Ministros do STF suspeitam que foram gravados em reunião secreta sobre suspeição de Toffoli

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitam que a reunião que selou a saída de Dias Toffoli da relatoria do inquérito do Banco Master foi gravada. O encontro foi convocado pelo ministro Edson Fachin na quinta-feira (13/2) após o presidente receber um relatório do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, com informações de conversas de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A desconfiança se deu após a publicação de uma reportagem no site Poder 360, que contém detalhes dos diálogos entre os magistrados. Segundo a matéria jornalística, a saída de Toffoli da relatoria foi uma sugestão de Flávio Dino – os ministros soltaram uma nota em apoio a Toffoli e, em troca, ele entregaria o caso para ser redistribuído a outro ministro.

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Ainda segundo a reportagem, a atuação da Polícia Federal incomodou os ministros. Alexandre de Moraes teria dito que achava um “absurdo” Andrei Rodrigues ter feito uma investigação sobre um ministro do STF sem ter autorização, uma vez que autoridades com prerrogativa de foro só podem ser alvo de um relatório da PF se houver autorização prévia.

O decano Gilmar Mendes também teria apoiado Toffoli em relação à ação da PF. “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”

O ministro Cristiano Zanin observou que a PF se esforçou para investigar Toffoli. De acordo com a reportagem, Zanin teria dito: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ [Superior Tribunal de Justiça] e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo”.

O ministro Flávio Dino também teria criticado a PF. “Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”, transcreve um trecho da reportagem. Dino também teria defendido Toffoli. “E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF futebol clube”.

Segundo a reportagem, Mendonça teria dito que não haveria uma “relação íntima” entre Vorcaro e Toffoli porque em 6 anos teriam sido apenas 6 minutos de conversa.

Ainda segundo a reportagem, Edson Fachin e Cármen Lúcia seriam os dois ministros contrários à permanência de Toffoli na relatoria. A ministra achava que a ação poderia recuperar a imagem do Supremo. “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. Disse que tinha “confiança” em Toffoli, mas que seria necessário “pensar na institucionalidade”.

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