A rodada de março da pesquisa mensal AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25/3), aponta avanço em um cenário altamente competitivo e hoje favorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele aparece tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas numericamente à frente, com 47,6% contra 46,6% das intenções de voto, enquanto 5,8% se declaram indecisos. Na comparação mensal, Flávio Bolsonaro cresce 1 ponto percentual, ao passo que Lula não apresenta variação. Mais do que o número em si, o importante é a trajetória: houve convergência ao longo dos últimos meses, culminando na virada marginal, sinal de mudança no equilíbrio da disputa.
A pesquisa foi realizada pela internet entre os dias 18 e 23 de março, com 5.028 eleitores em todo o país, e tem margem de erro de um ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04227/2026.
O resultado consolida a tendência pró-Flávio Bolsonaro e a virada numérica na corrida presidencial nos levantamentos da consultoria, em um momento de maior pressão para Lula, que enfrenta desgaste de imagem associado a investigações de desvios envolvendo aposentadorias do INSS em sua gestão e fraude bancária bilionária –episódios que têm impacto político ao envolver partidos e integrantes de seu governo.
Soma-se a isso a repercussão negativa de sua participação no desfile de Carnaval no mês anterior, além de fatores sazonais que costumam pressionar o humor do eleitor no início do ano, como pagamento de taxas e tributos aos governos de todas as esferas e alta de preços, bem como o aumento das incertezas no cenário internacional. Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de “maré baixa” na popularidade do presidente, com reflexos nas intenções de voto.
O levantamento também mostra que Lula deixou de ter vantagem clara e passou a enfrentar um ambiente mais competitivo. Isso aparece não só contra Flávio Bolsonaro, mas também em outros cenários de 2º turno, onde candidatos do campo bolsonarista ficam próximos ou à frente, enquanto Lula mantém vantagem apenas contra nomes menos consolidados . Ou seja, há um reordenamento de preferências, não um resultado isolado.
Como observado em outros momentos, a exposição de complicações de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter contribuído, na margem, para o desempenho de candidatos associados ao bolsonarismo, ao ampliar a mobilização e a solidariedade entre parcelas do eleitorado.
O impacto político aparece de forma mais nítida nos cenários de segundo turno do que nos de primeiro, mas os dados já indicam avanço do senador também na largada. Na ausência de Ratinho Júnior (PSD), Flávio mostra crescimento consistente, embora seu desempenho seja numericamente maior no cenário em que o governador paranaense está presente.
Nas simulações de primeiro turno, Lula ainda mantém uma vantagem relativamente confortável, com 46% contra 40% de Flávio em um dos cenários. Ainda assim, a dinâmica recente revela uma mudança relevante: desde janeiro, o senador avançou cerca de cinco pontos percentuais (de 35% para 40%), enquanto Lula recuou três (de 49% para 46%), indicando redução gradual da distância entre os dois.
Aprovação do governo
Os dados de aprovação ajudam a explicar o movimento eleitoral. Lula registra desaprovação superior à aprovação (53,5% contra 45,9%), com deterioração adicional nos últimos 30 dias. A avaliação positiva do governo (ótimo/bom) está em 41%, o pior patamar desde abril de 2025, quando marcou 40% – enquanto a avaliação negativa (ruim/péssimo) atinge 50%.
Esse quadro pressiona o teto eleitoral do presidente, limita sua capacidade de expansão nas intenções de voto e aumenta a probabilidade de deslocamentos marginais do eleitorado para alternativas que sinalizam mudança de rumo.