar a segurança jurídica, “uma vez que os investidores podem se sentir coibidos a investirem em inovações tecnológicas no Brasil”. Leia mais.

Generated by Feedzy