JOTA Principal: Pré-campanhas de Lula e Flávio retraçam rotas em meio a efeito de crises

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Com a cristalização da disputa presidencial em torno de Lula e Flávio Bolsonaro, as pré-campanhas começam a mapear variáveis que irão definir no curto prazo suas estratégias. E uma das conclusões é que há fatores no atual cenário político que exigem mudanças de rumo imediatas.

No lado petista, dois fatores colocam o presidente em alerta — o desempenho de Flávio melhor do que o esperado, conforme a análise na nota de abertura, e os riscos inerentes à guerra no Oriente Médio, cujas consequências ainda são incertas (nota 6).

Já a equipe de Bolsonaro entende que as crises que envolvem o INSS e o Master, além da construção de sua imagem como um político moderado, beneficiam o senador (nota 2).

Não custa lembrar que estamos diante de uma disputa de rejeições. Na falta de projetos que conquistem as mentes e os corações dos brasileiros, ganhará quem conseguir incomodar menos o eleitor.

Boa leitura.

1. O ponto central: Sinal de alerta

O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais ocorreu mais rápido do que o esperado pelo governo e pelo PT, Fabio MuraKawa escreve no JOTA PRO Poder.

Diante dos recentes levantamentos que mostram empate técnico com Lula em um eventual segundo turno, o Planalto tem feito uma reflexão sobre mudar a estratégia.

Por que importa: Quando Flávio foi anunciado candidato, parte do governo avaliava que sua alta rejeição neutralizaria a principal desvantagem de Lula em relação a Tarcísio de Freitas, a própria rejeição do petista.

Aliados de Lula passaram a ver o sobrenome Bolsonaro como principal motor da candidatura.
Interlocutores dizem que a ideia de que Flávio seria mais fraco que Tarcísio se mostrou enganosa.

♟️ A estratégia: Diante do cenário, o PT prepara uma mudança na comunicação para atacar Flávio mais diretamente.

O objetivo é disputar os eleitores independentes e desconstruir a imagem de “Bolsonaro light”.

⏩ Pela frente: A avaliação predominante no Planalto é de uma disputa extremamente apertada. Pesquisas já indicam cenário semelhante ao de 2022.

A eleição tende a se transformar em uma “guerra de rejeições” em ambiente altamente polarizado.

UMA MENSAGEM DO MOVIMENTO BRASIL PELA INOVAÇÃO

17 anos perdidos na burocracia do INPI

Fotomontagem: Gabriella Sales e Ca Aulucci/JOTA

Casos reais mostram o preço da lentidão do Estado quando o assunto é o registro de patentes. Foram quase 17 anos para a concessão da patente para a molécula de polilaminina, com potencial para tratar lesão medular.

A descoberta da pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Tatiana Sampaio sofreu com o atraso do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Entre o depósito (2008) e a concessão (2025), a pesquisa avançou, mas investimentos, testes e parcerias foram adiados ou reduzidos pela falta de segurança jurídica.

Isso mostra que: quando o Estado atrasa, a janela de exclusividade diminui, o risco sobe e o investidor prioriza outros projetos. A expectativa é de que o PL 5810/2025 corrija essa distorção ao ajustar o prazo de patentes quando a demora é estatal. Por isso, o Movimento Brasil pela Inovação acredita que defender o PL da Inovação é proteger a pesquisa, empregos qualificados e a tecnologia de ponta.

2. Empolgou

Flávio Bolsonaro em comissão do Senado / Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Já os aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a força nas pesquisas reforça a percepção de que a disputa está em aberto, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.

Por que importa: A avaliação no entorno do presidenciável do PL é de que escândalos recentes e crises afetaram mais a campanha petista.

Neste rol, citam a crise do INSS, envolvendo o filho do presidente, o escândalo do Master e o episódio do desfile da Unidos de Niterói em homenagem a Lula.
Para a a pré-campanha, Flávio ainda tem espaço para se tornar mais conhecido e a estratégia será de mostrar que é diferente do pai, mas mantendo os valores do ex-presidente.
Eles reforçam a aposta no perfil da “moderação”.

⏩ Pela frente: Aliados afirmam que pesquisas internas já mostrariam Flávio à frente em cenários de segundo turno.

No Datafolha, a disputa segue equilibrada — com rejeição alta para ambos: 46% para Lula e 45% para o senador.

3. ‘Um bem’

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

Em meio à investigação para apurar o vazamento de conversas de Daniel Vorcaro, o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, negou que a comissão tenha sido a origem das informações, mas disse que quem vazou fez “um bem” ao país.

“Os dados chegaram à CPI, foram para a presidência do Senado, depois para a Polícia Federal e voltaram à CPI. Ou seja, nós temos dezenas de pessoas que podem ter tido acesso e ter feito o vazamento”, disse, conforme a Folha de S.Paulo (com paywall).
Em um tuíte publicado ontem (9), o decano do Supremo, Gilmar Mendes, criticou a divulgação de conversas de cunho pessoal.
“A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição”, escreveu no X.

Enquanto isso, o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, autorizou que Vorcaro converse com seus advogados sem ser gravado, registra o Estadão (com paywall).

Esse tipo de monitoramento sempre acontece em presídios federais, como o que o ex-dono do Master está, em Brasília, para dificultar que líderes de facções criminosas enviem ordens para fora da prisão.

4. Saída ma non troppo

Haddad em palestra na USP / Crédito: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

Fernando Haddad deve deixar o Ministério da Fazenda nos próximos dias para disputar o governo de São Paulo, Fabio MuraKawa, Julianna Sofia e Felipe Seligman escrevem no JOTA PRO Poder.

