O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta terça-feira (10/2) que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 0,33% no mês de janeiro, repetindo o índice de dezembro de 2025. O acumulado de 12 meses teve alta de 4,44%, puxado pelo aumento da gasolina, com alta de 2,06%. Por outro lado, a energia elétrica residencial teve queda de 2,73% nos preços. O índice segue abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,5%.
De acordo com o IBGE, dentre os nove grupos avaliados pelo índice, transportes registrou alta de 0,60% em janeiro e foi o principal responsável pelo resultado do mês, com impacto de 0,12 ponto percentual. A principal pressão veio dos combustíveis, que subiram 2,14%, especialmente a gasolina, com alta de 2,06%.
Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explicou que “na estrutura do IPCA a gasolina apresenta peso de 5,07% e a energia elétrica residencial de 4,16%, ou seja, são os subitens com as maiores participações nas despesas das famílias, na ótica do indicador. Dessa forma, variações nesses dois componentes da cesta de produtos apresentam impacto no cálculo final do índice”.
Além dos transportes e energia elétrica, o grupo comunicação registrou alta de 0,82% em janeiro, puxado pelo aumento dos preços de aparelhos telefônicos (2,61%) e por reajustes em planos de serviços, que influenciaram os subitens TV por assinatura (1,34%) e combos de telefonia, internet e TV (0,76%).
Comparativo com janeiro de 2025
No mesmo período de 2025, o IPCA foi de 0,16%. Isso porque nesse período houve o chamado Bônus de Itaipu, um crédito nas contas de luz decorrente de receitas extraordinárias vinculadas à usina binacional de Itaipu. O abatimento reduziu artificialmente a inflação de janeiro de 2025. Apesar disso, o acumulado de 12 meses do período foi de 4,56%, acima do teto da inflação.
Em janeiro de 2026, o desconto não foi repetido, permitindo uma leitura mensal comportada.
Expectativa do mercado financeiro
A expectativa do mercado financeiro para o acumulado de 2026, segundo o Boletim Focus, é de 3,97%, a quinta baixa consecutiva, sendo 3,99% o estimado no levantamento anterior. A projeção para IPCA em 2027 foi mantida em 3,80%, enquanto para 2028 e 2029 a estimativa continuou em 3,50%.
As estimativas apontam que o IPCA deve continuar abaixo do teto da meta do Banco Central, que é de 4,5%. Com a meta contínua de inflação, leva-se em conta o IPCA acumulado nos últimos 12 meses na análise mensal do índice de preços. O objetivo é descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora do intervalo de tolerância de 1,5%. Como o centro da meta é 3%, o piso é de 1,5% e o teto, de 4,5%.