O presidente Lula (PT) participou nesta segunda-feira (20/7) da convenção nacional do PDT na sede do partido em Brasília. É a primeira agenda pública da pré-campanha do chefe do Executivo, que concorrerá ao seu quarto mandato nestas eleições.
O evento marcou o anúncio formal do apoio do PDT à reeleição do presidente Lula. Recebido pelos pedetistas sob gritos de “olê, olê, olá, Lula, Lula!” e com o público fazendo o símbolo da letra “L” com as mãos, o presidente participou da primeira convenção partidária do calendário eleitoral. Esta segunda-feira marca o início do período em que os partidos podem realizar suas convenções – o prazo se estende até 5 de agosto.
“Temos orgulho de sermos o primeiro partido a dizer: votamos Lula, votamos 13”, disse o presidente do PDT, Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência do Lula 3. Lupi saiu do governo depois do escândalo das fraudes do INSS, em maio do ano passado.
Em discurso, Lula afirmou estar “feliz” com a decisão do PDT de apoiar sua candidatura à reeleição e disse que a disputa deste ano será pautada pela defesa da soberania nacional e da democracia. Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que o grupo político do seu antecessor “destruiu o país” e que seu governo precisou “recompor tudo outra vez”.
Também fez uma referência indireta ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal opositor nesse pleito, ao criticar brasileiros que, segundo ele, recorrem aos Estados Unidos para pedir sanções contra o Brasil. Lula disse que “antes, traidor era enforcado” e que hoje há “vários traidores” agindo contra os interesses do país.
Ainda sugeriu que o governo dos Estados Unidos estaria apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro e, citando nominalmente o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que “quem quiser vir, que venha (acompanhar as eleições de outubro)” porque o resultado será decidido pelos brasileiros nas urnas.
“Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que venha e monte um comitê porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país”, disse Lula.
O presidente do PT, Edinho Silva, também participou da convenção. Ele disse que “historicamente não tem nenhuma eleição mais importante” do que a que ocorrerá em outubro.
PT e PDT já compuseram uma chapa juntos na candidatura ao Palácio do Planalto, em 1998, quando Brizola foi candidato a vice de Lula – em disputa vencida por Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno. A dobradinha foi relembrada por Lupi. Durante sua fala no evento, Lula falou de Brizola. Disse que o Brasil sente falta de um político como ele e que mesmo quando brigavam, nunca deixaram de ser amigos.
No evento, lideranças pedetistas agradeceram o governo Lula e citaram marcos da terceira gestão do presidente. Também foi demandado do presidente o apoio a pautas caras ao partido. “O PDT é Lula, mas o PDT é acima de tudo soberania e crescimento econômico”, disse o ex-senador e ex-governador do Paraná Roberto Requião, pré-candidato à Câmara dos Deputados.
Houve pedidos por um fundo soberano para destinação dos mineiros e terras raras para a educação e o esporte e o apoio a pautas trabalhistas, como o fim da escala 6×1 sem redução salarial e a revisão da reforma trabalhista.
É a primeira vez desde as eleições de 2018 que o PDT não lança um candidato próprio para o Palácio do Planalto. Nos dois pleitos anteriores, Ciro Gomes foi o nome do partido. Ele deixou a sigla em outubro e se filiou ao PSDB. É candidato ao governo do Ceará.
O ex-pedetista foi mencionado pelo deputado André Figueiredo, presidente do PDT no Ceará e líder do partido na Câmara. Figueiredo respondeu a críticas de que o êxito da sigla teria acabado no estado com a saída de Ciro: “(Dizem que) o PDT morreu. Morreu nada. Voltamos a ser quem éramos”. O deputado afirmou que o partido voltou a ser o “PDT raiz” e “autêntico”.
Palanque do PDT
O partido reforçou suas candidaturas para este pleito. A sigla lançará como candidatos aos governos estaduais Alexandre Kalil (MG), Juliana Brizola (RS) e Requião Filho (PR). Na disputa pelo Senado, as principais apostas são Marília Arraes (PE), Leila do Vôlei (DF), Edvaldo Nogueira (SE), Weverton Rocha (MA), Eliziane Gama (MA), Celso Sabino (PA), Rafael Motta (RN) e Acir Gurgacz (RO).
Entre as lideranças nacionais e regionais da legenda, também participaram o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz; os deputado Mário Heringer (MG) e Félix Mendonça Júnior (BA), todos pré-candidatos à reeleição para a Câmara dos Deputados; e a deputada estadual Martha Rocha (RJ), pré-candidata a deputada federal.