A candidatura é vista como peça central da estratégia de Lula para melhorar o desempenho eleitoral no estado. Leia mais.

Por que importa: Para Haddad, os movimentos precisam ser feitos com o objetivo de construir o caminho para que ele seja o sucessor político natural do presidente na disputa presidencial de 2030.

A negociação inclui a possibilidade de Haddad assumir a Casa Civil em um eventual quarto mandato de Lula, num papel de superministro.

Nesse arranjo, ele manteria influência sobre a política econômica.

Dario Durigan, atual secretário-executivo da Fazenda, seria elevado a ministro.
A permanência de Durigan garantiria continuidade da política econômica.
O desenho consolidaria Haddad como principal herdeiro político de Lula dentro do partido.

♟️ A estratégia: Aliados descrevem que um eventual novo governo buscaria uma nova fase na política fiscal.

A ideia seria promover ajustes graduais nas contas públicas.
Revisão de gastos públicos está entre as medidas estudadas.
A diretriz é fazer um ajuste fiscal gradual, sem cortes abruptos.

⏩ Pela frente: Lula terá de reorganizar rapidamente a equipe econômica.

5. Direita unida

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões / Crédito: Dirceu Aurélio/Governo de Minas Gerais

Às vésperas de assumir o governo de Minas, Mateus Simões defende que o campo da direita não deve se fragmentar no primeiro turno em entrevista à analista Amanda Almeida, no JOTA PRO Poder.

Para o futuro governador, dividir o campo governista em várias candidaturas significaria “abrir chance para o adversário” e enfraquecer a performance num eventual segundo turno.
Ele assume o comando do estado no fim do mês, quando Romeu Zema deixa o cargo mirando a disputa presidencial.

Por que importa: O desenho em negociação prevê uma chapa única da direita para o governo do estado, com espaço garantido ao PL para indicar um dos candidatos ao Senado, enquanto União Brasil e PP ficariam com a outra vaga.

Diante da possibilidade de um “palanque misto”, com Zema e Flávio disputando a preferência do eleitorado de direita, Simões tenta normalizar o arranjo.
No seu caso, afirma que manterá a defesa da candidatura de Zema por “coerência e lealdade”, enquanto outra parte da chapa e da bancada poderá se engajar diretamente na campanha de Flávio.

6. Rápida deterioração

Milhares de pessoas em Teerã se manifestam a favor do regime dos aiatolás / Crédito: Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

O governo ainda não possui análises conclusivas sobre o impacto da guerra entre Estados Unidos e Israel no Irã na economia brasileira, Vivian Oswald escreve no JOTA.

Por enquanto, a avaliação é de que o cenário no Oriente Médio segue em rápida deterioração, sem horizonte claro de resolução.
Diante desse quadro, segundo fontes ouvidas pelo JOTA, o governo vive “um momento de incerteza” na área internacional.

Por que importa: A avaliação é de que uma cotação do petróleo próxima de US$ 100 por um período mais longo exigirá reação.

Nesta sexta-feira, o preço chegou a bater US$ 94,51 na máxima do dia, a cotação mais alta durante uma sessão desde 29 de setembro de 2023, quando atingiu US$ 96,26.

⏩ Pela frente: Ao comentar os efeitos do conflito sobre a commodity, um interlocutor do governo afirmou que as análises apontam para duas direções simultâneas.

A primeira é a alta dos preços do petróleo e dos combustíveis, com potencial impacto inflacionário e pressão sobre cadeias produtivas.
A segunda envolve os fertilizantes, item que, segundo ele, tem recebido menos atenção do que deveria, embora seja crucial para o Brasil, fortemente dependente de importações.
Ao mesmo tempo, o interlocutor observou que a Petrobras pode se beneficiar da valorização internacional do petróleo, já que o Brasil é um grande exportador.
Essas dimensões convivem e ainda exigem análise mais aprofundada por parte das áreas técnicas do governo.

Aliás… A presidente do México, Claudia Sheinbaum, aceitou o convite de Lula para visitar o Brasil.

Os dois conversaram por telefone, ontem (9), sobre o interesse em aprofundar a parceria bilateral na área de energia.
Lula também sugeriu a organização de um evento empresarial que reúna o setor privado dos dois países e explore novas oportunidades de negócios.
Ainda não há data marcada para a visita, que deve acontecer entre junho e julho.

7. O valor do IPVA

O trânsito na rua da Consolação e no Minhocão, visto da praça Roosevelt, em São Paulo / Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

A recém-protocolada proposta que limita as alíquotas de IPVA (PEC 3/2026) já esbarra em resistência dos governos estaduais, Daniel Marques Vieira relata no JOTA PRO Poder.

Para o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do DF), o projeto seria uma intromissão indevida da União sobre a competência dos estados, retirando a margem que eles possuem para legislar sobre seus próprios tributos.
O Comsefaz avalia também que os municípios devem ser contrários à PEC, já que 50% da arrecadação do imposto é repassada a eles.
o autor da proposta, deputado Kim Kataguiri (União-SP), negou que a iniciativa represente uma intromissão na competência dos estados, disse ao JOTA.
“Um estado não pode simplesmente decidir cobrar IPVA com base no peso do veículo por meio de lei própria, pois isso descaracterizaria o imposto e o aproximaria de uma taxa vinculada ao desgaste da via”, argumentou.
O parlamentar pontuou que, embora o IPVA seja um imposto estadual, seu formato é definido na Constituição, que só pode ser alterada por meio de PEC.

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