A nova rodada de pesquisa da consultoria Indexa mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega a 100 dias da eleição em situação melhor do que estava há um mês – e pior do que gostaria. A resistência à reeleição do presidente caiu oito pontos percentuais, de 59% para 51%.
Porém, o resultado aferido na pesquisa mostra que a rejeição absoluta ao presidente subiu de 46% para 49%. Os números avançam em uma frente, recuam em outra e, nos temas que mais importam ao eleitor, nenhum candidato consegue abrir vantagem significativa, mostra o estudo.
Menos resistência, mas rejeição maior
O principal sinal positivo para o governo está no indicador de “merecimento” de continuidade do mandato. Em maio, 59% dos eleitores afirmavam que Lula não merecia mais quatro anos no posto. Na nova rodada, esse percentual caiu para 51% – uma redução de oito pontos percentuais. O apoio à reeleição, no entanto, permaneceu estável em 36%. Os números mostram que a resistência diminuiu; o entusiasmo, não.
O contraponto aparece nos indicadores de potencial eleitoral. Lula e Flávio Bolsonaro (PL) registram exatamente o mesmo índice de rejeição: 49%. Em relação à rodada de maio, ambos pioraram. Naquele momento, Lula era rejeitado por 46% dos eleitores, enquanto Flávio registrava 47%.
O movimento é revelador. No caso de Lula, o aumento da rejeição ocorre justamente em um momento em que o governo volta a enfrentar turbulências políticas. Entre os episódios recentes estão as acusações envolvendo o líder governista no Senado, Jaques Wagner, e o banqueiro Daniel Vorcaro. Embora a pesquisa não permita atribuir diretamente a alta da rejeição a esse episódio, o caso emerge em um momento sensível para o Planalto e pode contribuir para pressionar a imagem de Lula junto a segmentos mais sensíveis do eleitorado.
No caso de Flávio Bolsonaro, a elevação da rejeição coincide com a retomada de sua agenda nacional após semanas marcadas por intensa exposição negativa também pelo envolvimento com o ex-dono do Banco Master. O resultado sugere que, apesar de seguirem dominando a disputa presidencial, tanto Lula quanto Flávio continuam sujeitos aos efeitos de desgastes políticos e dificuldades para ampliar apoio para além de suas bases mais consolidadas.
Economia, segurança, corrupção: ninguém se destaca
A percepção dos eleitores sobre a capacidade de Lula e Flávio Bolsonaro para enfrentar os principais desafios do país permanece bastante equilibrada. O levantamento mostra que nenhum dos candidatos consegue estabelecer uma vantagem expressiva nos temas que hoje parecem ocupar o centro do debate eleitoral — economia, segurança pública e combate à corrupção.
Na avaliação sobre quem possui maior capacidade para conduzir a economia, Lula aparece numericamente à frente, com 35%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Outros 22% afirmam não confiar em nenhum dos dois para a tarefa. Entre os eleitores de direita não bolsonarista, esse percentual sobe para 28%, sugerindo a existência de um grupo significativo que ainda não se identifica plenamente com nenhuma das principais lideranças da disputa.
Na área da segurança pública, o cenário é ainda mais equilibrado. Lula registra 34%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 33%, configurando empate técnico. Ao mesmo tempo, 26% dos entrevistados afirmam não confiar em nenhum dos dois para enfrentar o problema. Entre os eleitores de direita não bolsonarista, essa parcela chega a 32%.
O mesmo padrão se repete quando o tema é combate à corrupção. Lula e Flávio Bolsonaro empatam numericamente, ambos com 31%, enquanto 28% dos brasileiros afirmam que nenhum dos dois reúne credenciais para liderar essa agenda. Os resultados indicam que, embora a polarização continue estruturando a disputa eleitoral, uma parcela relevante do eleitorado permanece sem enxergar nos dois principais candidatos respostas satisfatórias para alguns dos temas mais sensíveis da agenda nacional.
Sobre a pesquisa
A segunda rodada da pesquisa nacional da Indexa Pesquisas foi realizada entre os dias 18 e 20 de junho de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com 2.000 eleitores distribuídos em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08944/2026.