Enquanto aguarda a divulgação de novas rodadas de pesquisas presidenciais, Tarcísio de Freitas (Republicanos) começou a estabelecer metas para consolidar nos próximos meses seu projeto presidencial. Quem conversou com o governador de São Paulo nos últimos dias ficou com a impressão de que ele retornou dos EUA, onde passou férias, disposto a se manter no jogo pré-eleitoral nacional e enfrentar Lula nas urnas em outubro deste ano.
Em linhas gerais, para além dos limites e do poder da família Bolsonaro, os estrategistas de Tarcísio avaliam ser necessário para a consolidação da sua candidatura a presidente a manutenção de sua competitividade nas pesquisas, o apoio dos EUA, do mercado financeiro, do setor produtivo (especialmente do agronegócio) e da ampla aliança responsável pela vitória do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em 2024.
Se conseguir executar esse planejamento, Tarcísio estará em plenas condições de pleitear até abril próximo, prazo determinado pela Justiça para que ele deixe o governo para concorrer ao Planalto, uma aliança com a família Bolsonaro que contemple uma candidatura única a presidente encabeçada pelo governador de São Paulo. Ou seja, Tarcísio precisará reunir forças e se mostrar mais viável eleitoralmente, politicamente e institucionalmente para representar a centro-direita contra Lula.
O entorno de Tarcísio está convencido de que ele precisa contar com um canal de interlocução constante com Donald Trump. Na viagem de férias aos EUA, o governador teria tratado pessoalmente de conversar com assessores e apoiadores do presidente americano para “estreitar as relações políticas” entre ambos. Essa sintonia seria uma condição necessária para a disputa de qualquer eleição presidencial na América Latina sob a “doutrina Trump”, avaliam os interlocutores de Tarcísio.
Outro ponto importante que já está sendo costurado pelo governador é evitar uma luta fratricida por sua eventual sucessão. É quase impossível para Tarcísio deixar o cargo sem “amarrar” seu grupo político em São Paulo em torno de uma candidatura forte de centro-direita. A questão, nesse caso, no entanto, é aritmética. Haverá quatro vagas em uma chapa (um candidato a governador, um a vice e dois ao Senado) nesse campo para cinco partidos fortes: Republicanos, MDB, PSD e a federação União Brasil-Progressistas.
Essa aliança obteve a vitória na eleição de 2024, quando Tarcísio foi determinante na reeleição do prefeito Nunes na capital paulista contra Guilherme Boulos (PSOL), o candidato de Lula. O problema é que neste ano o próprio Nunes e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, por exemplo, mantêm planos de concorrer ao governo do estado, caso Tarcísio dispute o Planalto.
Para tentar acomodar as pretensões de todos os “players”, interlocutores do governador planejam intensificar nos próximos dias as conversas com os principais líderes partidários desse grupo em busca de um consenso que permita a repetição, no âmbito nacional, da coligação vitoriosa na eleição da capital em 2024. Nos cálculos de estrategistas de uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio, esse “palanque” unificado aumentaria as chances de ele abrir uma diferença de até 5 milhões de votos sobre Lula em São Paulo, o que seria fundamental para “compensar” a vantagem do petista na região Nordeste.
Ainda em termos regionais, Tarcísio também não desistiu de contar com o apoio do governador Romeu Zema (Novo), pré-candidato ao Planalto, em Minas Gerais. A meta é “puxar” Zema para um projeto presidencial único e construir um palanque poderoso para Tarcísio no segundo maior colégio eleitoral do país, onde Lula ainda não possui sequer um pré-candidato ao governo.
No mercado financeiro, no qual o governador de São Paulo sempre esteve bem posicionado, a meta é evitar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), consiga reunir apoios suficientes para levar até abril sua pré-candidatura a presidente, avalizada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para isso, Tarcísio conta com a força das pesquisas, que precisam continuar indicando dois cenários: a alta rejeição de Flávio e a maior competitividade do governador de São Paulo em um eventual segundo turno contra Lula.
No agronegócio, o entorno de Tarcísio avalia que Flávio continuará enfrentando dificuldades para reverter a tendência majoritária do setor de apoiar o governador de São Paulo. A ideia, nesse caso, é mostrar que o governador não mantém apenas um alinhamento ideológico com os produtores rurais, mas também impulsiona o crédito subsidiado, a infraestrutura rural e a modernização tecnológica do campo.