O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixará a relatoria da investigação sobre o Caso Master. A definição foi adotada após reunião com todos os ministros da Corte, na tarde e noite desta quinta-feira (12/2).
Segundo nota assinada pelos 10 ministros do STF, a saída da relatoria foi feita a pedido de Toffoli. A situação do ministro ficou insustentável depois da revelação de que a Polícia Federal entregou um relatório sobre as ligações do ministro com Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master. Os inquéritos serão redistribuídos livremente a outro ministro do Supremo.
Todos os atos já tomados por Toffoli à frente da investigação seguem válidos.
De acordo com a nota, os ministros reiteraram apoio a Toffoli, “respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República”.
Os ministros também entenderam que não cabe o andamento de uma arguição de suspeição contra Toffoli, aberta por Fachin a partir de um relatório da Polícia Federal (PF) com menções a Dias Toffoli encontradas na investigação do caso Master.
Leia a íntegra da nota dos ministros do STF sobre Dias Toffoli e o caso Master
“Nota do oficial dos dez ministros do STF
Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República.
Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.
Assinam:
Luiz Edson Fachin, Presidente
Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
Gilmar Mendes
Cármen Lúcia
Dias Toffoli
Luiz Fux
André Mendonça
Nunes Marques
Cristiano Zanin
Flávio Dino”
Reunião
Fachin convocou uma reunião para apresentar aos ministros o relatório da PF com menções a Toffoli. Fachin também informou aos colegas a respeito das respostas de Toffoli sobre o material.
A reunião foi feita um dia depois de vir à tona o relatório da PF citando Toffoli e sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
Fachin também havia dado ciência do material da PF à Procuradoria-Geral da República (PGR).